Brasil 2015: a importância das políticas metropolitanas

 

Erminia Maricatto é um dos principais nomes de um grupo de arquitetos urbanistas que se empenharam a fundo nas questões metropolitanas.

Fez parte da equipe da ex-prefeita Luiza Erundina e da primeira equipe que criou o Ministério das Cidades, no governo Lula. Saiu quando o Ministério foi loteado para o PP (Partido Progressista) em um momento crucial na vida das grandes metrópoles – cujos problemas acabaram desembocando nas manifestações de junho de 2013.

Trata-se de uma das grandes vulnerabilidades dos governos Lula-Dilma.

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No início do governo Lula foi montado o Ministério das Cidades, com visão clara sobre o papel da União nas políticas municipalistas e metropolitanas. O PT havia liderado os anos de ouro das políticas municipais, diz ela. Ao virar governo, o PT perdeu as raízes municipalistas e esqueceu-se do modo de governar cidades.

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No Ministério das Cidades, havia clareza sobre o papel do governo federal. Deveria assumir a política para regiões metropolitanas, principalmente na captação de água e coleta de esgoto, lixo, resíduos sólidos, transporte metropolitano. A questão explosiva da habitação e do transporte também requer soluções metropolitanas, diz ela. Caberia ao governo federal liderar a proposta de política metropolitana.

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Mas as questões territoriais acabaram indo para segundo plano nas políticas públicas.

É inacreditável que a questão territorial e metropolitana jamais entre na análise dos economistas, diz Erminia. As metrópoles abrigam 30% da população brasileira. Estudo de 2008 da Fundação Getúlio Vargas indicava uma deseconomia de 10% do PIB com congestionamentos além de 50 mil mortos e 400 mil acidentados ano.

Mas no  discurso dos economistas, as cidades e os custos do rodoviarismo não existem. É como não tivesse importância toda uma especulação que leva a uma valorização imobiliária obscena, diz Erminia, concentrando a riqueza nas mãos de poucos e tornando as cidades ingovernáveis.

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O modelo de desenvolvimento econômico dos últimos anos, priorizando a indústria automobilística e a construção civil, condenou as cidades. “As cidades foram para o vinagre”, diz ela.

No caso das obras da Copa, por exemplo, a própria Advocacia Geral da União reconheceu que não seguiram planos diretores.

Havia mais de 2 milhões de pessoas em áreas de proteção dos mananciais em São Paulo, diz Erminia. Com o boom imobiliário trazido pela Minha Casa Minha Vida e pelo destravamento dos financiamentos habitacionais, esse contingente aumentou.  “Cansamos de dizer, há prateleiras de pós-graduação alertando: se põe subsídio em um mercado e não faz reforma fundiária, vai ter explosão de preços”. Foi o que ocorreu. No Rio de Janeiro, o metro quadrado aumentou 151% de 2009 a 2011 expulsando a população para áreas distantes.

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Hoje em dia não faltam leis para uma boa política territorial, diz Erminia. O desafio consiste em introduzir essa variável em todas as políticas públicas. E principalmente o Poder Judiciário aceitar dois princípios: a função social da propriedade, prevista da Constituição; e a implementação dos Planos Diretores.

A partir de 2003, toda cidade com mais de 20 mil habitantes foi obrigada a ter plano diretor. Mas não há implementação.

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22 comentários

  1. Quem fiscaliza?
    As cidades são um ralo por onde vai o dinheiro publico. Afinal de contas não há quem fiscalize o prefeito que, como se sabe, manda nos órgãos que deveriam fiscaliza-lo. O MP por exemplo é presidido por funcionario indicado pelo governador….o TCE é uma piada….a camara de vereadores tmbm nao existe…estes orgaos e a midia so fiscalizam e perseguem se o prefeito for do PT. Uma maravilha

  2. Na boa, esse assunto me deixa

    Na boa, esse assunto me deixa muitas dúvidas e responsabilidades na cabeça. Concordo com tudo o que especialista diz, mas moro num edifício de 32 andares. Eu e muitos urbanistas, defensores das cidades, etc. A gente não quer ver mais prédios construídos, mas não queremos derrubar os nossos. Há sete anos, quando vim morar nesse prédio, a vista da minha varanda era livre, pois essa parte do bairro era bem horizontal, com muitas casas. Hoje são dez prédios em frente ao meu, a maioria na faixa dos 35 andares. Isso porque em Recife (na época do PT) foi limitado o gabarito da construção em 15 bairros, aí as construtoras se espalharam para onde era permitido, mas sempre no entorno dos bairros mais valorizados.

