Se puder me manda uma notícia boa, por Carlos Motta

Se puder me manda uma notícia boa, por Carlos Motta

O “Samba de Orly” foi registrado como uma composição de três autores, Toquinho, Chico Buarque e Vinícius de Moraes, mas, na verdade é só dos dois primeiros. 

Vinícius aparece como autor porque havia pedido para mexer em alguma coisa da letra de Chico. Mexeu: trocou os versos “pela duração/dessa temporada” por “pela omissão/um tanto forçada” – que a censura acabou cortando. Chico avisou a Vinícius do veto, disse a ele que não havia mais tempo para mudanças, porque a gravação da música era iminente, e o poetinha  lhe deu sinal verde para que permanecesse a letra original, com uma condição: a parceria teria de ser mantida.

Lançada há 47 anos , “Samba de Orly” se tornou um clássico da música popular brasileira, por expressar, numa melodia alegre, a desesperança de uma geração que vivia afogada nas trevas da ditadura militar.

Qualquer semelhança com o que pode acontecer no Brasil num futuro muito próximo não é mera coincidência: é o resultado de anos e anos de domínio ideológico de uma elite reacionária, burra e criminosa.

 

Vai meu irmão

Pega esse avião

Você tem razão

De correr assim

Desse frio

Mas beija

O meu Rio de Janeiro

Antes que um aventureiro

Lance mão

 

Pede perdão

Pela duração (Pela omissão)*

Dessa temporada (Um tanto forçada)*

Mas não diga nada

Que me viu chorando

E pros da pesada

Diz que eu vou levando

Vê como é que anda

Aquela vida à toa

E se puder me manda

Uma notícia boa 

 

* verso vetado pela censura

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2 comentários

  1. Good News

    Por pouco vencemos agora no primeiro turno.

    Abração à velha e à nova guarda do PT!

    LulaHD

    Valeu, Lulão!

    ps: A esquerda bossa nova, a do povão bem longe, esteve mal de candidato.

  2. Pois é

    Além de ja cantarmos nas manifestações “O bêbado e a equilibrista” e outras musicas marcantes da ditadura talvez tenhamos que voltar a cantar, com a garganta apertada, Samba de Orly (toc toc toc!).

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