O que Ragnar Lodbrok poderia ensinar a Gilmar Mendes?, por Fábio de Oliveira

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Quase todos os membros governo Michel Temer e todos os deputados e senadores que lhe dão sustentação no Congresso Nacional estão atolados até o pescoço em escândalos financeiros, muitos deles respondendo processos criminais. Para se salvar e garantir o patrimônio ilícito que amealharam na política, eles querem corromper de vez a legislação.

O sentido jurídico da anistia sempre foi a concessão do perdão para aqueles que movidos pelo desespero, tendo sido sempre homens honrados e pacíficos, cometeram crimes durante períodos de excepcional turbulência política. O sentido que os bandidos da quadrilha de Michel Temer querem dar a anistia é outro. Ela será um prêmio para os marginais que, num período de absoluta tranqüilidade política, cometeram crimes com proveito pessoal e que agora querem continuar sendo criminosos.

Numa das cenas memoráveis da série Vikings, Ragnar Lodbrok tem uma conversa com Bjorn sobre a natureza do poder. Sério e procurando desviar o filho do mau caminho ele diz que:

“O poder é sempre perigoso, ele atrai os piores e corrompe os melhores…”

A julgar pela cena política brasiliense nós deveríamos nos considerar vikings. Afinal, as palavras do lendário rei viking do século VIII e IX se ajustam perfeitamente à realidade política do Brasil na atualidade. Todavia, há algo ainda mais podre no Brasil.

O presidente do TSE tem se reunido constantemente com o líder da quadrilha que assaltou o poder como se isto fosse uma coisa desejável ou perdoável. Ele dá entrevistas legitimando o prêmio que os deputados e senadores mafiosos resolveram aprovar em benefício próprio à revelia do sistema constitucional e do Código Eleitoral. Gilmar Mendes não com isenção. Na verdade ele nem mesmo se dá ao trabalho de manter uma conduta pública adequada ao cargo que ocupa.

Ragnar era juiz em última instância de todas as disputas dentro do seu reino. No Brasil, existe um Judiciário supostamente independente composto por homens que deveriam ter uma reputação ilibada, demonstrar notório saber jurídico e zelar pela boa imagem do Judiciário. Os Ministros dos Tribunais (TSE e STF) deveriam capazes de julgar s políticos de maneira justa com base na legislação em vigor. Mas não é isto o que temos visto nos últimos.

Não, nós não somos vikings. No Brasil o que atrai os piores e corrompe os melhores não é o poder e sim a atividade judiciária. Tudo bem pesado, a única coisa que Ragnar Lodbrok poderia ensinar a Gilmar Mendes seria como escolher calças peludas.  

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