“Samba moderno” lançado pela Turma do Estácio completa 90 anos, por Augusto Diniz

“Samba moderno” lançado pela Turma do Estácio completa 90 anos

por Augusto Diniz

Francisco Alves gravou em 1928 dois sambas com batidas mais cadenciadas e notas musicais alongadas, diferentes do que até então era produzido no gênero, com ritmo voltado às suas origens de batuque e modulações sonoras curtas. Com isso, nascia oficialmente o chamado “samba moderno”.

“A malandragem” e “Me faz carinhos” cantadas por Chico Alves eram composições de dois músicos da chamada Turma do Estácio, que deu roupagem nova ao samba como ele é conhecido hoje. O primeiro samba, de Alcebíades Barcelos, o Bide, fez mais sucesso que o segundo, de Ismael Silva.

Ouça esses dois “sambas modernos” aqui: “A malandragem” e “Me faz carinhos”.

Além desses profícuos compositores, participaram no primeiro momento da Turma do Estácio Marçal, Buci, Baiaco, Brancura, Mano Rubem, entre outros. Com eles, no mesmo ano de 1928, Ismael Silva fundou a pioneira escola de samba Deixa Falar, incorporando elementos dos blocos existentes a um formato de agremiação mais estruturado e dividido por alas.

A Turma do Estácio introduziu mais instrumentos de percussão ao samba e ao Carnaval, como surdo, tamborim e cuíca, feitos de forma quase artesanal. O bairro Estácio na época era uma vila perto do centro do Rio, que não tinha luz e com pequeno comércio, mas com vários botequins.

As rodas por lá começavam com samba, com as pastoras ao centro dançando, que varavam a madrugada e terminavam com desafio de batuqueiros, vestidos de terno branco de linho, em meio ao coro e a ginga – um batuqueiro tentava derrubar o outro postado ao centro com uma pernada.  

Desse tempo surgiram vários clássicos do samba, como “Agora é cinza” e “Barão das Cabrochas” (Bide e Marçal), “Nem é bom falar” e “Antonico” (Ismael Silva), além de mais alguns imortalizados ao longo do tempo pelos principais intérpretes da música brasileira.

Uma das grandes obras de referência para entender essa fase, com o surgimento das agremiações e o papel dos sambistas do Estácio, é o livro “Escolas de samba do Rio de Janeiro”, do pesquisador Sergio Cabral (pai), lançado há mais de duas décadas. 

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