O dia em que denunciei o Plano Cruzado

No dia do Jornalista, um pouco das minhas memórias da imprensa

Soube do Plano Cruzado na véspera do seu anúncio. O Ministro da Fazenda Dílson Funaro ligou para casa e pediu que fosse a Brasília, pois haveria notícias bombásticas. Liguei para Otávio Frias, dono da Folha. Como era impossível conseguir vôo àquela hora, Frias conversou com Amador Aguiar, que emprestou o avião do Bradesco.

O telefonema de Funaro se devia à defesa que fiz, algum tempo antes, de uma mudança no Imposto de Renda preparado pela equipe econômica – constituída pelos economistas Luiz Gonzaga Belluzzo e João Manuel Cardoso de Melo, da Unicamp.

Antes de analisar seu conteúdo, os jornais caíram matando, informando que se tratava de aumento de tributação.

Na época computadores e planilhas eram de utilização escassa. Montei uma planilha com simulações e comprovei que a nova tabela reduzia o IR na fonte para quem ganhava até 40 salários mínimos. Portanto, era progressiva – isto é, taxava mais quem ganhava mais.

Seguiu-se uma polêmica, inclusive internamente na Folha. Havia um editorialista, professor da FEA (Faculdade de Economia e Administração) da USP, que questionou minhas contas.

Otávio Frias, o dono da Folha, me chamou no jornal para discutir com o professor na sua frente. Era um dos expedientes sagazes de Frias. Se ele não dominasse o assunto, colocava as duas pontas para discutir na sua frente para constatar ao vivo quem tinha o argumento mais sólido.

Cheguei ao jornal, Frias estava ocupado, mas colocou o jornalista Marcelo Coelho de árbitro. Na hora de confrontar os cálculos, constatei, algo abismado, que o economista aplicava as alíquotas diretamente em cada faixa de renda, sem abater a dedução da faixa.

Perguntei se não iria aplicar a dedução e, para minha surpresa, ele não sabia dela. Não conhecia os princípios da tabela progressiva.

A Folha decidiu, então, apoiar o pacote. Cheguei em Brasília, rumei para a Fazenda. Não encontrei ninguém, todo mundo fechado em reuniões. As notícias saíam a conta-gotas, quando alguém saía da sala. Só no começo da noite, vieram notícias mais consistentes. Dada a importância do fato, a Folha escalou o Clóvis Rossi para fazer dobradinha. À medida em que ia conseguindo as informações, passava para ele, por telefone, que redigiria a notícia.

Na Fazenda havia um jovem assessor, provavelmente no seu primeiro trabalho, de nome Mário Rosa – depois, tornou-se especialista em administração de crises. Tentou interromper meu telefonema para a Folha, dizendo que não podia gastar telefone público para atividades privadas. Fulminei-o com um olhar, ele ficou quieto, passei o recado e, depois, me lembrei de lhe dar uma bronca. Mas já tinha caído sua ficha.

O plano foi anunciado. Nos dias seguintes, seguiu-se uma batalha de informações, para explicar a lógica do plano.

Aqui, uma pequena digressão.

O plano matemático

No meu período de Veja, cobrindo finanças e economia, sentia enorme necessidade de entender a matemática do mercado, para não depender de analistas de corretoras, principalmente depois da aceleração da inflação, período em que o manejo de taxas permitia ganhos imensos ao mercado – e perdas aos clientes. Veja me pagou um curso de matemática financeira com o José Dutra Vieira Sobrinho, melhor professor da época, ensinando em calculadora financeira.

 

 

Adquiri uma Texas financeira no Mappin. Quando tentei montar uma taxa interna de retorno para prestações diversas, de consórcios de carros, me dei conta da insuficiência da máquina. Apertei o orçamento e troquei por uma HP 38C – a antecessora da campeoníssima HP 12C.

Nos anos seguintes me aprimorei na matemática financeira, aprendi a programar em computadores – que, na época, só aceitavam programas em Basic – e tornei-me um especialista em contas, seja do Sistema Financeiro da Habitação, das operações ativas e passivas de mercado. Criei uma seção, a Cartilha do Investidor, na coluna Dinheiro Vivo, que mantinha na Folha.

Pouco antes do Cruzado fui a uma viagem a passeio à Argentina. Chegando lá, vi pelos jornais o anúncio do Plano Primavera, com as famosas tablitas – a tabela que deflacionava  valores descontados no decorrer do mês.

Deixei as férias de lado e fui atrás do Roberto Frankel, um dos pais da Primavera. Lá, pedi que me explicasse a lógica das tablitas. Publiquei na Cartilha do Investidor. Tempos depois, os Cruzados me disseram que suspeitaram que alguém tivesse vazado as informações do plano para mim.

