O adeus a Odete Lara, musa do cinema nacional

Jornal GGN – A atriz Odete Lara morreu hoje, dia 4, aos 85 anos de idade. Ela morava no Rio de Janeiro. O velório será realizado no Parque Lage, na Zona Sul do Rio, a partir das 16h e as causas da morte não foram divulgadas. Segundo informações da GlobNews, haverá cerimônia de cremação em Friburgo, na Região Serrana, amanhã, quinta-feira.

Odete Lara nasceu em São Paulo e era filha de imigrantes italianos. Teve sua vida marcada por tragédias pessoais. Aos 4 anos de idade sua mãe cometeu suicídio e, aos 18 anos, o pai tomou a mesma decisão.

Linda, com olhos verdes, começou a carreira como modelo, participando do primeiro desfile de moda no país. Na televisão, Odete Lara começou como garota-propaganda. A seguir vieram as novelas nas TVs Excelsior e Tupi. Ela participou de cerca de 40 filmes e, nos palcos, cantava e chegou a fazer duetos.

Seu primeiro filme foi O gato de madame, ao lado de Mazzaropi (filme de 1956), a convite do autor Abílio Pereira de Almeida e seu último filme foi o longo “O Princípio do Prazer” de 1979.

Ao lado de Norma Bengell, que se foi em outubro passado, Odete Lara protagonizou o aclamado filme Noite Vazia.

Foi cantora no show Skindô ao lado de Vinícius de Moraes. Esse show foi gravado em disco. Também cantou no espetáculo Eles e Ela, com Sérgio Mendes, Meu refrão, com Chico Buarque e Quem samba fica, com Sidnei Miller. Outro disco que participou foi Contrastes.

Odete Lara casou-se algumas vezes. A primeira foi com o dramaturgo Oduvaldo Vianna filho, depois com o autor Euclydes Marinho e depois com o diretor Antonio Carlos Fontoura, porém não teve filhos.

Seu último trabalho na televisão foi a novela Pátria Minha, de 1994.

Publicou três livros autobiográficos, “Eu nua”, “Minha jornada interior” e “Meus passos na busca da paz”. Traduziu várias obras do budismo.

Morou por muitos anos em seu sítio em Nova Friburgo, mas por problemas graves de saúde, retornou a capital fluminense, e morou no bairro tradicional do Flamengo, com uma dama de companhia.

O filme Lara foi baseado na história de sua vida.

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16 comentários

  1. “Deus fez o mundo. E o diabo

    “Deus fez o mundo. E o diabo fez o arame farpado!” – Antonio das Mortes.
    Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, Glauber Rocha. 

    https://www.youtube.com/watch?v=xx_QFips7Ow

    Filme com Odete Lara atualíssimo, especialmente agora que o Dragão da Maldade FHC tenta enrrolar Dilma Rousseff no arame farpado do Impedimento para enterrar novamente a soberania nacional em benefício dos “donos do poder” que destroem a Petrobrás para se apropriar da companhia como se apropriaram de tudo que tem valor no país. 

     

    • Uma das muitas cenas

      Uma das muitas cenas impressionantes desse grande filme é aquela em que Laura (Odette Lara) esfaqueia o amante policial (Hugo Carvana), dezenas de vezes. Ela conta em suas memórias que ficou esperando Glauber dizer “corta!”, mas ele só gesticulava “vai, vai, vai”. Então pensou que na montagem ele escolheria alguns dos golpes. Que nada, Glauber incluiu todos eles no mesmo plano, em 1.05. Um minuto de facadas!

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=xx_QFips7Ow%5D

       

      • Pois é… O mais interessante
        Pois é… O mais interessante é a diferença entre a violência passional, visceral, animal desta cena em que a mulher mata o companheiro e a violência teatral dos confrontos entre os personagens masculinos, que tilintam facões antes de sacar as armas de fogo para matar os adversários. Glauber Rocha provavelmente tratou os dois tipos de violência de maneira distinta para enfatizar a diferença entre amor (fenômeno privado) e política (fenômeno público), mas esta é apenas uma interpretação. Outra seria a diferença entre a natureza da agressão feminina e masculina, praticadas de maneiras diferentes (uma ataca pelas costas o outro confronta de peito aberto o inimigo). A ditadura violentava como uma mulher, atacando os dissidentes pelas costas. Vem daí sua natureza feminina, mas vou parar por aqui para não ofender militares (coisa que, aliás, gosto muito de fazer).

        • É certo que Laura encarne a

          É certo que Laura encarne a traição, nesse momento do filme, mas antes disso ela personifica a ambiguidade das pulsões eróticas. Entretanto, acho forçado ligá-la à ditadura militar: ela faz parte do poder, pois é a mulher do Coronel (Jofre Soares), a quem traía com o policial (Carvana), além de ser a paixão do Professor (Otton Bastos). Nessa alegoria glauberiana do Brasil, o militar é Antônio das Mortes, o matador de cangaceiros e opressor do povo pobre, que antes apoiava o Coronel, mas muda de lado, ao final, arrependido de seus crimes, aliando-se ao Professor, que personifica o intelectual. Na alegoria (e utopia) do filme de Glauber, as forças armadas deveriam se rebelar contra o poder instituído e ser o braço armado da revolução, a favor dos oprimidos.

          • Você me entendeu mal. Eu não

            Você me entendeu mal. Eu não disse que a personagem representa isto ou aquilo, disse o que a violência feminina (passional, desenfreada, praticada pelas costas) pode representar a Ditadura. O simbolismo da personagem é um, o simbolismo de sua ação pode ser outro. Entendeu agora? 

          • É isso mesmo

            No futuro Antonio Das Mortes é por que não Hugo Chávez.

            Se presidentes latinos-americanos foram derrubados pelos militares por quererem as reformas de base, coube a um militar dar continuidade a esse projeto.

            Como Glauber era um cara profético.

      • Sim. É um bom filme, embora

        Sim. É um bom filme, principalmente pelas atrizes e atores, embora irregular no ritmo e mesmo na produção, do então muito jovem Bruno Barreto. Baseia-se no romance homônimo, de Marques Rebelo, importante por ser o primeiro a retratar o incipiente estrelato que surge com a popularidade da canção através da indústria do disco e do rádio. Marques Rebelo é um escritor que merece ser valorizado, mas é pouco conhecido.

  2. Caramba, as mulheres

    Caramba, as mulheres classudas do meio artístico brasileiro estão partindo. Maria Della Costa e Odete Lara: belas e personalíssimas atrizes.

     

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