A moeda digital chinesa contra o dólar, por Luis Nassif

Há apenas sinalizações de abrir a conta de capital e reduzir as intervenções no câmbio. Mas, na prática, não é isso o que ocorre. Além disso, a capacidade de intervenção do governo chinês não anima os investidores a entesourarem a moeda digital.

Desde o advento da era dólar, pela primeira vez surge um contendor à altura: o renminbi, a moeda chinesa. O esforço da China é transformá-la em moeda de pagamento internacional. É ajudado pelo robusto comércio internacional da China, que se transformou em motor do comércio mundial na última década.

Em 2016, o Fundo Monetário Internacional incluiu o renminbi na cesta de moeda que determina o valor dos Direitos de Saque Especiais, a moeda do FMI. Mais de 70 bancos centrais em todo mundo adquiriram renminbi para suas reservas.

NO ano passado, acordos internacionais com o renminbi atingiram recorde de US$ 2,83 trilhões, 24,1% de crescimento no ano. Hoje em dia responde por 2% dos pagamentos internacionais e se estabilizou em 2% na participação das reservas internacionais dos Bancos Centrais.

Agora, a China aposta na moeda digital, chamada de Moeda Digital / Pagamento Eletrônico (DCEP). O país começou os testes em quatro cidades e em breve estenderá para Pequim, Tiajin, Hong Kong e Macau.

Segundo Eswar Prasad, membro sênior da Brookings Institution, Think tank do Partido Democrata, o fato de China ter ultrapassado os Estados Unidos nos sistemas de pagamento de varejo, pode ser uma vantagem.

Além disso, a nova fase da moeda digital, o Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços, lançado em 2015, facilita o uso da moeda em transações internacionais.

Importante: esse sistema permite contornar o sistema SWIFT, por onde passam todos os pagamentos internacionais, e que sofre grande influência política dos Estados Unidos. Por isso,Rússia, Irã e Venezuela tendem a adotar o renminbi, nas exportações de petróleo para a China. E a China está estimulando traders estrangeiros de minério de ferro e outras commodities.

A vinculação do DCEP com o Sistema Transfronteiriço é um trunfo a mais, facilitando a digitalização dos pagamentos internacionais.

Se poderá crescer como instrumento de trocas, há dúvida do seu uso como moeda de reserva. Isso porque a China controla entradas e saídas de capital e a taxa de câmbio é administrada pelo Banco Popular da China.

Há apenas sinalizações de abrir a conta de capital e reduzir as intervenções no câmbio. Mas, na prática, não é isso o que ocorre. Além disso, a capacidade de intervenção do governo chinês não anima os investidores a entesourarem a moeda digital.

Em evento recente, Jin Zhongxia, diretor executivo do FMI para a China sugeriu ao país desenvolver produtos de câmbio futuro e controle maior sobre a oferta de moeda e a dívida externa.

Por tudo isso, é duvidoso que, no médio prazo, o dólar venha a perder sua condição de principal moeda de reserva do mundo.

De qualquer modo, as facilidades da digitalização permitem descobrir novas funções para a moeda digital. Recentemente, o Escritório Geral do Comitê Central do Partido Comunista da China publicou um documento político orientando os departamentos regionais sobre a reforma do sistema de assistência social na China e o uso das moedas digitais., entro do espírito da ‘abordagem centrada nas pessoas’, do 19o Congresso Nacional do Partido.

Há um esforço de universalização da conectividade e digitalização dos sistemas de seguridade social. O projeto é usar a tecnologia digital do blockchain, inteligência artificial, bigdata e 5G na assistência social.

Papel central é a Huawei, desenvolvendo com o governo municipal de Pequim um diretório de blockchain para governança urbana, dentro do conceito de cidade inteligente.

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