Por isso, foi bem fácil analisar cada decreto do Cruzado, de conversão dos contratos de cruzeiros para cruzados, pois deveriam responder a uma lógica matemática.

O telefonema elogioso de Saulo

As explicações e a defesa do Cruzado me custaram um telefonema de Brasília, do então consultor geral da República Saulo Ramos, me agradecendo em nome do José Sarney e me taxando de “baluarte do Cruzado”..

Dona Tereza, minha mãe, ainda era viva, morando alguns andares abaixo do meu apartamento. Testemunhou o telefonema e me perguntou, preocupada:

— Meu filho, onde você está errando?

De fato, foi um elogio que me preocupou.

Dias depois, fui a um almoço onde estava o Luiz Carlos Mendonça de Barros, diretor do Banco Central e o especialista em mercado do grupo. Ele me chamou de lado e me passou a informação, preocupado:

– O Saulo soltou um decreto que reinaugura a indústria da liquidação extrajudicial.

Antes de assumir a Consultoria Geral, Saulo fizeram fortuna com as liquidações. O jogo consistia no banco quebrar, o rombo ser coberto pelo FGLI (Fundo Garantidor de Liquidez). Depois, tinha início a liquidação. Os ativos do banco – imóveis, bens em geral – tinham preço real de mercado, acompanhando e muitas vezes superando a inflação. Já o FGLI permanecia congelado. Bastaria segurar por alguns anos a liquidação, para a dívida virar pó e o banqueiro sair rico.

Deixei o Luiz Carlos e busquei outras confirmações. Fui até um evento onde estava o Fernão Bracher, presidente do Banco Central, que também se assustou com a informação. Antes que eu explicasse o teor do decreto, disparou:

– O Funaro havia dito ao Saulo para não permitir jogadas com as liquidações extrajudiciais.

Aparentemente já sabia do decreto mas, dada a influência de Saulo sobre Sarney, não havia conseguido demovê-lo.

De fato, quando Tancredo Neves morreu, enquanto Ulisses Guimarães e o MDB ficavam imersos em crises existenciais, Saulo agira rapidamente e assegurara o cargo para o vice-presidente José Sarney.

Cheguei na redação e procurei mais informações com juristas. Procurei Fábio Konder Comparato e outros, mas não encontrei. Aì consegui falar com Ives Gandra da Silva Martins. Ele confirmou na hora a jogada:

– O decreto de fato anula o parecer Brossard.

Não sabia o que era. Me explicou que era um parecer de Brossard, que se tornara jurisprudência, ordenando a correção monetária dos fundos públicos nas liquidações.

Redigi a manchete denunciando o fato.

No dia seguinte, rumei cedo para o jornal. Lá, estava o alvoroço armado. Funaro ligava tentando falar com Frias. Como ele não havia chegado, me encaminharam a ligação.

Ele estava transtornado. Disse que Sarney convocou uma reunião de vários ministros, o da Fazenda, o da Casa Civil e até o da Casa Militar. A denúncia poderia desestabilizar o Cruzado, que dependia fundamentalmente da credibilidade para impor o congelamento. Saulo foi incumbido de me dar todas as explicações.

Antes de sair, liguei novamente para Ives, para entender mais um pouco a jogada e fui até à casa de Saulo, na Granja Viana. Recebeu-me com simpatia, deu as explicações técnicas. Avisei que, como não era do ramo, iria checar as informações com advogados.

Voltei para a Folha. Na redação, o Salgado, velho repórter do jornal que me ajudara nas entrevistas com advogados no dia anterior, veio ao meu encontro com ar preocupado>.

– O Ives mijou para trás.

– Como assim?

– Disse que você não entendeu direito o que ele lhe disse.

O mundo desmoronou. Imediatamente liguei para Ives.

– Ives, é impossível eu ter deduzido qualquer coisa. Se fosse tema de economia, até poderia ser. Mas é um tema jurídico, do qual nunca tinha ouvido falar. Até conversar com você, nunca tinha ouvido falar no tal parecer Brossard.

– Lamento, mas você entendeu errado.

Frias me ligou em seguida. Disse-lhe que minha fonte havia recuado. Nesse ínterim, me telefona o Rubens Approbato Machado, futuro presidente da OAB nacional, e com quem eu tinha mantido contato por ocasião da campanha nacional contra o SHF, que montei junto com a OAB São Paulo.

Falou alguma coisa, disse que Ives havia ligado para ele e percebi que apenas queria me dar uma saída honrosa. Recusei.

– Se errei, assumo.

E redigi de próprio punho a manchete que decretava meu fim no jornalismo. Saí de lá, fui para casa. A esposa e as filhas tinham ido para Bragança e fiquei sozinho.

