Cientistas conseguem teletransportar informação entre chips

Jornal GGN – Físicos suíços anunciaram que conseguiram fazer, pela primeira vez, o teletransporte de informações entre dois chips eletrônicos localizados a uma distância de seis milímetros um do outro. O feito, publicado recentemente na revista científica Nature, foi possível porque as informações estavam gravadas sob as leis da física quântica, que foge completamente às leis da física tradicional.

“Normalmente, as informações de telecomunicações são transmitidas por impulsos eletromagnéticos. Nas comunicações móveis, por exemplo, pulsos de micro-ondas são usados, enquanto que em conexões de fibra são pulsos ópticos”, explica Andreas Wallraff, professor do Departamento de Física do ETH de Zurique e chefe do estudo responsável pelo teletransporte.

Por outro lado, explica o professor, a técnica quântica não é capaz de transportar o próprio suporte de informação – no caso, o chip –, mas apenas a informação em si. Isso é possível graças às propriedades mecânicas do estado quântico do sistema e, em especial, do chamado “emaranhamento” – ou entrelaçamento – estabelecido entre emissor e receptor. O entrelaçamento em si ainda não é completamente compreendido pelos físicos, sendo visto como “mágica” por leigos, de acordo com Wallraff.

Ficção na realidade

Apesar disso, o processo de entrelaçamento é pré-requisito básico para o teletransporte quântico. Quando esse estado é criado, o teletransporte se torna possível, mesmo que emissor e receptor estejam fisicamente separados: o entrelaçamento cria um tipo de ligação entre ambos. Ao inserir um bit de informação no emissor, tal informação é imediatamente gerada no receptor em função da ligação quântica entre ambos. “O teletransporte quântico é comparável ao que mostra a série de ficção científica “Star Trek”. a informação não viaja do ponto A ao ponto B. Em vez disso, ele aparece no ponto B e desaparece no ponto A, quando lido no ponto B”, explica Wallraff.

Experiências anteriores já conseguiram teletransportar informações, até mesmo entre distâncias bem maiores. Em 2012, cientistas austríacos conseguiram teletransportar informação por mais de cem quilômetros. No entanto, essas experiências usaram sistema óptico, com um feixe de luz visível para o teletransporte. O caso suíço teletransportou informações, pela primeira vez, em um sistema que consiste de circuitos eletrônicos supercondutores.

“Isso é interessante, porque esses circuitos são um elemento importante para a construção de futuros computadores quânticos”, diz Wallraff, ressaltando que outra possível vantagem do método atual é que se trata de um meio “extremamente” rápido em relação a experiências passadas. Nesse sistema, dizem os pesquisadores suíços, é possível teletransportar cerca de 10 mil bits quânticos por segundo, sendo um bit quântico equivalente a uma unidade de informação quântica.

A próxima etapa da pesquisa é refazer o teletransporte entre distâncias maiores entre emissor e receptor, usando, do mesmo modo, chips eletrônicos. No longo prazo, o objetivo será analisar se a comunicação quântica pode ser feita em distâncias mais longas com circuitos eletrônicos, mas comparáveis aos resultados que já são obtidos atualmente com sistemas ópticos.

Com informações do Phys.org

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