País precisa organizar gestão para não perder avanços sociais, diz Ricardo Paes de Barros

Jornal GGN – Para Ricardo Paes de Barros, um dos principais especialistas da pesquisa em desigualdade social, o país teve avanços  “fantásticos” na área social na última década , mas corre o risco de perder tais avanços se não organizar sua gestão política e econômica.

Em entrevista para o Valor, Paes de Barros classifica o planejamento do ajuste fiscal como “tosco”, dizendo que faltam prioridades claras sobre o que deve ser cortado, tornando difícil prever o que acontecerá com a parte mais pobre da população. Ele também diz que é possível ajustar as contas públicas sem prejudicar os avanços sociais.  

Do Valor

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por Lígia Guimarães

Os avanços sociais do Brasil na última década foram “fantásticos”, mas estão incompletos e o país, que ainda é muito desigual, corre risco de perdê-­los se não organizar a gestão política e econômica. Esta é a visão de Ricardo Paes de Barros, considerado um dos principais especialistas da pesquisa em desigualdade social e pobreza no país e no mundo.

Ele classifica como “tosco” o planejamento do ajuste fiscal e diz que a falta de prioridades claras sobre o que deve ser poupado nos cortes torna mais difícil prever o que acontecerá com a parcela mais pobre da população durante a crise. Diz que, dado que ainda existe muita desigualdade, seria possível ajustar as contas públicas sem comprometer os ganhos sociais obtidos nos últimos 15 anos. “O Fies tem um monte de problemas, mas você corta o Fies do cara pobre e mantém universidade gratuita para o cara rico?”, questiona.

Quando ‘PB’, como é mais conhecido entre amigos e nos meios acadêmicos, fala sobre a realidade social do Brasil, correntes ideológicas e econômicas diversas param para ouvi­lo. Seu abrangente currículo inclui longa carreira no setor público, a maior parte do tempo no Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), a formulação de programas sociais de governos petistas e tucanos ­ entre eles, o Bolsa Família­ e tem como base uma formação liberal em centros de excelência como as universidades de Yale e Chicago, onde fez doutorado em economia.

Em março deste ano, deixou o cargo de subsecretário de Ações Estratégicas da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, que ocupou entre 2011 e 2015, e assumiu a Cátedra Instituto Ayrton Senna, no Insper, que tem foco em políticas públicas em educação. O pesquisador também se dedica a áreas como produtividade do trabalho, demografia, renda e desemprego.

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