À noite, recebo telefonema de Ives.

– Que pena, Nassif. Mas o Mathias (Machline, amigo pessoal de Sarney) me ligou pedindo para o Instituto dos Advogados dar um parecer em favor do Saulo, caso você não fosse convencido por ele.

Acertaram sem querer a minha fonte, que recuou. Simples assim.

Caindo a ficha

Na manhã seguinte, acordei na mais completa ressaca emocional, com o telefone tocando. Era o José Carlos de Assis, ex-repórter da Folha, que se notabilizara pelas denúncias dos casos Capemi e Delfim – dois macro escândalos que aceleraram o fim do regime militar.

– Porque você recuou? Você estava certo.

Expliquei o recuo do Ives. E o Zé:

– Ele afinou, mas a informação inicial estava certa.

E me deu uma aula sobre as jogadas das liquidações e os efeitos do decreto de Saulo.

Imediatamente pulei da cama e fui para a Folha. Lá tentei, em vão, que a Folha retomasse o teor da denúncia inicial. E com razão. Como me disse Frias:

– Depois do recuo de domingo, com que cara vamos retomar as denúncias?

Expliquei o golpe em que havia caído, mas era tarde. Nos dias seguintes, me empenhei como um louco atrás de informações para retomar as denúncias.

Foi uma guerra.

A revogação do decreto

Cada opinião de advogado que eu levantava, Frias conversa com o advogado Walter Ceneviva, que tinha uma coluna jurídica no jornal, e desclassificava a fonte. Um era inexperiente, o outro tivera um caso com uma cantora. Qualquer desculpa servia.

Mas fui juntando dados. Conversei com Paulo Brossard, com um deputado federal gaúcho, ligado a ele, reconstituí os golpes das primeiras liquidações.

Junto com as avaliações, vinham informações pesadas contra Saulo. Uma delas, era de um inquérito sobre a Financeira Ideal, na qual Saulo tentou aplicar um golpe e receber o pagamento em letras de câmbio frias.

O então deputado federal Herbert Levy me ligou, passando informações sobre o escândalo do café, no governo Jânio Quadros, tendo Saulo como mentor. O jovem Saulo conseguiu espaço no governo Jânio Quadros e planejou uma jogada especulativa desastrosa com café na Bolsa de Nova York – depois, repetiria a aventura com a Operação Patrícia, no governo Sarney.

A operação teve papel central na derrocada do grupo Wallace  Simonsen, destruído pelo regime militar, em um procedimento semelhante ao adotado contra a Odebrecht. Simonsen perdeu a Panair e a TV Excelsior. E era considerado aliado de Jango.

Fui atrás das informações passadas por Levy e descobri que o desfecho do escândalo foi no governo Jango, com o Ministro da Fazenda Carvalho Pinto.

Houve covardia coletiva das principais autoridades, incluindo Carvalho Pinto. Sobrou para um diretor do Banco do Brasil que tomou medidas em favor do banco, evitando que fosse exposto às jogadas. Ele acabou se suicidando.

Consegui o telefone da família e liguei para a viúva, que me fez um apelo dramático.

– Por favor, não entre mais nisso. Minha família já sofreu demais. Depois da morte do meu marido precisamos tirar as crianças das escolas particulares, nossa vida mudou muito, sofremos muito. Queremos esquecer tudo.

Acabei não usando o material.

A cada dia que passava, ficava mais difícil publicar na Folha. Colegas me informaram que Saulo fora recebido em almoço por Frias. Ambos conviveram na época da TV Excelsior.

Com a morte de Casper Líbero, fundador da Gazeta, Frias assumira a presidência da Fundação Casper Líbero e conseguiu levar para lá parte dos equipamentos da Excelsior, além de levar a impressão de A Gazeta e da Gazeta Esportiva para a Folha.

Mas os almoços de Saulo na Folha eram para tratar de temas mais contemporâneos do que as lembranças passadas. Acabaram se acertando.

Um dia eu estava na sala do Boris Casoy quando chegou Otávio Frias. Discutimos um pouco e ele voltou a questionar a seriedade das minhas fontes. Desafiei-o:

– Uma das minhas fontes é um Ministro do Supremo. Vou ligar e o senhor fala com ele.

Frias recuou.

Era Sidney Sanches, ministro sério do Supremo. No meio do tiroteio, liguei para ele, que me explicou como se dava o lusco-fusco, os decretos que abriam brechas para jogadas.

– Quem quer clareza, escreve claro, foi o recado.

A maior parte dos decretos de Saulo era redigido por um brilhante procurador que ele levara de São Paulo: o futuro Ministro do STF Celso de Mello.

