Brasil gasta mais de R$ 3 bi com licenças de software por ano

Jornal GGN – Para John ‘Maddog’ Hall, diretor-executivo da Linux Internacional Foundation, o Brasil pode usar melhor sua mão-de-obra na área de tecnologia, afirmando que o país gasta mais de R$ 3,7 bilhões para pagar licenças de softwares desenvolvidos em outras nações.

“Quando as melhores pessoas daqui vão para o Vale do Silício, quem tem a ganhar com isso é aquele local. Ele lá não irá atrair negócios para Foz do Iguaçu, Curitiba ou São Paulo”, afirmou Hall, em participação na 13ª Conferência Latino-Americana de Software Livre (Latinoware), no Parque Tecnológico Itaipu (PTI).

Ele ressaltou que as soluções em software livre podem ser melhor aproveitadas, já que é possível personalizar  de acordo com as necessidades de quem irá usar a ferramenta.

Enviado por manu

Do Latinoware

Brasil perde R$ 3,7 bilhões por ano em licenças de software

Considerado um dos gurus do software livre mundial e um dos maiores entusiastas do movimento, o diretor-executivo da Linux International Foundation, John “Maddog” Hall, abriu em grande estilo as atividades da 13ª Conferência Latino-Americana de Software Livre (Latinoware) na manhã desta quarta-feira (19), no Parque Tecnológico Itaipu (PTI).

(Matéria de Vacy Alvaro)

No Cineteatro Barrageiros lotado, ele alertou que o Brasil poderia utilizar melhor a sua mão-de-obra local para o desenvolvimento de questões relacionadas às Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Por ano, o País desembolsa cerca de R$ 3,7 bilhões (aproximadamente US$ 1 bilhão) para o pagamento de licenças de softwares desenvolvidos em outros países.

“É como se o Brasil colocasse todo esse dinheiro num barril e jogasse para o mundo”, alertou. “Quando as melhores pessoas daqui vão para o Vale do Silício, quem tem a ganhar com isso é aquele local. Ele lá não irá atrair negócios para Foz do Iguaçu, Curitiba ou São Paulo”.

Além de ressaltar que este dinheiro poderia ser aplicado internamente, de acordo com Hall, as soluções desenvolvidas em software livre poderiam ser melhor aproveitadas, pois possui como característica a possibilidade de personalização da ferramenta conforme as necessidades do usuário. “É fundamental que os softwares sejam utilizados no idioma em que será utilizado, por exemplo”, citou.

Mas para que isso aconteça, ele ressaltou a necessidade das pessoas enxergarem o software livre não necessariamente como grátis, mas também como negócios. “Quando falo para este público em plano de negócios pode até parecer enfadonho, mas é necessário. Muitas vezes estamos trabalhando bem, mas não de maneira organizada”, complementou.

Computadores de baixo custo

Na palestra, Jon “Maddog” Hall reafirmou o compromisso realizado na Latinoware 2015, quando anunciou que computadores de baixo custo seriam produzidos no Brasil. Segundo ele, já a partir de janeiro um grande volume de peças deve começar a ser produzido por meio de uma parceria entre o Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (LSI-TEC) – uma associação sem fins lucrativos – e a comunidade LeMaker, sediada na China e responsável pela produção do Banana Pi, uma referência mundial em microcomputadores de baixo custo.

Antes da comercialização, existe a possibilidade de que seja criada uma campanha de financiamento coletivo para que as pessoas possam adquirir o equipamento com antecedência.

Presença ilustre

Com jeito extrovertido e algumas declarações polêmicas, “Maddog” é sempre uma atração a parte nas edições da Latinoware. E a relação dele com o evento é antiga, desde a primeira edição realizada no Rafain Palace Hotel para 600 participantes. De lá para cá, esse número só aumentou, chegando ao recorde de mais de 5 mil inscritos neste ano.

Em um episódio recente, em 2014 ele criticou o comodismo dos estudantes: “Vocês estão menos curiosos do que os de 20 anos atrás. Ninguém mais quer abrir e fuçar os componentes”, esbravejou. Além de ser sempre um dos principais palestrantes do evento, é comum ver o “Cachorro Louco do Software Livre” nas salas de palestras, visitando o espaço de exposição, circulando entre os participantes e tirando fotos com os fãs. Segundo o próprio Maddog, este ano é uma boa oportunidade para tietá-lo. “Estou movendo mais devagar. Isto é bom para vocês conseguirem tirar mais fotos”, brincou se referindo a seu estado de saúde que está debilitado após ter sofrido um ataque cardíaco em maio deste ano.

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11 Comentários

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Manu Guitars

- 2016-10-21 16:23:53

Preciso desenhar....

Ironia voce sabe o que é?(ironia)Se não, vai aqui um link wiki(ironia):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ironia

Se não, posso desenhar.........(ironia)

Quanto ao que voce disse

1-Não estou em guerra, sou pacifista(ironia)

2-realmente eu não sabia......(ironia)

3-idem(ironia)

Vivendo e apredendendo(ironia)

Responder de maneira civilizada me parece uma boa coisa, em nenhum momento eu me dirigi a VOCE com intenção de te atacar ou te  insultar.....meu comentario(mas não estamos numa guerra sem tregua contra a corrupção?Seria uma medida que vai realmente neste sentido) foi um comentario ironico geral com respeito aos tempos em que estamos vivendo, so isso.

Liberdade é a liberdade dos que pensam diferente.....e o respeito aos que pensam diferente.......pretencioso de minha parte de por um "adendo" a frase de Rosa de Luxemburgo, mas no contexto me pareceu uma boa ideia.

 

 

 

Edsonmarcon

- 2016-10-21 15:14:47

?

