A fala de Freud

Atualizado 2 às  11:07

eu namoro uma donzela
que só me fala do Freud
pra chegar mais perto dela
eu tomo muito alcalóide

digo que sou poesia
camarada do Adelzon
e um certo Carlos Scliar
fez meu retrato em crepom

meu parceiro Rufo Herrera
o pai do bandoneon
tocou tango em frigideira
só pra provar que eu sou bom

se alguém me dá um fora
e eu fico fora de mim
o Nassif vem na hora
armado com o bandolim

se a vida me descamba
e o meu corpo se enrola
Caçula me toca um samba
pelas regras do Cartola

o poeta Tião Nunes
um homem que é só amor
beija os meus versos impunes
como se beija uma flor

na fala do Manuelzão
meu companheiro de prosa
eu descrevi o sertão
muito melhor do que o Rosa

Hélio Delmiro vai fundo
só por ser um meu amigo
e Deus quando vem ao mundo
só vem pra falar comigo

se a moça não me concede
e eu tenho de saber Freud
ela manda, não me pede
mas vou tomar alcalóide.

romério rômulo

Por Edmar Melo

Meu caro Romério Rômulo

Não tome mais alcalóide

Se a donzela é perturbada

Com ela nem Freud pode

Procure fazer direito

Quem sabe de outro jeito

Você resolve esse bode.

 

Antes de chamar Nassif

Armado com o bandolim

Prove pra sua donzela

Que não é um Querubim

Se isso não resolver

A única coisa a fazer

É mandar ela pra mim.

 

    Abs. Edmar Melo.

Por Maria da Conceição Paranhos

Meninos, vocês têm jeito

para armar uma cilada,

mas a mulher traz no peito

coração em disparada.

 

Nem o Nassif nem Freud,

Nem Rufo Herrera (saudade!)

conseguem amarrar o bode

de Romério, meio a estrada.

 

Melhor mesmo é ficar quieto,

pois home que se respeita,

quanto menor é a suspeita,

mais o causo fica ereto.

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