A economia da coca

O renascimento das FARC (Forças Armadas Revolucionárias Colombianas) tem um histórico curioso, relatado pelo senador colombiano Rafael Pardo no seminário “Terceiro Foro Sul-Americano”, promovido pelo IUPERJ, no Rio de Janeiro.

Até 1994 havia uma estrutura de especializações na coca. 90% da coca e da pasta de coca eram produzidos no Peru e na Colômbia. O refino ficava na Colômbia, que respondia por 90% da produção total e 90% do que entrava no mercado americano. Esse predomínio dos cartéis colombianos prosseguiu até 1995.

Aí teve início uma interferência direta dos Estados Unidos na região. Os cartéis colombianos foram varridos do mercado americano. Em seu lugar entraram novos cartéis, surgidos no México.

Por conta dessas pressões, mudou a geografia da coca e a Colômbia passou a cultivar coca no sul do país. O plantio chegou a ocupar 250 mil hectares. Só que o cultivo da coca determinou a necessidade do controle territorial. A ascensão dos grupos paramilitares contribuiu para o acirramento da guerra interna. O país experimentou deslocamentos populacionais enormes.

O acordo com os EUA permitiu aparelhar o exército colombiano. Foram doados 60 helicópteros e treinados trinta batalhões. As estatísticas indicaram que a área plantada havia se reduzido para 60 mil hectares e, nos últimos tempos, para 50 mil.

Aí a velha economia entrou em cena. Não se via aumento do cultivo dos países vizinhos. O controle da oferta deveria levara um aumento do preço. Mas não havia nenhuma indicação de queda nas cotações no mercado americano, ao contrário

No ano passado um satélite americano vasculhou a região e descobriu erros de medição. A área plantada está em 85 mil hectares, não nos 50 mil. E as últimas medições indicam que a produção continua nas mesmas 800 toneladas/ano.

Donde se conclui que não é apenas a Embrapa que desenvolveu tecnologias agrícolas tropicais eficientes.

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