    O que eu quero dizer com isso é que a relação entre mercadoria e consumo não pode ser ignorada. As pessoas compram esse tipo de moradia porque gostam, por comodidade, conveniência, e muitos outros motivos. Estamos acostumados com a vida nas grandes cidades, mesmo no caos. Quantos de nós vai morar nos sertões da vida? A última estatística que vi sobre isso dizia que 80% da população brasileira mora no litoral (uma de nossas gloriosas heranças portuguesas, creio eu). Nosso litoral é enorme, mas a gente sabe que deixar apenas 20% da população ocupando todo o resto do nosso território torna as cidades ingovernáveis. Pelo menos no Nordeste, o hábito de viver de forma aglomerada é muito comum. O que estamos vendo nos interiores daqui são as cidades se tornando réplicas das caspitais, em tudo o que elas têm de pior, inclusive os tipos de construçòes e sistemas de transportes.

    Sinceramente, não sei se há conserto para esses problemas ou apenas redução dos danos que eles causam.

    • Urbanistas gostam de alta densidade populacional

      Bom dia Arthemisia, normalmente os urbanistas (e eu não sou um deles!) tem muito pouco espaço para didaticamente explicarem essas questões ao público. Sendo bem sucinto, urbanistas gostam de densidade populacional. Eles adoram dar esse exemplo aqui:

      http://www.treehugger.com/urban-design/you-cant-set-shop-side-expressway.html

      (A cidade de Florença cabe no espaço usado pra um viaduto de interseção entre duas autoestradas)

      O problema do típico edifício residencial de 32 andares no Brasil é que 1) ele é todo projetado na perspectiva de usuários de carro, normalmente seus dois ou três primeiros andares são de estacionamento, então não há interação de pessoas entre o espaço do condomínio e a rua e 2) costumam ser fortalezas plantadas no espaço urbano, funcionando como “ilhas”, isoladas de tudo.

      Se você adotar o costume de andar mais a pé na cidade, vai perceber como é ruim cruzar um condomínio desses. Os muros altos tornam a parte extena esquisita e insegura.

      • Bom dia, Allan,
        Eu tomei um

        Bom dia, Allan,

        Eu tomei um susto quando vi meu comentário porque eu não o tinha feito, mas acho que o post é antigo. Se você notar, meu comentário é de julho de 2014, que doidice!

        Mas enfim, continuo morando no mesmo espigão, que não é muito do meu gosto. Quanto ao costume de andar, já o tenho faz tempo. Sempre preferi andar a qualquer outra alternativa de transporte. Tudo o que for próximo, costumo fazer a pé e sei que, pelo menos em Recife, é um castigo. Não pelo clima, mas pela falta de calçadas; é uma verdadeira prova de obstáculos, pois quando existe calçada (o único legado dos edifícios) estão cheias de cocô de cachorro. Adoro fazer as coisas a pé para conhecer as  cidades e também porque tenho a sensação de que dependo só de mim. Morei um tempo em São Paulo, na Vila Mariana, e ia a pé pro trabalho, que era na Consolação. Só usava o metrô se estivesse chovendo.

        Eu não critico os urbanistas, até defendo alguns, mas urbanista também se equivoca, vide o exemplo de Brasília. Mas o equívoco não é técnico, na minha opinião; é cultural. Brasileiro não sabe morar bem nem quando tem dinheiro, é um problema de concepção de vida aliado à facilidade da vida nos trópicos. De qualquer jeito que faça, dá para viver, o que não acontece em lugares de clima frio. Mas se urbanista erra, político nem se fala porque nesse caso erra “de com força” como diz o povo. Infelizmente, minha cidade hoje é caótica e ruim de viver. Uma pena, porque é uma cidade que seria linda, se bem cuidada. Mnhas esperanças de que isso aconteça desaparecem a cada dia.

  3. Como o final do artigo diz:

    “A partir de 2003, toda cidade com mais de 20 mil habitantes foi obrigada a ter plano diretor. Mas não há implementação.”

    Esse é o problema. A não participação da população nas decisões de planos e na fiscalização dos projetos.

