A briga de foice do PSDB

Coluna Econômica – 11/10/2006

A candidatura Geraldo Alckmin nunca foi vista como uma realidade palpável pela PSDB. À medida que vai ganhando musculatura, deflagrou uma disputa explícita entre as duas alas de economistas do partido: aquela ligada à chamada ala neoliberal; e a que se convencionou chamar de desenvolvimentista.

O economista do coração de Alckmin chama-se Yoshiaki Nakano. Foi um dos pioneiros dos estudos sobre inflação inercial nos anos 80. No governo Mário Covas, coube a ele o trabalho de recuperação das finanças do estado de São Paulo.

Nos últimos anos, ao lado de Delfim Netto, Nakano se converteu no mais consistente crítico do modelo de juros altos e câmbio baixo (dólar desvalorizado), praticado pela gestão Pedro Malan e continuado por Antonio Palocci.

Sua receita para a economia é um forte ajuste fiscal (permitindo equilibrar o superávit nominal, incluindo pagamento de juros), uma queda automática da taxa de juros e, como conseqüência, uma forte desvalorização cambial.

Sua estratégia para o equilíbrio fiscal passa longe das simplificações de boca de caixa de Malan, Palocci e Paulo Bernardes. Na gestão Covas, Nakano percebeu que ajuste fiscal virtuoso se obtém entrando nas entranhas do orçamento público, racionalizando despesas, monitorando contratos, definindo regras claras para as compras públicas.

Nakano montou um detalhado acompanhamento das despesas de cada secretaria. Depois, procedeu a um corte linear de 30% nas despesas correntes. À medida que cada Secretário aparecia para reclamar, ele se dispunha a analisar as contas em conjunto. Mostrava como remanejar verbas de projetos menos prioritários, como economizar em contratos. Quando percebia que as reclamações do Secretário procediam, tratava de suplementar os recursos.

Como conseqüência, após um ou dois anos de pauleira, o orçamento de São Paulo ficou engraxado. No final do ano faziam-se as previsões de liberação e, no decorrer do ano cada Secretaria tinha a garantia de que no dia marcado haveria a liberação de recursos conforme o acertado. Os desequilíbrios orçamentários deste ano não podem obviamente ser debitados a ele – que deixou o governo há muitos anos.

As pressões contra Nakano já começaram. Na semana passada, em seminário na PUC-RJ, Malan, por conta própria, indicou dois candidatos a Ministro da Fazenda: Rogério Werneck e Amaury Beer, atitude pouca polida para um ex-Ministro e quadro do partido.

Ontem, o ex-Diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central da atual gestão, Alexandre Schwartsman atacou duramente Nakano, com o comportamento grosseiro de segundo escalão de torcida organizada. Alexandre é do tipo que, na economia, se convencionou batizar de “o detalhista de irrelevâncias”. É o economista que conhece o detalhe do detalhe da irrelevância, e é incapaz de identificar os fatores essenciais. Mas, nesse processo auto-referenciado do mercado, acaba se imbuindo da arrogância típica das mentes limitadas.

A guerra começa em um momento em que Alckmin cresce mas sequer se tornou o favorito para o segundo turno.

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