O pianista Arthur Camilo, em raríssimas gravações do comecinho do século XX

Por Luciano Hortencio

Essa minha mania de procurar músicas raras através de títulos peculiares ou engraçados tem tido muito bom resultado. Dessa vez, ao encontrar a composição do maestro Arthur Camilo CHUPE O DEDO, executada pelo próprio compositor ao piano, acabei por descobrir que o musicista aludido deixou raríssimas gravações logo no comecinho do século XX, sendo o primeiro pianista a gravar em disco no Brasil, de acordo com informações do pianista Alexandre Dias.

O pianista Arthur Camilo gravou composições próprias, de Alberto P. dos Passos, Chiquinha Gonzaga, Carlos Teixeira de Carvalho, Ernesto Nazareth, Franz Lehár, Edmund Eysler e Louis Moreau Gottschalk.

Todos os vídeos que aqui apresentaremos contêm fonogramas que nos foram gentilmente disponibilizados pelo pesquisador e colecionador Miguel Ângelo de Azevedo, responsável pelo ARQUIVO NIREZ, em Fortaleza-Ceará

https://www.youtube.com/watch?v=25DLLkYW0xQ]

[video:https://www.youtube.com/watch?v=SxG5TFJW7zU

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14 comentários

    • Esperando ansiosamente!

      Abraço do luciano

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=FXHMDCsHJeA%5D

      Arthur Camilo – ZIZINHA – polca de Ernesto Nazareth – Odeon 120319. Gravação de 26.09.1911.Foto ilustrativa: Carlota Celeste Ripper (Zizinha Ripper) – díscipula de Nazareth, a quem ele dedicou a polca Zizinha, de 1899. Coleção do pesquisador e biógrafo de Nazareth, Luis Antonio de Almeida.Nosso agradecimento ao colecionador e pesquisador cearense Nirez, pela disponibilização do raro fonograma. Zizinha, polca publicada em 1899 por E. Bevilacqua & Cia., dedicada “a sua inteligente discípula Zizinha Ripper”. Segundo o biógrafo Luiz Antonio de Almeida, Carlota Celeste Ripper (Zizinha) (1882-1964), nasceu no Rio de Janeiro e era filha de Roberto Ripper e Maria Waddington Ripper. Em depoimento ao biógrafo, Maria Isabel Nogueira Miranda d’Abreu, neta de Zizinha, relatou: “O Ernesto Nazareth tinha um carinho especial por vovó Zizinha. Amor tipo platônico. Dizem, não posso afirmar, que quando ele resolveu dar aulas de piano, vovó foi a sua primeira aluna; daí esse carinho todo especial. Ela se casou com Jacob Nogueira, por volta de 1905, e teve dois filhos, meu pai, José Maria Ripper Nogueira (1906-1970) e meu tio Jacob Ripper Nogueira (1908-1990). Ela falava francês fluentemente, inclusive em casa, com os netos, pra ver se despertava na gente o interesse pela língua francesa. O piano dela, nós o temos até hoje. É um Pleyel castanho. Foi nesse piano que ela aprendeu a tocar com o Nazareth. Ela, muitas vezes, tocava a quatro mãos com ele e também chegou a compor algumas músicas com a ajuda dele. Ele foi o único professor de minha avó. Ela o tinha como a um deus, sem exagero. Ela o adorava.  (…) Uma vez, o Nazareth chegou na casa de minha avó, ainda em São Cristóvão, e encontrou o irmão dela, único irmão, Roberto Waddington Ripper, o tio Bob, dois anos mais novo que ela, dando uns beijinhos numa namoradinha na sala. E o Nazareth disse pra ele: ‘ – Apanhei-te, cavaquinho!….’ “.Os trinados presentes na mão direita da parte A tornam sua execução especialmente desafiadora. Foi gravada pela primeira vez em 1913 pelo pianista Artur Camilo, e até 2013 recebeu três gravações. http://www.ernestonazaretp50anos.com.br/Works/view/229

  1. PALCOS, SALÕES E CIRCOS

    “O sr. Arthur tambem não foi cavalheiro para com o auditorio”

    A SEGUNDA APRESENTAÇÃO DE ERNESTO NAZARETH (1880)

    Já com a preciosa colaboração de Alexandre Dias, chegou ao nosso conhecimento a segunda mais antiga apresentação pública de Ernesto Nazareth, realizada dois dias depois da primeira, aos 10 de março, mas em local que a Gazeta da Noite não identifica.