    Dilma tenta reformar essa cultura com o decreto nº 8.284 que institui uma maior participação social e mais diálogo entre sociedade civil e governo. As oposições chamaram de bolivariano.

    Política pública tem que definir responsabilidades que cabem à União, Estados e Municípios.

    Nessa definição de responsabilidades é fundamental garantir a participação dos cidadãos na formulação da política e no controle social de sua execução, talvez aqui esteja a explicação pelo caos das nossas cidades.

  4. O conceito de Região

    O conceito de Região Metropolitana para gerenciar aglomerações urbanas constituidas por um conjunto de municipios foi criado pelos Governos Militares, que implantaram 9 Regiões Metropolitanas no Pais, cada qual com um orgão de planejamento. O sistema começou a funcionar muito bem, com o orgão metropolitano coordenando vias de trafego que atravessavam mais de um municipio, drenagem, rios, bacias, abastecimento de agua no conjunto metropolitano, com poder inclusive de APROVAÇÃO de novas edificações acima de certa dimensão, como fabricas, hospitais, shoppings, etc.

    O orgão metropolitano em São Paulo reunia a nata oor urbanistas da região e trabalhava em harmonia com a FAU, com o Makenzie, com o Banco Mundial compondo no processo um imenso arquivo de fotos aereas detalhadas de todo o tecido metropolitano de São Paulo, alem disso geria um Fundo de Investimentos Metropolitanos.

    O mesmo processo se criou no Rio (com a Fundrem), em BH (com a Planbel) e Salvador, Recife, Porto Alegre, Curitiba, Belem e Fortalza.

    Todo o sistema de  planejamento metropolitano foi DESMONTADO a partir de 1985 porque NÃO INTERESSA AOS PREFEITOS UM ORGANISMO DESSE TIPO. Planejamento metropolitano é uma VISÃO DE CONJUNTO que atrapalha o balcão de negocios da Camara de Vereadores e dos Prefeitos, que usam os Planos Diretores como moeda de troca e barganha poliica, um orgão supra municipal atrapalha esse balcão, democracia gafieira é incompativel com visão de longo prazo, o melhor instrumento de negocio e barganha dos vereadores é o poder de alterar com quebra galhos os planos diretores, caso a caso, bairro a bairro, rua a rua, quem quer perder esse poder?

    A perda da capacidade de criar um direcionamento amplo e de longo prazo para as areas metropolitanas cria uma monumental ineficiencia. Em São Paulo o cidadão comum não sabe onde acaba um municipio e começa outro, ruas, avenidas, corregos extravasam fronteiras municipais, a Grande São Paulo é hoje um caos metropolitano completo.

    No papel as Regiões Metropolitanas de São Paulo, Santos e Campinas existem, agora está se criando a Região do Vale do Paraiba, mas é só no papel, o CONCEITO de Região foi abandonado na pratica, os Planos Diretores são aprovados sem ninguem consultar o orgão teoricamente gerenciador da Região, em São Paulo é a EMPLASA, que continua existindo mas funciona mais como uma consultoria do que como uma central de planejamento, porque falta o poder da caneta que tinha na sua criação, retirado pela pressão dos politiquinhos municipais. Essa é a realidade.

  5. Não adianta chorar o leite

    Não adianta chorar o leite derramado, mas as causas devem ser muito bem entendidas. Hoje a gestão dos municípios está completamente subjugada a todo tipo nefasto de vício neoliberal, como a proporção absurda de cargos comissionados e a terceirização em setores de estado. É admissível contratar-se uma empresa privada para realizar a licitação de obras públicas? Pois isto está acontecendo. E com empresas nem sempre idôneas. Qualquer iniciativa séria de desenvolvimento urbano tem que passar por uma recuperação dos serviços públicos e seu aperfeiçoamento. Qualquer cidade acima de 20 000 habitantes tem que ter um escritório municipal de planejamento permanente, encarregado de proceder à elaboração, à adaptação, à manutenção, à fiscalização e à guarda dos acervos e projetos urbanos do município bem como suas realizações. Tem que comandar a reelaboração periódioca dos planos diretores, com a participação adequada de todos os setores que habitam a urbe. Isto significará o retorno do Planejamento Urbano, que nestes anos de absurdo liberalismo ficaram a cargo de oligarcas que tudo decidiam em suas reuniões sociais, gerando distorções enormes na distribuição do espaço urbano e no equilíbrio social do tecido urbano, além de impecilhos quase intransponíveis para o desenvolvimento da economia urbana, isto porque o neoliberalismo é por definição uma doutrina de resultados a curto parzo, enquanto uma cidade requer planejamento com resultados de médio e longo prazo. Este contraste só poderá ser revolvido através da política urbana, compreendida em alto nível.