À noite, em alguns fechamentos, tive embates ferozes com o Caio Túlio Costa, que era o Secretário de Redação da noite. Bom colega, bom jornalista, recebeu a tarefa espinhosa de justificar o fato de não mais publicar minhas denúncias contra Saulo.

Decidi buscar outras saídas. O caminho seria procurar outros veículos.

Fui até Brasília. Visitei Castelinho, Carlos Castelo Branco, principal cronista político do país na época. Contei a história e ele fez uma coluna em minha defesa.

Mino Carta e Nirlando Beirão fizeram uma longa entrevista que saiu publicada na revista Senhor.

Depois, fui até Júlio de Mesquita Neto, diretor de redação do Estadão. Apesar de ter trabalhado três anos no Jornal da Tarde, nunca havia conversado com ele.

Contei a história do Saulo e pedi apoio. Por aqueles tempos, imerso em crise financeira enorme, o Estadão estava depauperado, praticamente sem repórteres. A reação de Júlio Neto foi republicar a entrevista da Senhor na página 4, “A Pedidos” (clique aqui).

Em duas semanas o jogo virou. E Funaro precisou vir a público informar que havia saído outro decreto, corrigindo o anterior.  Saulo foi aconselhado a sumir. Pegou um avião e permaneceu um mês fora.

Terminava ali o primeiro tempo do jogo. Pouco tempo depois, fui demitido da Folha. Aliás, ganhei alguns meses de prazo porque no dia em que iriam me demitir foi anunciado o Prêmio Esso. E as reportagens sobre Saulo levaram o Prêmio principal.

O segundo tempo viria em seguida, envolvendo escutas, ações judiciais, perseguição política, revelando o comportamento de grandes pequenos homens públicos da época

 

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35 comentários

  1. “Os telefones vão micar”, por Luís Nassif (1996 ou 1997)

    Quando me transferi para Campinas, no final de 1995, deparei-me com algo inédito, apesar de já contar 20 anos de Banco do Brasil, que era o atendimento a micro, pequenas e médias empresas. Tinha um cliente empresário já de médio porte, explorando um ramo promissor, com tudo para deslanchar, mas que patinava porque dependia do aquecimento de outro segmento, o da construção civil, completamente paralisada naqueles tempos, em que quebraram Encol, Lix da Cunha (sobreviveu reduzida à metade), BHM, etc. 

    A empresa era sólida, bem administrada, os dois irmãos centrados, conhecedores da atividade, etc. Mas passavam dificuldades como todos naqueles tempos, de capital de giro a módicos 6% (seis por cento) ao mês, que o BB cobrava. Um dia, comentou na minha mesa que um amigo estava com o “burro na sombra”, não trabalhava mais, tinha comprado 30 telefones (havia pago R$ 3mil em dez/1995), e alugava a R$ 100,00/mês, tinha uma renda folgada de R$ 3 mil/mês. E arrematou, com uma pontinha de inveja “…já pensou R$ 3 mil por mês sem fazer nada? ah se eu ajuntasse R$ 90 mil faria o mesmo…”

    Naquela noite, entre muitos chopes no Giovanetti, fiquei ruminando o que tinha ouvido naquela tarde. Como era possível aquilo, que um empresário quisesse trocar a sua empresa pela “segurança” de 30 telefones de aluguel? Que país era aquele em que alguém vivia da renda de alugar telefones? E que o seduzisse a largar tudo? Tratava-se, evidentemente, de mais uma jaboticaba brasileira. 

    Assinava a Folha de São Paulo. Uma noite, ao chegar em casa iniciei a leitura, como de hábito, pela Ilustrada. Ao chegar no caderno de Economia, deparei-me com a coluna do Nassif, com o seguinte título: “os telefones vão micar” (acho que foi 1996). Li atentamente e recortei. Guardei na gaveta de trabalho. Assim que ele chegou e sentou na minha mesa relembrei aquela conversa sobre os telefones. E passei a ele o recorte do jornal. Leu, deu um risinho amarelo e foi embora. 

    A empresa existe até hoje, próspera e saudável, gerando empregos e impostos. 

    Memórias do jornalismo honesto. 

  2. Diante da degradação moral

    Diante da degradação moral dos grandes jornais e dos grandes pequenos jornalistas, nada melhor do que essas memórias do Nassif para nos lembrar o que é jornalismo de verdade.  

  3. Eis por que Nassif é perseguido: ele é temido.

    Nesta reportagem Luís Nassif mostra por que é tão perseguido por pessoas que ocupam função pública, mas que fazem jogadas, negociatas e cometem crimes, aproveitando-se das posições privilegiadas que ocupam.

    Atualmente o maior persecutor de Nassif é Gilmar Mendes, além da tropa da Fraude a Jato. Esse ministro (sic) do tse e do stf dispensa comentários.

