Salomé e o Poeta – vídeo poema, por Eduardo Waack

Drama, traição, sedução, paixão e crueldade compõe essa passagem que sobrevive ao tempo, à mudança dos costumes, à involução da espécie, e continua atual, chocante, misteriosamente dolorosa.

Salomé e o Poeta, vídeo poema

 por Eduardo Waack

— DRAMA PARA NÃO SER REPRESENTADO —

Ao longo dos séculos, muitos foram aqueles que se debruçaram sobre o mito bíblico de Salomé, a pequena judia filha de Herodíade, que pediu (e ganhou) a cabeça de João Batista a Herodes. Músicos, escritores, cineastas, fotógrafos, ceramistas, escultores e artistas-plásticos deram sua contribuição a esse tema envolvente e controverso. De minha parte, descobri através de Oscar Wilde, pelas ilustrações de Aubrey Vincent Beardsley ainda nos anos 1980 a história que depois pesquisei na Bíblia, nos evangelhos de Marcos e Mateus, e que me encantou e atraiu. Drama, traição, sedução, paixão e crueldade compõe essa passagem que sobrevive ao tempo, à mudança dos costumes, à involução da espécie, e continua atual, chocante, misteriosamente dolorosa.

Quis também dar minha parcela na construção e permanência desta legenda. “Salomé e o Poeta” — cujo subtítulo é “drama para não ser representado” — é um diálogo interior entre o criador e a criatura, entre o autor da obra de arte, a própria obra que ganha vida após concluída, e aquele que a lê, contempla, ouve inebriado. As palavras lançadas ao vento não voltam jamais ao coração que as gerou. Sublimamos afetos, desejos, frustrações e revoltas, e seguimos sozinhos em meio à multidão.

Para a elaboração deste projeto contamos com o auxílio luxuoso da compositora, bailarina e poeta Tatiana Cobbett, que interagiu conosco dando veracidade à personagem. Tatiana, que reside em Setubal, Portugal, interpreta e aparece em fotografias — de André Maia, Inês Malta, João Markun, Paula Erber e Kélen Oliveira — e filmagens (produzidas especialmente para esta narrativa). Ela que é uma junção de Carmem Miranda, Frida Kahlo, Mãe Menininha e Chiquinha Gonzaga, e transpira arte em todos os sentidos, engrandeceu o texto apresentado e propôs novos rumos a seguir. Sua presença cênica tanto impressiona quanto entusiasma.

Outras imagens que utilizamos, de Antonin Artaud e Salomé (em suas múltiplas manifestações) foram colhidas na Rede Mundial de Computadores. A abertura coube ao jornalista Daércio Neto e as traduções são do espanhol Juliam Gustems. Na trilha sonora incidental utilizamos trechos de músicas de Richard Strauss, Johann Sebastian Bach e Maurice Ravel.

 

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