  6. “O modelo de desenvolvimento

    “O modelo de desenvolvimento econômico dos últimos anos, priorizando a indústria automobilística e a construção civil, condenou as cidades.”

    Aí está, como o conservadorismo obtuso do Estadão se alimenta diariamente em suas páginas impressas de um grande volume de propaganda de automóveis de luxo e lançamentos imobiliários de alto padrão, e ao mesmo tempo, atacam qualquer iniciativa popular em termos de moradia e transporte.

  7. O modelo de desenvolvimento

    O modelo de desenvolvimento econômico dos últimos anos, priorizando a indústria automobilística e a construção civil com creditos sem a devida contraposição na estruturação nos fundamentos economicos.

     …se põe subsídio em um mercado e não faz reforma fundiária, vai ter explosão de preços”. Foi o que ocorreu.

    O responsavel pelo descontrole inflacionario atual foi o proprio governo.

    A produtividade brasileira em todos os niveis é baixa como consequencia da situação caotica na infraestrutura.

     

    E neste caso damos razão para a publicação do the economist qdo afirma: que uma série de fatores explicam a fraca produtividade brasileira. O baixo investimento em infraestrutura é uma das primeiras razões citadas por economistas.  A educação lógicamente é a principal delas. Toda a base, toda a estrutura financeira no Brasil esta estabelecida em solo extremamente frágil.

    Consequencia atual de inflação alta e baixa produtividade que o governo alarmado busca resolver de forma paradoxal, aumentando juros e disponibilizando credito no mercado financeiro.

  8. ouso dizer que esse problema

    ouso dizer que esse problema devém da época da ditadura quando os prefeitos nomeados iniciaram esse processo para beneficiar imobiliárias e esqueceram dessa fundamental questão das regiões metropolitanas, nõ as integrando à cidade maior. .

    por volta de 1970 iniciou-se o êxodo rural e as famílias expulsas domcampo vieram para as cidades sem estrutura e acabaram sendo expulsas novmente para  as regiões metropolitanas.

    o processo é notoriamente capitalista e será difícil revertê-lo se não  houver maior humanização desse crescimento…como está se tentando fazer nestes últimos doze anos com as políticas sociais do governo federal.

    o resto, se vier, é atraso..

     

  9. Na minha opinião, como todo o respeito, um besteirol

    Então o problemas das cidades começou agora ?  Então investir na construção civil aumenta preço ?  Então o Minha Casa Minha Vida é que fez os preços aumentarem ?  Então está errado as pessoas morarem em áreas distantes ? O correto seria todos se empilharem no mesmo lugar ? Então a produção de automóveis deveria ter sido talvez LIMITADA ? Então o correto seria CONTER o crescimento ?

    Quanta besteira ! Não é preciso ser especialista pra ver os absurdos. Não estou dizendo que o governo está correto em tudo, mas a origem deste problema está na ditadura militar e nada do que possa ser feito agora vai solucionar, pode apenas minimizar. A valorização dos imóveis só ocorreu porque houve aumento da RENDA e dos financiamentos. Ninguém paga o que NÃO pode. Ah, eu páro por aqui, é muita bobagem junta.

    • Passos,posso te dar uma dica

      Passos,

      posso te dar uma dica de amigo? Quando quiser contestar especialistas, não os desqulifique. Desqulificando-os, você se desqualifica. O pessoal vai menosprezar seus comentários, por melhores que possam ser, indagando-se: quem é esse Passos que trata as análises da Erminia como besteirol; e as da Conceição como besteirol?

