A democracia e o contraditório

Andei liberando algumas mensagens com ofensas contra o PT e o PSDB, para dar idéia do clima de exacerbação que toma conta de parte da opinião pública em períodos eleitorais.

Nos últimos tempos, uma campanha radicalizada da mídia rachou o país em dois – e nenhuma das faces da moeda é agradável. É evidente que nem tudo o que o governo Lula fez é ruim; como nem tudo que o governo FHC fez é descartável. Há avanços em cada governo e há retrocessos. O que de pior pode acontecer com a análise é embarcar no maquineismo do branco-preto, de achar que se está do lado justo e na outra ponta existem “quadrilheiros”, como fazem alguns dos comentaristas do blog.

O governo FHC avançou no enquadramento fiscal dos estados, na Lei de Responsabilidade Fiscal, na profissionalização do serviço público, na montagem das agências reguladoras, no início de uma nova natureza de políticas sociais, no início do processo de inovação, na política de saúde. E fracassou ao interromper a reforma administrativa, ao permitir a formação de uma dívida interna sufocante, ao não dispor de um projeto adequado de país, ao não cuidar da infra-estrutura e do desenvolvimento.

O governo Lula avançou ao aprofundar as políticas sociais, ao preservar parte do sistema de inovação, ao avançar substancialmente na busca do mercado externo, ao implantar uma liderança diplomática brasileira entre os países emergentes. E fracassou rotundamente ao permitir o aparelhamento da máquina pública, ao desmontar o sistema de agências reguladoras, ao retroceder na questão administrativa, ao aumentar substancialmente a dívida pública, não cuidar da infra-estrutura e do desenvolvimento.

A rigor, os dois têm méritos e defeitos. Mas nenhum dos dois dispõe da qualidade essencial do estadista: a vontade de mudar o país, de abrir novos caminhos, de despertar o sentimento de desenvolvimento.

Ambos foram extremamente pragmáticos em assegurar a governabilidade, em um país difícil de governar. Mas não colocaram a governabilidade a serviço de um projeto de nação.

Por isso, nada mais igual do que FHC e Lula no poder; e nada mais igual do que o PT e o PSDB na oposição.

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