3-Nisso voce tem razão...mas não estamos numa guerra sem tregua contra a corrupção?Seria uma medida que vai realmente neste sentido.

Talvez VOCÊ esteja nessa guerra, mas esse governo golpista com certeza não esta.

O discurso anticorrupção foi só para coxinha/trouxinha acreditar.

O objetivo era só tirar a Dilma.

 

ze sergio

- 2016-10-21 14:53:21

não...

Quase 4 bi em licenças? E gasta quanto em pesquisas? O Brasil se explica. 

Edsonmarcon

- 2016-10-21 14:25:22

usuário

Sou usuário desde 1997, na época estava no mestrado e tive tantos problemas com o word que jurei nunca mais usar ele para nada importante.

Meu doutorado escrevi em LaTeX.

Sempre indico softwares livres para os alunos.

Mas TODOS nós somos abrigados a comprar windows quando compramos um computador.

As pessoas associam computador com windows.

ohallot

- 2016-10-21 13:42:50

Reitero

Em nada mudo o que escrevi, mesmo na academia ou nas estatais. Foco no usuário, por que o problema tecnologico é o mais facil de resolver e quase nunca é problema de verdade . Na academia , as empresas de software tipo Microsoft, IBM, Oracle et al, possuem programas especiais onde a licença é quase de graça, para logo acostumar o estudante a usar só uma ferramenta e depois pedir a mesma no emprego. Software livre nao tem disso e por isso o o corpo docente sequer sabe de sua existencia e seu potencial, sempre a pedir trabalhos dos alunos em word, excel etc...

Estou a 15 anos no software livre (sou desenvolvedor e tradutor do LibreOffice para o português do Brasil, meu nome esta nos créditos do software) e passei por todos os estagios do mercado de suites office e ja vi de tudo. Do PhD "cabeção ególatra imbuido de si mesmo" ao dono de faculdade, do gestor imbecil à eminencia parda vil, do usuário recalcitrante ao criador de casos.

Edsonmarcon

- 2016-10-21 13:13:41

É?

Tente implantar software livre em uma universidade ou instituto de pesquisa, onde a relação dos funcionários com o governo não é como em uma empresa, patrão-empregado.

Um reitor que tentasse fazer isso sofreria pressões enormes.

Para que arranjar problemas, se o dinheiro é público?

ohallot

- 2016-10-21 12:49:35

Educadamente discordo do #1

O estatuto empregatício do usuário não tem a ver com a adoção do software livre. A problemática está relacionada a gestão da mudança das ferramentas, treinamento e foco no usuário, e é o mesmo para qualquer mudança de software, em qualquer organização.

Inúmeras tentativas de mudança de sistemas ou de ferramentas foram por agua abaixo pela incompetência dos gestores, misturada com falácias e sabotagem. Achar que o software livre só vinga pela economia de dinheiro é começar pelo pé esquerdo. Se for o caso, pague as licenças e não reclame.

O Estado Brasileiro perdeu o bonde do software livre, quando o executivo ainda tinha alguma autoridade e podia impor diretrizes e faze-las serem cumpridas. No começo dos anos 2000, chegou a ser referência mundial no meio. Por ideologia, burrice ou #3, o setor publico desprezou régiamente a participação do setor privado de TI na montagem dos processos de fornecimento serviços de software livre, o que resultou 1) alijar o setor privado das oportunidades com um caminhão de leis e portarias impeditivas, e 2) de fazer tudo (muito mal) em casa , sem apoio dos especialistas.

Na Europa, os governos membros da UE tem suas iniciativas de softwre livre, e foram pelo caminho da independencia tecnologica, segurança da informação, empregos,  assuntos geopoliticos e por fim economia de dinheiro. Não é de se estranhar que muitos brasileiros como diz o Maddog, estejam trabalhando remotamente em software livre para empresas européias, pagos em euros.

Outra falácia é achar que #2 e #3 só acontece no serviço público. Não mesmo.

Wilton Cardoso Moreira

- 2016-10-21 12:44:16

Não queremos ser livres

Algum tempo atrás o governo de Goiás treinou os servidores e implementou o Libre Office como ferramenta de trabalho, para economizar com licenças da Microsoft. Economizou-se e, salvo exceções, os servidores aceitaram bem o Libre Office.

Seria o primeiro e mais difícil passo para a instalação do Linux em todas as máquinas (a interface do Linux Mint, por exemplo, quase não tem diferença com o Windows).

A Microsoft procurou o governo de Goiás e fecharam um acor para se continuar com o o Windows, sabe-se lá em que bases.

Se o setor público adotar o Linux e as os laboratórios da escolas públicas tiverem máquinas com Linux, em questão de anos cria-se no Brasil uma massa crítica suficiente de usuários, aplicativos e desenvolvedores para enfrentar o Windows e até o Adroid (que é Linux, mas é do Google).

Mas não gostamos de caminhar com as próprias pernas...

manu guitars

- 2016-10-21 12:35:25

Voce tem razão mas...

1-O software livre e utilizado em variaos paises por admistrações de todos os niveis, não creio que os funcionarios publicos alemães, franceses ou espanhois sejam menos "conservadores" que os Brasileiros...

2-Boa maneira de minimizar estes lobbys, economizar dinheiro, criar empregos e desenvolver tecnologia nacional.....

3-Nisso voce tem razão...mas não estamos numa guerra sem tregua contra a corrupção?Seria uma medida que vai realmente neste sentido.

Edsonmarcon

- 2016-10-21 11:49:00

Dificuldades
1) Principal, os funcionários públicos não querem aprender a usar outro software 2) o lobby das empresas que vendem os softwares. 3) software de graça ou de baixo custo geram pouca ou nenhuma propina.

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