Opereta brasileira “A Peste” será encenada em teatro, por Carlos Motta

Agora, por meio da Lei Aldir Blanc, a ópera será encenada em palco, sem a presença do público, com transmissão online e contribuição voluntária

Opereta brasileira “A Peste” será encenada em teatro 

por Carlos Motta

Produzida durante a pandemia do covid-19, a opereta “A Peste”, com música e libreto de Cyro Delvizio, um dos mais destacados violonistas, compositores e pesquisadores de sua geração, vai ganhar sua primeira montagem em palco, com estreia confirmada em seis sessões de 28 a 30 de março, às 18 e 21 horas, em Niterói, no Teatro Popular Oscar Niemeyer. 

No ano passado, por conta do rigoroso distanciamento social que uma doença desconhecida impôs ao convívio social, a peça foi lançada em duas partes no YouTube, quando, por iniciativa própria, seis músicos (três cantores e três instrumentistas) se uniram fazer uma montagem completamente remota de uma opereta inédita, cantada em português e com linguagem e estética acessíveis ao grande público. 

Agora, por meio da Lei Aldir Blanc, a ópera será encenada em palco, sem a presença do público, com transmissão online e contribuição voluntária (os ingressos variam entre R$ 0, R$5,00 e R$10,00, e poderão ser adquiridos no endereço https://linktr.ee/operetaapeste. Previamente às sessões, haverá uma breve explicação do compositor sobre a obra, que, no fim, também estará disponível no chat para conversar com os espectadores. Posteriormente, a opereta “A Peste” será divulgada exclusivamente nas redes sociais do projeto.

Reunindo no palco além do próprio Cyro Delvizio (violão), a soprano Manuelai Camargo, o tenor Guilherme Moreira, David Monteiro (narrador e baixo-voz), a flautista Clarissa Bomfim e o violoncelista Paulo Santoro, a narrativa traça paralelos com o momento atual da humanidade, porém ambientada na Síria. 

Um príncipe está retornando a Damasco após viagem diplomática, cantando sobre sua futura glória quando for coroado sultão. Porém, logo enfrentará um grande dilema: após dar carona a uma velha senhora, ele descobre que ela é a Peste em pessoa justamente quando chegam aos portões de Damasco. A partir daí, o príncipe se vê dividido entre seu instinto de autoproteção e seu sonho de ser o futuro sultão, refletindo também sobre sua consideração por seu povo e sua cidade.

Inspirada na pandemia do coronavírus Cyro Delvizio realizou esforço pessoal não só para concretizar essa “transposição” entre as diferentes épocas, mas para criar uma obra metalinguística que fomentasse reflexões sobre este difícil e singular momento da civilização, atentasse para o zelo sanitário e ainda aproximasse o público leigo da ópera, ao tratar de um tema atual e afeito a sua realidade.

“Em 2020, a montagem online autoproduzida, também graças a vaquinha virtual,  foi pensada inicialmente para esta realidade remota e um pouco para colocar para fora os meus sentimentos durante o isolamento”, diz Cyro Delvízio. 

“Agora, com o apoio da Lei Aldir Blanc, conseguiremos não somente colocar a opereta em palco, mas fazer isso com toda a segurança que o momento exige: a equipe enxuta, poucos ensaios, curta duração do espetáculo (45 minutos) e teatro espaçoso. Até o palco grande propiciará o distanciamento físico dos músicos e cantores, que também farão testes de covid. Temos que nos reinventar e até reinventar o processo habitual de uma montagem desse tipo, com a responsabilidade de mostrar que é possível um retorno gradual de espetáculos como o nosso, mantendo a segurança em primeiro lugar”, conclui.

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