Os ‘clubes de cavalheiros’ e a organização dos negócios mundiais, por Motta Araujo

CLUBES FECHADOS – Uma tradição britânica que no século XIX se espalhou para as grandes cidades, os “clubes de cavalheiros” são locais onde se realizam reuniões de negócios sob reserva e discrição que não existem em restaurantes ou hotéis, locais protegidos, sossegados, não são clubes sociais ou recreativos, são para conversas sérias.

O METROPOLITAN CLUB de Nova York é um exemplo. Fundado no fim do Século XIX por nomes da sociedade novaiorquina como Morgan, Vanerbilt, Roosevelt, Whitney, Goelet,  seu primeiro presidente foi o banqueiro J.P.Morgan.

Os clubes de homens de negócios passam a ser instituições fundamentais para os acordos, cartéis, fusões, combinações e estruturação de frentes políticas comuns de empresários sobre determinados assuntos de interesse.

São Paulo teve dois desses clubes, o São Paulo Club, na antiga e majestosa residência de dona Veridiana Prado na Av. Higienópolis e o Nacional Club, antiga casa do banqueiro Orizimbo Roxo Loureiro, na rua Angatuba, no Pacaembu.

O totem desses clubes eram sua vedação ao público, a curiosos, só entram sócios, serviços de bar impecáveis, poltronas confortáveis, ambiente tranquilo, jornalistas não entram. A necessidade desses locus se propagou pela Europa continental e pelos EUA, equivale no capitalismo aos bares da esquerda, que têm no Cafe de Flore em Paris seu modelo.

São uma espécie de catedrais do capitalismo onde se rezam suas missas solenes. Hoje esses clubes diminuíram sua importância mas alguns ainda são emblemáticos, como o Bohemian de San Francisco, o Brown´s de Londres, o Circolo della Caccia de Roma, o Metropolitan de NY.  Sua utilidade foi notória, lugares de ideias e causas conservadoras.

Hoje os interesses estão mais difusos, o mundo é mais caótico, o capitalismo mais selvagem, os cavalheiros são escassos, os clubes são civilizados demais para o mundo desarrumado em que hoje vivemos.

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