    Mas um pecado de Nassif é acreditar demais nas pessoas, principalmente em algumas que ocuparam ou ocupam funções públicas e que lhe serviram ou servem de fonte. Dois trechos da reportagem mostram isso:

    “A maior parte dos decretos de Saulo eram redigidos por um brilhante procurador que ele levara de São Paulo: o futuro Ministro do STF Celso de Mello.”

    “Aì consegui falar com Ives Gandra da Silva Martins. Ele confirmou na hora a jogada:

    – O decreto de fato anula o parecer Brossard.

    Não sabia o que era. Me explicou que era um parecer de Brossard, que se tornara jurisprudência, ordenando a correção monetária dos fundos públicos nas liquidações.

    Redigi a manchete denunciando o fato.

    Voltei para a Folha. Na redação, o Salgado, velho repórter do jornal que me ajudara nas entrevistas com advogados no dia anterior, veio ao meu encontro com ar preocupado>.

    – O Ives mijou para trás.

    – Como assim?

    – Disse que você não entendeu direito o que ele lhe disse.

    O mundo desmoronou. Imediatamente liguei para Ives.

    – Ives, é impossível eu ter deduzido qualquer coisa. Se fosse tema de economia, até poderia ser. Mas é um tema jurídico, do qual nunca tinha ouvido falar. Até conversar com você, nunca tinha ouvido falar no tal parecer Brossard.

    – Lamento, mas você entendeu errado.”

    Tenho certeza de que a opinião de Luís Nassif sobre Ives Gandra Martins não é hoje  mesma daquela época. Entretanto Nassif continua dando crédito ao outro, Celso de Mello. 

    Em relação a Saulo Ramos, Nassif investigou as trampas, manobras e negociatas que ele fazia; não cabe a mim discutir, pois como repórter ele apurou diversas ilicitudes cometidas por esse jurista. Mas não é explicável ou verossímil que Nassif ainda tenha algum respeito ou admiração por Celso de Mello, apadrinhado de Saulo Ramos. Em livro Saulo Ramos demoliu Celso de Mello, com o relato de um fato que jamais foi desmentido pelo afilhado político. Segue abaixo a narativa de Saulo Ramos sobre esse episódio.

    “Terminado seu mandato na Presidência da República, Sarney resolveu candidatar-se a Senador. O PMDB — Partido do Movimento Democrático Brasileiro — negou-lhe a legenda no Maranhão. Candidatou-se pelo Amapá. Houve impugnações fundadas em questão de domicílio, e o caso acabou no Supremo Tribunal Federal.

    Naquele momento, não sei por que, a Suprema Corte estava em meio recesso, e o Ministro Celso de Mello, meu ex-secretário na Consultoria Geral da República, me telefonou:

    — O processo do Presidente será distribuído amanhã. Em Brasília, somente estão por aqui dois ministros: o Marco Aurélio de Mello e eu. Tenho receio de que caia com ele, primo do Presidente Collor. Não sei como vai considerar a questão.

    — O Presidente tem muita fé em Deus. Tudo vai sair bem, mesmo porque a tese jurídica da defesa do Sarney está absolutamente correta.

    Celso de Mello concordou plenamente com a observação, acrescentando ser indiscutível a matéria de fato, isto é, a transferência do domicílio eleitoral no prazo da lei.

    O advogado de Sarney era o Dr. José Guilherme Vilela, ótimo profissional. Fez excelente trabalho e demonstrou a simplicidade da questão: Sarney havia transferido seu domicílio eleitoral no prazo da lei. Simples. O que há para discutir? É público e notório que ele é do Maranhão! Ora, também era público e notório que ele morava em Brasília, onde exercera o cargo de Senador e, nos últimos cinco anos, o de Presidente da República. Desde a faculdade de Direito, a gente aprende que não se pode confundir o domicílio civil com o domicílio eleitoral. E a Constituição de 88, ainda grande desconhecida (como até hoje), não estabelecia nenhum prazo para mudança de domicílio.

    O sistema de sorteio do Supremo fez o processo cair com o Ministro Marco Aurélio, que, no mesmo dia, concedeu medida liminar, mantendo a candidatura de Sarney pelo Amapá.

    Veio o dia do julgamento do mérito pelo plenário. Sarney ganhou, mas o último a votar foi o Ministro Celso de Mello, que votou pela cassação da candidatura do Sarney.

    Deus do céu! O que deu no garoto? Estava preocupado com a distribuição do processo para a apreciação da liminar, afirmando que a concederia em favor da tese de Sarney, e, agora, no mérito, vota contra e fica vencido no plenário. O que aconteceu? Não teve sequer a gentileza, ou habilidade, de dar-se por impedido. Votou contra o Presidente que o nomeara, depois de ter demonstrado grande preocupação com a hipótese de Marco Aurélio ser o relator.

