Evocação de Recife

Por luciano coelho

Tenho 29 anos de Pernambuco, do Recife, e mais de 38 anos de Minas Gerais. Não perdi o sotaque, mas me tornei mineiro de coração. Aqui casei com uma mineira e tenho com ela duas filhas bem mineiras. O único documento que ainda tenho do nordeste e o CPF e o diploma de médico. O resto foi refeito aqui. Me acomodei as coisas dessa terra e dessa gente que praticamente me sinto em casa desde que aqui cheguei. Não desprezo as minhas raízes mas já tenho muitas outras enterradas por aqui.

Há pouco eu assistia a um pernambucano que me enche de orgulho, o Antônio Nóbrega mas como me enche o peito falar de Miltom, Tavito, Tavinho, e dos outros da literatura. Até meus poetas preferidos, intuitivamente sempre foram Bandeira, pernambucano e Drummond, mineiro.

Falar de Minas é sempre repetir Rosa no seu “Minas são muitas”, eu que morei no norte, Pirapora, no centr-oeste, Pains, no quadrilátero ferrífero, Barão de Cocais e vivo em BH há mais de 25 anos, E como são diversificadas as regiões e os povos de cada lugar, com seus modos, linguagem, músicas, tradiçoes.

Quando volto ao Recife, me sinto meio estranho, já não sei mais andar por lá, me perco nas ruas e até o calor me incomoda. Só as praias é que me fazem não esquecer de onde vim.

Comentário

Me tornei pernambucano de coração desde que, criança, ouvia “Evocação número 1” do Nelson Ferreira, e ficava morrendo de saudades, sem saber do quê.

Por Luzete

E olhem que brincadeira mais linda com o mais famoso frevo do… mundo: vassourinhas:

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