    PALCOS, SALÕES E CIRCOS

    Realisou-se hontem o concerto do sr. Arthur Camillo. Foi sem duvida alguma o maior concerto que temos assistido; para confirmar o que dissemos, basta saber-se que constou de trez peças, que foram as seguintes: Africana, de Liszt, pelo sr. Arthur Camillo, uma composição de Gottschalk pelo mesmo senhor, e uma grande phantazia a quatro mãos pelos srs. Eduardo Madeira e Ernesto Nazareth (Propheta, de Meyerbereer).

    Dando parte ao publico de incomodado, o sr. Arthur Camillo, terminou o seu concerto, pois a falta de seus companheiros e seu estado de saude o impediam de seguir á risca o programma annunciado.

    Se é do nosso dever censurar os artistas que assim faltaram com a sua palavra empenhada para com o talentoso pianista, que, fiado n’elles, annunciou o seu concerto; levados ainda por esse dever, somos tambem obrigados a dizer ao sr. Arthur Camillo que, se seus companheiros não procederam bem com s.s. o sr. Arthur tambem não foi cavalheiro para com o auditorio, ainda que limitado porem escolhido que o ouvia. Um concerto annunciado póde ser transferido até á hora em que deveria principiar, porem depois de principiado, quando ainda nem ao menos vae em meio de seu programma, não pode dar-se como realisado.

    O auditorio que ouvia o joven e inteligente pianista ter-se-hia retirado mais satisfeito se s.s. depois de ter principiado o seu concerto, esperando em vão seus companheiros, tivesse pedido desculpa ao publico e o transferisse para outro dia.

    O sr. Arthur Camillo é moço ainda e por isso irreflectivo, tem bastante talento, já bastantes louros tem recebido e aquelles que o ouviram, ainda desejam aplaudil-o com enthusiasmo nas composições dos grandes mestres interpretadas com verdadeiro sentimento por s.s.

    Esperamos que por outra vez não aconteça o mesmo.

    Aos. Srs. Madeira e Nazareth, os nossos sinceros cumprimentos.

    GAZETA DA DOITE. Rio de Janeiro, 11 de março de 1880;

    Ernesto Nazareth – Vida e Obra – por Luiz Antonio de Almeida

    http://www.ernestonazaretp50anos.com.br/Chapters/index/74

      • Fiquei cismado!

         

        Artur Camilo de Souza

        Nascimento: Rio de Janeiro – 1860 | Falecimento: Rio de Janeiro to: 1930 (70 anos)

        Foi pianista, compositor e chupador de dedo.

        Um dos primeiros solistas de piano a gravar no Brasil. Por volta de 1904 gravou a música “Trêmulo”, de Gottschalk. Pouco depois gravou de autores desconhecidos a polca “Tristezas não pagam dívidas” e a valsa “Flor de abril”. Por volta de 1911 gravou de Ernesto Nazaré os tangos “Favorito” e “Escovado”.  Em 1912 gravou ao piano, acompanhado por G. de Almeida na flauta, uma série de 13 discos para a Odeon, interpretando entre outras, as polcas “Se queres que eu chore” e “Ernestina”,  a marcha “Floriano Peixoto”, de autores desconhecidos, o chótis “Oi que tu és”, de Anacleto de Medeiros e a valsa “Sorrir dormindo”, de Juca Kalut. O suplemento de janeiro de 1913 da Casa Edson já o apresentava tocando duas valsas: “Amores de príncipe” e “Ventura morta”, ambas provavelmente de sua autoria. No mesmo ano, gravou de sua autoria o tango “O Cabrera” e o chótis “Niobe”. Também no mesmo período, gravou uma série de seis discos com o flautista Carlos Martins interpretando as valsas “Adeus Mariana” e “Primavera”, de autores desconhecidos, as polcas  “Momento de alegria”, de K. Lino, “Xodó”, de autor desconhecido e “Teus lindos olhos”, de C. Bolinha e a mazurca “As fontes de Caxambu”, de Veranista.  Executava obras tanto do repertório popular como também do repertório de concerto. O musicólogo Vincenzo Cernicchiaro registra um concerto realizado no Imperial Teatro D. Pedro II, em fevereiro de 1879, onde o pianista executava a “Tarantella” e “Hino Nacional”, de Gottschalk, e a “Fantasia de Lucrécia Borgia”, de Thalberg, segundo o crítico com enorme sucesso.  Sua quadrilha para piano “Alegria das moças” foi editada por João S. de Oliveira Barreto. Em 2013, sua interpretação, ao piano, do tango “Favorito”, de Ernesto Nazareth, realizada em 1906, foi incluída no CD “Ernesto Nazareth 150 anos – Vol. 1” lançado pelo selo Revivendo em homenagem ao sesquicentenário do compositor Ernesto Nazareth. | Fonte: http://www.dicionariompb.com.br/artur-camilo