    Apressou-se ele próprio a me telefonar, explicando:

    — Doutor Saulo, o senhor deve ter estranhado o meu voto no caso do Presidente.

    — Claro! O que deu em você?

    — É que a Folha de S. Paulo, na véspera da votação, noticiou a afirmação de que o Presidente Sarney tinha os votos certos dos ministros que enumerou e citou meu nome como um deles. Quando chegou minha vez de votar, o Presidente já estava vitorioso pelo número de votos a seu favor. Não precisava mais do meu. Votei contra para desmentir a Folha de S. Paulo. Mas fique tranqüilo. Se meu voto fosse decisivo, eu teria votado a favor do Presidente.

    Não acreditei no que estava ouvindo. Recusei-me a engolir e perguntei:

    — Espere um pouco. Deixe-me ver se compreendi bem. Você votou contra o Sarney porque a Folha de S. Paulo noticiou que você votaria a favor?

    — Sim.

    — E se o Sarney já não houvesse ganhado, quando chegou sua vez de votar, você, nesse caso, votaria a favor dele?

    — Exatamente. O senhor entendeu?

    — Entendi. Entendi que você é um juiz de merda! Bati o telefone e nunca mais falei com ele.”

    (Saulo Ramos, “Código da Vida”, Ed. Planeta, 8ª reimpressão, 2007)

    • Era um brilhante procurador,

      Era um brilhante procurador, que infelizmente tornou-se um juíz de merda.

      Não há erro nenhum por parte do autor.

      • É a prova de que ele sempre foi de m….
        Caro Álvaro,

        Teu comentário indica que acreditas também que pessoas como Aloysio Nunes Ferreira, Roberto Freire ou José Serra algum dia foram esquerdistas ou comunistas de fato. Até jornalistas experientes, como Paulo Nogueira, se deixaram enganar por demagogos como FHC, fazendo concessões e sendo condescendentes com hipócritas desse naipe.

        O que fica claro é que Celso de Mello fingiu ser um bom procurador, com o objetivo de alcançar o topo. Assim que chegou lá, mostrou o que de fato sempre foi. No STF há outros exemplos, como Luis Roberto Barroso, Dias Toffoli e Cármen Lúcia. Para conhecer o caráter de uma pessoa, basta lhe dar poder.

        Em suma: Celso de Mello sempre foi o que Saulo Ramos disse sobre ele; apenas enganou muitos, por muito tempo, até mesmo o padrinho político Saulo.

  4. “- Quem quer clareza, escreve

    “- Quem quer clareza, escreve claro”.

    Por qual razão as sentenças de “moro” são estruturalmente repetitivas? são reprodutoras de falas e elementos obtidos? são longas? são sonolentas”, são “noiosas”, …

  5. Obrigado por nos deixar saber..

    Nassif, publique as suas memórias ! Você estará prestando um serviço valioso em termos de informação. Será um privilégio para nós você compartilhar as suas experiências jjornalísticas. Chance imperdível e que não tem preço!  Obrigado por este de hoje.

  6. Quem fosse contra o Plano Cruzado na época…

    Quem fosse contra o Plano Cruzado na época corria o risco de ser linchado nas ruas. Ironicamente, o Plano Cruzado foi a primeira experiência socialista do país. E quem diria, capitaneada por alguém como o José Sarney! Não estou ironizando não. É exatamente assim a primeira etapa de implantação do socialismo: a eliminação das leis de mercado pelo congelamento de preços. A finalidade é atrair simpatias para o regime mediante a ilusão de uma quantidade inesgotável de bens ao alcance do bolso do consumidor, bem como atrair antipatia contra os capitalistas, apresentados como sabotadores que remarcam preço às escondidas e ocultam mercadoria. Funciona enquanto os estoques não terminam. Depois, acontece o mesmo em toda parte: prateleiras vazias, quem chegou primeiro levou, quem chegou por último saiu com sa mãos abanando.

    O passo seguinte seria o confisco dos meios de produção e a instituição do racionamento, mas isso não aconteceu no Brasil porque Sarney não era um socialista de verdade, mas apenas um político que queria ganhar a eleição, e conseguiu, com o maior estelionato eleitoral de nossa história. Mas apesar de tudo, a experiência foi positiva, pois valeu como uma vacina contra o socialismo. Sarney fez o favor de provar que medidas como o congelamento e a moratória da dívida externa, apresentadas pelos esquerdistas de plantão como a solução de todos os nossos males, eram puro lixo. Não fosse por ele, o Plano Cruzado poderia ter sido instituído com sabor de novidade por Lula em 2002, e hoje estaríamos como a Venezuela.

