Olê, muié rendeira. Olê, muié rendá!!!

VOTO DE LOUVOR ao cidadão fortalezense JOSÉ VIANA DA SILVA NETO, que, por esforço próprio, impediu fosse a estátua MULHER RENDEIRA perdida para sempre.

Enviado por Luciano Hortencio

Relato do resgate da escultura Mulher Rendeira

Prezados,

Venho por meio deste relatar/ esclarecer como se deu o resgate da obra “Mulher Rendeira” (1966) concebida pelo artista pernambucano José Corbiniano Lins.

Na última sexta feira 29 de Maio por volta das 12h cheguei em casa, para pausa do almoço, após uma manhã de trabalho, como é de costume entrei nas redes sociais para me atualizar dos acontecimentos e visualizei uma postagem que anunciava que a escultura em questão estava sendo demolida, de pronto e imediato peguei a minha bicicleta e fui até o Banco do Brasil sito à na Av. Duque de Caxias com Barão do Rio Branco, para conferir se tal publicação era verídica.

Ao chegar no local me deparei entristecido com a escultura dentro do container de lixo, toda desmembrada e com alguns danos causados pelas marretadas dadas pelos operários da construção.

Por compreender o valor histórico, cultural e patrimonial da escultura e por ter um apreço pessoal por ela, minha primeira ação foi abordar o encarregado da obra e pedir que ele pudesse me doar para que eu pudesse a restaura-la e ver os meios legais para que ela voltasse a habitar em algum espaço público de nossa cidade.

O encarregado da obra me autorizou a pega-la e me informou que a ordem era de demolição e que, no entanto, por se tratar de uma obra fundida de ferro e concreto eles não conseguiram quebra-la e então resolveram desmembra-la, ele informou também que ela seria levada para uma Reciclagem situada no bairro Jangurussu onde seria vendida como entulho.

Após ouvir esses relatos, já autorizado pelo mestre de obra a pega-la, voltei para casa portando a parte da cabeça da escultura e retornei ao local com a minha Kombi, para buscar as outras partes que eram muito pesadas, então de prontidão os operários me ajudaram a colocar ela no veículo e voltei para casa para guardá-la.

Ao chegar em casa, após tira-la da Kombi, entrei em contato com alguns amigos da área da Cultura para que pudessem me orientar de forma legal como proceder e assim fui fazendo contato com representantes de algumas Instituições.

Por se tratar de uma sexta-feira em plena quarentena causada pelo covid-19, não pude dar os devidos encaminhamentos e ao ver a agitação dada ao assunto nas redes sociais, resolvi me resguardar até o momento em que eu tivesse dado todos os encaminhamentos possíveis como uma forma de proteção pessoal minha e de minha companheira.

No último domingo dia 31, me dirigi até ao 34º Distrito Policial para fazer o Boletim de Ocorrência e fui informado pelo atendente que não estão fazendo B.O presencial, mas que dada a gravidade da situação eu retornasse no dia seguinte (segunda, dia 01) para falar com a delegado e o mesmo pudesse autorizar a feitura do mesmo. Porém ao retornar na data combinada eles não autorizaram e pediram que eu fizesse um B.O online.

Hoje, segunda-feira, dia 01 de junho, entrei em contato com a gerencia do Banco do Brasil que me recebeu e muito bem me agradeceu pela atitude de resgatar a obra de dentro dos containers o mesmo explicou que o ocorrido se deu por inúmeros erros de comunicação que acarretou nesse triste acontecimento e afirmou que o Banco do Brasil vai arcar com todo custeio da restauração da obra e devolvê-la para seu lugar de origem.

Acrescento também que estou tendo acompanhamento institucional da SECULTFOR na pessoa do Davi Medeiros Coordenador de Patrimônio Histórico Cultural de Fortaleza que também está me orientando e tomando par do assunto.

Reitero, que desde o inicio meu intuito foi de proteger a obra e salva-la dessa situação para que futuramente ela pudesse voltar a residir e embelezar as ruas de nossa cidade, de onde nunca devia ter saído e isso acontecerá o mais breve possível.

Fortaleza 01 de junho de 2020.

Respeitosas saudações culturais,
José Viana da Silva Neto

Foto by: Adriana Clemente.

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