O silêncio das autoridades brasileiras no caso Ghosn, por José Luiz Alqueres

‘Estamos assistindo quietos a tentativa de humilhação de um dos mais respeitados executivos da indústria automobilística mundial’
 
Foto: Divulgação
 
Jornal GGN – “Trata-se de uma guerra suja” a prisão de Carlos Ghosn, o executivo que fez história na indústria automobilística mundial, preso no Japão desde novembro passado, sob a acusação de ter ocultado parte de sua renda como presidente do grupo Nissan. A avaliação é de José Luiz Alqueres, ex-presidente da Câmara de Comércio França-Brasil e da Associação Comercial do Rio de Janeiro.
 
Ele entende que a prisão do executivo franco-brasileiro-libanês está envolta em muitas dúvidas, apontando para a tese de um ambiente cada vez menos “anti-internacionalista” e o retorno a ideia de economias fechadas e intolerantes à globalização. 
 
Em artigo publicado nesta quarta-feira (23), na Folha de S.Paulo, Alqueres afirma que as acusações contra Ghosn são “vagas”. O executivo teria levado a “algum tipo de imposição de prejuízos à companhia” em benefício próprio. Ghosn nega as acusações. As datas das supostas movimentações são variadas, algumas não poderiam ser reunidas no inquérito porque estariam prescritas como crime. 
 
“Será que as alegadas dúvidas a respeito de tributos sobre o salário, em contas auditadas pelos maiores auditores independentes do mundo e aprovadas pelos comitês de auditoria da Renault e da Nissan, justificam isso? Que “Estado de Direito” é este?”, questiona Alqueres, pontuando que o responsável pela acusação contra Ghosn tomou seu lugar como presidente da Nissan. 
 
O ex-porta voz da Câmara de Comércio França-Brasil destaca que Ghosn se tornou um dos mais respeitados executivos mundiais do setor automobilístico. Sua atuação na indústria determinou a criação de milhares de empregos na França, Japão, Brasil e outros países. Ghosn detém, ainda, uma das mais altas formações acadêmicas da França, e esteve sob os holofotes pelo bom desempenho de sua carreira nos últimos 20 anos. 
 
No final dos anos 1990, ele foi designado pela Renault para comandar a Nissan, quase falida. A francesa havia adquirido 40% da empresa japonesa. “Ghosn introduziu na Nissan o mérito, a participação nos resultados e o afastamento dos incompetentes num sistema até então de carreiras perpétuas na mesma empresa, de lealdades para o bem e para o mal”, relembra Alqueres, destacando o feito mais recente de Ghosn: colocar para dentro da aliança das companhias a Mitsubishi.
 
Sob a administração do franco-brasileiro-libanês, a Nissan voltou a ser destaque no mercado produzindo lucros que ultrapassaram os da própria Renault. Hoje a montadora tem o carro elétrico mais vendido do mundo. No Brasil, não foi diferente, Ghosn iniciou uma nova etapa da Renault-Nissan, contribuindo na geração de empregos. 
 
Alqueres acusa o processo japonês de impor condições análogas à tortura para forçar o executivo a fazer confissões de crimes que não cometeu. Sua prisão é temporária. Inicialmente deveria ter sido solto em dezembro, mas a justiça do Japão prorrogou o tempo.  
 
“Não se quer nada além de um processo justo e transparente. Estamos assistindo quietos a uma tentativa de humilhação e de dobrar o ânimo de um homem de qualidade que, extremamente abatido, já perdeu dez quilos desde novembro”, pontua Alqueres.
 
O empresário chama à atenção das autoridades brasileiras para fazer o mesmo que as autoridades francesas, que estão se movendo em apoio a Ghosn. “No fundo, trata-se de uma guerra suja, num mundo que, dessa forma, vai se fechando à globalização’, conclui. Para ler seu artigo na íntegra, clique aqui. 
 

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3 comentários

  1. “O mundo se fecha à

    “O mundo se fecha à globalização” é eufemismo para “nós, da iniciativa privada presente quase no mundo todo, estamos trabalhando para que só nós tenhamos poder sobre o dólar”. É que depois do tranco que estão levando da China, esses empresários estão apavorados. Investiram lá, sob permissão chinesa, e não conseguiram desmontar o estado que, por sua vez, segue democraticamente protegendo seus cidadãos e sua soberania. Isso, do estado proteger seus cidadãos, em regimes democráticos do tipo “povo e estado são uma coisa só”, é normal, é essa a vocação do estado, mesmo.

  2. Bom lembrar que quando ele

    Bom lembrar que quando ele era presidente da Renault francesa houve uma série de suicídios de trabalhadores da empresa.

    Não acredito em karma, mas… Foi alguém que levou muito sofrimento para muita gente.

  3. “Curioso. A descrição das
    “Curioso. A descrição das possíveis chicanas da justiça japonesa,o tratamento dispensado ao excelso executivo,pressão/tortura psicológica,indícios de arbítrio,lembram um importante preso brasileiro,com projeção internacional e autor de feitos que beneficiaram duzentos milhões de cidadãos e elevaram o nome da marca a niveis jamais testemunhados. Lembre-se,disso também, Alqueres.

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