  7. “Dada a importância do fato,

    “Dada a importância do fato, a Folha escalou o Clóvis Rossi para fazer dobradinha. À medida em que ia conseguindo as informações, passava para ele, por telefone, que redigiria a notícia”:

    VOCE, NASSIF?!?!?!

    VOCE foi a razao que Rossi assumiu carreira de bibelot de prateleira?????

  8. Flagrante de Freudiana:

    “Antes de assumir a Consultoria Geral, Saulo fizeram fortuna com as liquidações”:

    Saulo E QUEM MAIS “fizeram” fortuna que voce cortou do assunto ao ultimo minuto, Nassif????

    Ele ta vivo e milionario ainda?

  9. Correnteza

    Nassif  é de uma inteligência impressionante..Raciocínio rápido, lógico e matemático..Ninguém é igual a ele..E sabe nadar contra corenteza

  10.  
    Mas e o dia que defendi

     

    Mas e o dia que defendi aumento de impostos e recriação da CPMF, quando o Brasil mergulhava numa recessão profunda que beirava a depressão durante o governo Dilma?

  11. “O segundo tempo viria em

    “O segundo tempo viria em seguida, envolvendo escutas, ações judiciais, perseguição política, revelando o comportamento de grandes pequenos homens públicos da época”

    Vivemos dias piores ou iguais a esses tempos, Nassif?

    Grande e experiente jornalista! E eu, pretenciosa,  vivo dando pitacos nos artigos do Nassif. Cala  boca, Terta!

     

  12. bandidos ontem, hoje conduzem a Lava Jato

    Panair ontem, Odebrecht hoje ou: bandidos ontem,  hoje conduzem a Lava Jato

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    Principais comentários  Revolera5 meses atrásEu fui aeromoça da Panair desde 1959 ate o final.Foram os melhore anos da minha vida.Obrigada pelo video.Subbed, Liked
    Responder 1       Tribute Airlines5 meses atrásVocê é bem-vindo e obrigado por sua boa comentários.
    Responder    Wellington Faria Santos4 meses atrásFamília PANAIR – O Maior Case de Amor a PANAIR. No último Sábado, Dia 22 de Outubro de 2016, no Clube da Aeronáutica, aconteceu o 50º Almoço de Aniversário de 86 Anos da PANAIR DO BRASIL S.A. Para aqueles que não conhecem a PANAIR foi a mais importante empresa aérea da Aviação Comercial Brasileira. A PANAIR foi a Pioneira do Atlântico Sul. O Mundo era pequeno nas Asas da PANAIR. A PANAIR a companhia aérea que teve o seu auge nos anos 50. O slogan Padrão PANAIR ficou famoso na mídia da publicidade, nas revistas, nos rádios e nas TVs.

    “(..) O jovem Saulo [Saulo Ramos tinha Celso Melo, hoje ministro do STF, como seu auxiliar] conseguiu espaço no governo Jânio Quadros e planejou uma jogada especulativa desastrosa com café na Bolsa de Nova York – depois, repetiria a aventura com a Operação Patrícia, no governo Sarney.

    A operação teve papel central na derrocada do grupo Wallace  Simonsen, destruído pelo regime militar, em um procedimento semelhante ao adotado contra a Odebrecht. Simonsen perdeu a Panair e a TV Excelsior. E era considerado aliado de Jango. (Nassif)

    Nassif: O dia em que denunciei o Plano Cruzado

    https://jornalggn.com.br/noticia/o-dia-em-que-denunciei-o-plano-cruzado

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    Comissão da Verdade e o caso Panair

    http://www.cnv.gov.br/outros-destaques/233-emocao-domina-audiencia-publica-sobre-o-caso-panair.html

    O caso Mario Wallace Simonsen

    http://pradiscutirobrasil.blogspot.com.br/2014/06/o-caso-mario-wallace-simonsen.html

    Comissão da Verdade faz audiência para investigar caso Panair

    http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2013/03/comissao-da-verdade-faz-audiencia-para-investigar-caso-panair

     

    • O “mas” foi riscado dos manuais de redação da imprensa golpista

      Na época da Dilma o “mas” era inevitável e a chamada seria essa:

      Devido à recessão e ao desemprego a inflação cai mas, sem dinheiro, brasileiros não compram e consumo desaba,  havendo risco de deflação.

    • Merece elogios o título perfeito que você arrumou para a lide

      Fernando J. (sábado, 08/04/2017 às 04:41)

      Merece o maior destaque o título excepcional que você inventou para essa chamada (Não sou do ramo, então pergunto: seria lide, manchete ou o que?). O José Carlos Lima em comentário de sábado, 08/04/2017 às 09:04, junto ao seu também dá uma boa cutucada na chamada. Escapou, entretanto, a ele, que a chamada escondeu a realidade apenas eliminando uma palavra: empregados. O apenas é exagero quando se sabe que o que devolveria o poder de compra é a deflação e não a inflação baixa.