        SE O GAJO TIVESSE NASCIDO NAS GERAIS, SERIA TUDO DIFERENTE.

        FUI!

  2. Lulu-cabra-da-peste!

    “Não agradeça, que não ofereci nada a você” ::)))  Luciano, nos somos amigos, né?! Assim espero, e por muito tempo. 

    Agora, Lulu, você, sempre tão temperado, diplomatico, gritou no meio daquela multidão “a benção João de Deus”?! 

    E ainda foi abençoado! Ta explicado porque atira tanto doidinho em seu radar!!!!!

    Eita que você hoje caprichou e nos trouxe uma nostalgia gostosa da belle époque e uma musica santa, de tão bela!

    Faço como a Odonir, fica a saudade dessa época (ainda que prefira estar onde estou):

     

    Um pouco depois da bela época, aqui les années folles. 

    • Ma chère Madame!

      Sem dúvida alguma serás sempre minha boa amiga, desde que que não ponhas aspas e nem abribuas à minha pessoa palavras que não escrevi: Minhas palavras foram: “Não agradeça, que não ofereci nada a você”. 

      Respondi ao comentário para demonstrar que não se julga ninguém por ter dado um abraço em quem quer que seja e comprovei minhas palavras com fotos.

      Madame afirma que sou temperado, porém não disse se bem ou mal. Acho até que me acha mal temperado… O fato é que sempre fiz o que queria, desde que não fira a lei nem interfira na vida e/ou bem estar de outrem.

      Além do mais, na minha vida só me arrependo, profundamente, daquilo que não fiz. Se possível e preciso fosse pediria aos berros novamente a benção a João de Deus.

      Não discuto absolutamente política ou religião, partidos ou crenças. Esse é um princípio que tenho como pétreo e acho que todos que fazem o Blog notam isso.

      Trago aqui, humildemente, a exortação feita por Jesus, quando da execração de Madalena:

      “SE ALGUÉM AQUI ESTIVER ISENTO DE PECADOS, QUE ATIRE A PRIMEIRA PEDRA”. 

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=_FApIPpHCyE%5D

      A minha música não traz mensagem
      E não faz chantagem ou guerra fria
      E nem fala de ideologia
      Eu vim apenas para lhes falar
      De uma grande perda
      Que não sei se é da direita ou da esquerda
      Que me importa se a censura corta
      Pois eu gosto dela, se é vermelha
      Ou se é verde e amarela
      Oh Camarada, companheiro, amigo,
      Ela foi embora e o pior que foi contigo.
      Para mim foi um grande golpe
      Não sei se de estado ou armado
      Ou talvez de coração, só sei dizer
      Que a dor foi muito grande
      E minha vida inteira transformou-se numa enorme agitação
      Já que assim termina o meu mandato
      Pois eu fui cassado e deportado 
      Pra bem longe de você
      Oh minha amada quero lhe dizer 
      Que sem o seu amor eu posso até morrer

       

      • Caro Luciano, so comentei a

        Caro Luciano, so comentei a resposta à tal pessoa, porque achei muito boa. Temperada é uma pessoa sem arroubos. No mais, não discuto religião, politica, futebol, mas posso conversar normalmente sobre esses assuntos, ainda que prefira me abster sobre futebol, ja que não sei muito. 

        Como dizem os franceses: registrei. 

        Abraço.

  3. Paz e Amor

                       não agradeça

                       pode ir descendo a calçolinha

                       e, antes que me esqueça,

                       abra uma cerveja na conta da Jandaynha

                      

                       antes que Ele recupere a sua peixeira enzinabrada

                       e fique ainda mais “nervosa”,

                       sem mimimi.

                      

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