  10. Sempre a mesma política de privilégios para os poderosos

    Em toda cidade do Brasil a política é a mesma: implantam-se os melhores serviços de saúde, educação, lazer, etc. em áreas nobres e o restante da cidade que se dane. Sou do Rio de Janeiro e o que se vê: a absurda demolição do elevado da Perimetral só prejudica quem pega a Avenida Brasil; prejudicando parte importante da população, mas que deixa intacta a Zona Sul que é a parte rica da cidade, onde moram, praticamente, todos os políticos da Cidade. O BRT Transcarioca – que liga o Aeroporto Internacional Tom Jobim à Barra da Tijuca – causou mais caos no trânsito de Jacarepaguá, alem de, novamente, dividir os bairros em 2 metades que não se comunicam adequadamente, desvalorizando imóveis e trazendo de volta as cancelas que antigamente eram utilizadas em vias férreas. O transporte ferroviário suburbano divide os bairrros e desvalorizam completamente os locais divididos por seus muros, trazendo a criminalidade para seus entornos. É uma política de Robin Hood às avessas, onde se retira dos pobres para dar aos ricos.

    Essa obra do “Porto Maravilha” só está sendo levada a cabo para expulsar os pobres e trazer os filhos da Zona Sul que não podem morar mais em ipanema, Leblon, Gávea, etc. por falta absoluta de esppaço… e a Barra ainda é muito distante e o Metrô ainda não chegou. E a Rodoviária Novo Rio é totalmente inadequada, se colocando no caminho de quem todo dia tem que ir e vir do trabalho por aquela importante via, agora atrapalhada pela destruiçao da Perimetral. E o PT entregar uma pasta importante como essa para o PP é um absurdo inaceitavel que dá “conforto” à oposição, garantindo os privilégios da classe dominante.

  11. Cidades Insustentáveis do ponto de vista humano

    Em 2004 o Niemeyer declarou, numa reportagem de uma revista corporativa paulista (não lembro o nome), sobre os 450 anos de São Paulo, que o jeito estava dado, isto porque não via soluções, mas era otimista sobre a capacidade da cidade, que é viva, resolver-se. Dá para compreender a opinião provecta, mesmo porque o que foi feito em Brasília, e continua, deixa à míngua nossa capacidade de criar cidades-cidadãs. 

    Mas não podemos esquecer do êxodo rural da segunda metade do século passado, que foi desenvolvendo a bomba demográfica que temos hoje, sem contar a tensão dos 3 eixos: transporte-cartório-especulação, que a Ermínia diagnostica como responsáveis pela transformação da cidade em território meramente econômico, de acumulação do capital. Os tardios Planos Diretores acabaram sob controle dos eixos. Em Juiz de Fora (600.000 habitantes), a Câmara Municipal aprovou o adensamento dos bairros centrais. Interessante é que estava repleta de trabalhadores da construção civil, à guisa de preservarem seus miseráveis empregos, o que é respeitável, mas, dispensados dos trabalho pelos tubarões, que se lixam para a qualidade de vida, visto morarem em condomínios, essa outra praga.

    A cidade insustentável, decorrente de tudo, ou quase, é um desequilíbrio generalizado, detonando as condições de vida (meio-ambiente, arquitetura, urbanidade, trabalho, lazer, saúde, educação, segurança, transporte, etc.).  E como moramos na cidade, suportamos o insuportável. Não à toa, a violência e o imaginário da violência nadam de braçada no cotidiano citadino, enquanto os condomìnios desfrutam de uma paz celestial, verdadeiros oásis em meio à catástrofe social urbana. 

  12. Cidades Insustentáveis do ponto de vista humano

    Em 2004 o Niemeyer declarou, numa reportagem de uma revista corporativa paulista (não lembro o nome), sobre os 450 anos de São Paulo, que o jeito estava dado, isto porque não via soluções, mas era otimista sobre a capacidade da cidade, que é viva, resolver-se. Dá para compreender a opinião provecta, mesmo porque o que foi feito em Brasília, e continua, deixa à míngua nossa capacidade de criar cidades-cidadãs. 

    Mas não podemos esquecer do êxodo rural da segunda metade do século passado, que foi desenvolvendo a bomba demográfica que temos hoje, sem contar a tensão dos 3 eixos: transporte-cartório-especulação, que a Ermínia diagnostica como responsáveis pela transformação da cidade em território meramente econômico, de acumulação do capital. Os tardios Planos Diretores acabaram sob controle dos eixos. Em Juiz de Fora (600.000 habitantes), a Câmara Municipal aprovou o adensamento dos bairros centrais. Interessante é que estava repleta de trabalhadores da construção civil, à guisa de preservarem seus miseráveis empregos, o que é respeitável, mas, dispensados dos trabalho pelos tubarões, que se lixam para a qualidade de vida, visto morarem em condomínios, essa outra praga.