      É nisso que está um dos pontos falhos da análise econômica. Ela é incapaz de perceber na satisfação do povo com a queda da inflação o traço de barbárie que nos invade. A civilização requer solidariedade. A satisfação da população com a queda da inflação, e esse contentamento é repassado para a popularidade do presidente, é fruto da barbárie, isto é, do individualismo egoísta. A avaliação do governante fica positiva quando a inflação cai exatamente porque, por maior que seja a horda de desempregados, ela é no máximo um décimo dos que trabalham.

      Clever Mendes de Oliveira

      BH, 08/04/2017

  13. Panair ontem, Odebrecht hoje

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=Dw2KoqV9tAc%5D

    Panair ontem, Odebrecht hoje ou: bandidos ontem,  hoje conduzem a Lava Jato

    A história dos Brasil nunca nos é revelada..,,….eu não sabia que isso que estão fazendo com a Odebrecht e a engenharia nacional é uma repetição da nossa história….caramba, é o mesmo que já fizeram com a Panair..,.tá tudo no caso Panair:  o ódio judicial, a trapaça, os documentos montados, a participação da midia, “otoridades” ganhando o famoso “por fora” e o povo  totalmente por fora.,…dá pra ver que a nossa zelite zelote tem know how……know how do mal, um know how suicida..,….

    Nassif, muito estranho tudo isso: como um pais que poderia ser uma grande potência em vários setores da economia faz isso,,…quer dizer, não é potente por causa disso: não se permite…..e quando começa a deslanchar leva uma bela cacetada como esse golpe de Estado que neste 17 de abril faz 1 ano, embora o processo de desmonte tenha começado bem antes….e pensar que ainda falta prender o Lula enquanto os verdadeiramente corruptos e lesa-pátria abundam por ai…socorro, Nassif….como você deve sofrer por saber da nossa história….dizem que quanto mais ignorantes mais felizes somos….é verdade!

    Sabendo o que vc sabe, o que vc faz para manter sua sanidade..,…sabendo com quem lidas, o que fazes para manter-se vivo….o que fazes para não te encheres de dores….o que fazes para não somatizar essa sequência de golpes….saúde Nassif

     

    Outros hinos da repressão

    https://jornalggn.com.br/blog/jose-carlos-lima/hinos-da-repressao-ate-marx-era-fichado-no-dops-0

     

     

    • Brasil uma eterna colônia?

      Caro José Carlos, ontem à noite dois amigos, que por serem franceses talvez tenham o distanciamento necessario para ver melhor o Brasil, setenciaram numa mesa de restaurante: o Brasil é ainda o colonizador de si mesmo.

  14. A PF saia à caça do boi no pasto….

    Naquela época a PF ia prá roça laçar bois no pasto para evitar aumento de preços, era uma situação hilária, lembro da reportagem no JN, não achei o video.

    Era 1986, o Brasil havia acabado de sair da ditadura, encerrada oficialmente em 1985 com a posse do Sarney.

    Memória TVT – Greve Geral de 1986: Hora do basta!

    https://www.youtube.com/watch?v=ju-CoAujWSc

  15. Sou violeiro soh

    Ler a saga do Nassif na Era do Plano Cruzado ( eu era criança e tudo isso parece muito distante e portanto tão proximo) é para lembrar mais uma vez que o vento passa e os herdeiros dos atores nesse jogo politico-financeiro são sempre os mesmos. Ontem à noite, dois amigos franceses diziam que a colonização no Brasil continua. Historicamente ela termina na independência brasileira, mas, como diziam meus amigos “brasilianistas”, profundos amorosos do Brasil e por isso mesmo preocupados com a derrocada do Pais “os colonizadores do Brasil são os herdeiros dos bandeirantes”. Até hoje o Brasil é uma colônia onde se extermina indios, pobres e negros.

    Precisamos de mais Nassif, Lourdes, Marcelo Auler, Miguel do Rosario, Breno Altman……. Hoje ainda mais que nunca.

  16. ”Com a morte de Casper

    ”Com a morte de Casper Líbero, fundador da Gazeta, Frias assumira a presidência da Fundação Casper Líbero e conseguiu levar para lá parte dos equipamentos da Excelsior, além de levar a impressão de A Gazeta e da Gazeta Esportiva para a Folha.”

    Estou notando um discrepância nos dados. Caper morreu nos meados dos anos 1940 em desastre aéreo e a FCL foi assumida pelo Frias na virada de 1969/70, então ele não poderia ter substituido o jornalista e fundador da Gazeta.

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