Governo diz que mudanças na política de conteúdo local são irreversíveis

Foto: Geraldo Falcão/ Agência Petrobras
 
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Jornal GGN – Na última semana, a Frente Parlamentar da Indústria de Máquinas e Equipamentos (FPMaq) se reuniu com Fernando Coelho Bezerra Filho, ministro de Minas e Energia, na tentativa de convencer o governo a manter a política de conteúdo nacional para o setor de óleo e gás.
 
De acordo com a frente parlamentar, Bezerra Filho tratou as alterações realizadas pelo governo na política de subsídios para a indústria nacional como irreversível. No final de fevereiro, o governo federal definiu novas regras para a política de conteúdo local, com uma redução média de 50% na exigência de equipamentos e serviços produzidos no país.

 
O deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), presidente da frente parlamentar, criticou a falta de visão do Planalto. “O Brasil vai jogar fora toda uma estrutura de alta tecnologia, levando ao colapso do setor e transferindo investimentos e empregos para o exterior. O setor estima que isso pode levar à demissão de mais um milhão de trabalhadores”, afirmou. 
 
José Velloso, o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), também criticou a decisão da gestão de Michel Temer. Para Velloso, o governo não tem interesse em manter a indústria de alta tecnologia criada para atender a Petrobras nos últimos 50 anos. 
 
“Estão optando por um modelo adotado por Venezuela, Nigéria e Angola, países altamente produtores, mas sem uma cadeia forte. Ou seja, quando acabar o Petróleo, acabou a riqueza”, afirmou o presidente da ABIMAQ, que diz que estratégia é perversa, já que a população brasileira vai subsidiar empresas estrangeiras. 
 
Velloso cita o Reino Unido e a Noruega como países que investiram em seu próprio parque industrial para atender à expansão da produção petrolífera.  “Após a queda na produção petrolífera, esses países passaram a vender máquinas e equipamentos para o mundo inteiro. Houve o nascimento de um novo setor industrial”. 
 
Na reunião com o ministro, a frente parlamentar também falaram sobre as assimetrias causadas pelo Repetro, que isenta a aquisição de bens e investimentos feitos por companhias petrolíferas estrangeiras.
 
Esse é o maior subsídio que existe no Brasil. Ele desonera totalmente o bem importado. A companhia de petróleo vem para cá, importa máquinas e equipamentos, não pagam impostos de importação, PIS, Cofins, ICMS, nada”, criticou Velloso.
 
“Já nós ficamos com todos esses impostos e não conseguimos nos debitar. Onera-se mais o nacional do que o importado. É uma política nacional às avessas”, disse o dirigente. 
 
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7 comentários

  1. “O deputado Jerônimo Goergen

    “O deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), presidente da frente parlamentar, criticou a falta de visão do Planalto.”

     

    O sr. Goergen deveria estar contente, já que o SEU partido apoiou o golpe do começo ao fim. 

    Agora, esses canalhas estão percebendo que é no bolso deles que irá doer. 

  2. 30 a 40 %

       É verdade que tal politica de “conteudo local ” tornou tanto as plataformas, FPSOs e navios, quando montados no Brasil, de 30 a 40 % ( global cost ), quando comparados a similares montados externamente, situação até lógica para este setor, pois desde Sarney e Collor, nada tinhamos, portanto para remontar esta industria, investimentos deveriam e foram, em parte, realizados, e este custo inicial – remontagem da industria de construção naval e “offshore” – incidiria sobre o custo final destes implementos.

        Trata-se de uma situação comum neste tipo de negócio de longo prazo de maturação, perfeitamente intelegivel para quem é do ramo, formar uma cadeia, mesmo que simples, exige investimentos pesados no inicio, é um programa de Estado, criar um setor de cadeia longa, fomentar alem de fornecedores, mão de obra compativel as necessidades, tanto as presentes quanto as futuras, e na macroeconomia do negócio ” oleo & gás “, estes itens logisticos devem ser computados no custo global, tipo assim, no básico :  preço do barril x insumos. – quando só observado pela ótica da Petrobrás.

         Mas outra parte tambem deve ser observada e calculada, o retorno futuro desta industria é o que importa enquanto politica de Estado, não apenas quanto a manutenção de empregos e a evolução tecnica destes, agregando valor a economia, mas a possibilidade de futuras exportações, não de “plataformas/navios”, mas de tecnologia ( como fizeram britanicos e noruegueses), então somente analisar casos assim por uma ótica imediatista, gera perda futura.

         Sempre fui critico desta politica de conteudo nacional, não dela em si, mas de como foi negociada, em certo sentido ideologicamente, para geração de empregos básicos, em detrimento da obrigação de transferencias de tecnologias, afinal é facil montar “navios & plataformas” – é só seguir a planta e enviar para soldadores – só que se a Petrobrás foi durante tempos a maior compradora destes insumos ( navios/plataformas), uma politica de Estado ( a petrobrás é uma estatal ) coerente para o “futuro”, deveria ter negociado melhor, exigindo indices de nacionalização – fabricas aqui no Brasil – nos itens mais tecnológicos ( motores, radares, softwares, guindastes, linhas de controle e vazão, turbinas…. ), mas não o fez.

           Outro problema, e a ABIMAQ sabia dele, é que alterar as “tabelas/coeficientes” do que significa “conteudo nacional”, era facilimo, bastava uma modificação do percentual de itens, e caso o governo fosse “alterado/golpeado” levando a uma mudança na ANP/REPETRO/Petrobrás, conseguir “waivers”, tanto presentes como passados e futuros, seria “docinho”

           

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