A matemática da planilha

Em seu artigo no “Valor” de hoje (clique aqui) o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyolla, mostra a mais uma vez insustentável leveza da planilha.

O artigo é sobre o “spread” bancário e traz um conjunto de informações úteis. No final, Loyolla comete essa comparação:

“O jornal “Estado de São Paulo” (13/08/2006), por exemplo, publicou tabela mostrando a rentabilidade média do patrimônio dos bancos em oito países, entre os quais o Brasil, da qual concluiu que “só na Suíça os bancos têm rentabilidade maior que no Brasil”. Ora, considerando-se o conceito de uso alternativo do dinheiro dos acionistas, observa-se que a rentabilidade dos bancos brasileiros em excesso à taxa básica da economia é a menor entre os oito países apontados e não a maior. No Brasil, por exemplo, os bancos auferiram uma rentabilidade de 4,67% ao ano sobre a taxa Selic, enquanto nos EUA os bancos ganharam em média 8,96% ao ano sobre a taxa dos “FED funds””.

É um absurdo estatístico. Vamos à leitura correta dos números. Os bancos captam pelas mais altas taxas básicas de juros do planeta. Aplicam, remuneram a captação. Depois, da sua receita descontam o que pagaram aos investidores, impostos, despesas operacionais conseguem uma rentabilidade de mais de 20% sobre seu patrimônio.

Aí Gustavo comete o prodígio de descontar pela segunda vez a taxa básica — que já foi descontada quando se calculou a rentabilidade da instiutiçao. Ou seja, mesmo pagando as mais altas taxas de captação do planeta, descontadas essas taxas e todos os impostos, os bancos brasileiros conseguem em bloco uma rentabilidade 4,67% superior à maior taxa básica do planeta.

Já que é assim tão arbitrário, porque Gustavo não deflaciona três vezes a receita bancária? Assim, a rentabilidade conseguirá até ficar negativa.

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