    A cidade insustentável, decorrente de tudo, ou quase, é um desequilíbrio generalizado, detonando as condições de vida (meio-ambiente, arquitetura, urbanidade, trabalho, lazer, saúde, educação, segurança, transporte, etc.).  E como moramos na cidade, suportamos o insuportável. Não à toa, a violência e o imaginário da violência nadam de braçada no cotidiano citadino, enquanto os condomìnios desfrutam de uma paz celestial, verdadeiros oásis em meio à catástrofe social urbana. 

  13. LULA APOIA ALCKMIN, ALCKMIN APÓIA HADDAD

    Antes das eleições municipais de 2016, depois de muito impiximã correr debaixo da ponte, LULA tem que mostrar o mestre que é para enfrentar o rolo compressor Cunha & seus miquinhos amestrados e com isso preservar e ampliar todas as conquistas oriundas do seu primeiro governo de 2003! Junto com o PSD de Kassab  (que com o próprio atrairáTemer e seu grupo para o novo partido) vai costurar uma aliança inédita e impensável: PT/PSDB + PSD.

    Qui nimium properat, serius absolvit

  14. Mas o governo federal não é

    Mas o governo federal não é eleito para governar cidades. Se é assim, então a melhor proposta urbanística seria acabar com essa história de município ser ente federativo, fechar as Câmaras de vereadores e demitir os prefeitos. 

    Eu tô de pleno acordo com as críticas urbanísticas, mas essa mania de centralizar tudo em Brasília é improdutiva.

    • Re ultimo paragrafo, a ideia

      Re ultimo paragrafo, a ideia era combater o coronelismo,  Nao so nao funcionou como o piorou significantemente atravez de…  logo de….  vereadores e prefeitos!

  15. Infelizmente, você vê cidades

    Infelizmente, você vê cidades pequenas e médias tomando o mesmo caminho que deu no caos urbano da cidade de São Paulo. Como faz falta um estadista! 

  16. Baixada Santista: monopólios X mobilidade.

    A democracia representativa tem levado à paralisia em algumas circunstâncias, por isso entendo porque Chavez aumentou as participação popular com o fim dos vereadores e controle do judiciário. Na Região metropolitana da Baixada Santista, o voto de minerva que o governador tem na Agência Metropolitana de Desenvolvimento acaba sufocando os interesses locais por inoperância. Faz 20 anos que o coordenador de privatização e vice governador Alckmin privatizou a distribuidora de gás, para, declaradamente, investir em um VLT e integrar essa que foi uma das primeiras metrópoles. Uma empresa de transportes cresceu muitíssimo durante os 20 anos de PSDB em São Paulo nas regiões metropolitanas, aonde a Secretaria de Assuntos Metropolitanos apita. Por aqui a empresa Piracicabano empalmou a Zefir, Rápido Brasil,  Rápido São Paulo e Breda e Cometa na época em que criava a aérea Gol. O algumas vezes prefeito de Praia Grande, presidente regional do PSDB Alberto Mourão, deve ter escutado atentamente o arrazoado do Constantino da Gol (monopolista dos ônibus do DEM), para estranhamente cobrar pouco a implementação do VLT, que só acabou saindo graças ao PAC Mobilidade pela mão da Petrobrás com 30% de verba federal (que o PT não divulga nem em campanha!) e também com o mesmo Constantino assumindo parte do VLT. Esse atraso é prova de que nem sempre o lucro privado coincide com o público. Quero acrescentar que o PSDB perdeu a cultura de tocar obras e só se interessa por engenharias financeiras, pois para estender o VLT para a parte pobre da cidade de São Vicente conurbada à Santos, falta ao picolé de chuchu Alckmin construir um ponte e um viaduto na rodovia Imigrantes e o governo nada faz; também é preciso desafiar o maior empresário da região a aceitar a passagem do VLT sobre sua “sesmaria” urbana, batalha heroica  do ministério público da cidade de José Bonifácio.

  17. E o tal estudo da FGV

    “Estudo de 2008 da Fundação Getúlio Vargas indicava uma deseconomia de 10% do PIB com congestionamentos além de 50 mil mortos e 400 mil acidentados ano.” 

     

    Como se pode ter acesso a este tal estudo ? 

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