A ocupação da Amazônia – 1

Coluna Econômica – 14/03/2007

Está na hora de desmistificar essa questão da ocupação da Amazônia. Nas últimas décadas houve uma mistura algo confusa entre preservação e desenvolvimento zero, descartando a ocupação racional do solo. Com isso, nem se desenvolve nem se preserva, deixando a floresta à mercê de madeireiros ou garimpeiros inescrupulosos.

Desde Chico Mendes rompeu-se o mito da impossibilidade de casar exploração racional e respeito ao meio-ambiente, desenvolvimento zero e preservação ambiental.

Além disso, o avanço da interdependência mundial, e das questões ambientais, tornam a internacionalização da Amazônia um risco mais concreto do que as visões conspiratórias de outros tempos. Principalmente se não houver um plano coerente, ecologicamente responsável, de ocupação do território.

Não se está falando de pouca coisa. Segundo recente Ciclo de Estudos sobre a Amazônia, organizado pela Secretaria de Acompanhamento e Estudos Institucionais, a Amazônia corresponde a 1/20 da superfície do planeta e 2/5 da América do Sul. A Amazônia sul-americana tem 1/5 da disponibilidade de água doce do mundo, 1/3 das reservas mundiais de florestas latifoliadas. Mais de 63% da Amazônia Sul-Americana estão sob soberania brasileira. O que torna o Brasil o país de maior biodiversidade do planeta.

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Ponto relevante dos diagnósticos é que, ao contrário do que se propaga, a Amazônia não é um espaço vazio. No último censo tinha 20 milhões de habitantes, 70% dos quais nas cidades.

Nos últimos anos, o Brasil passou a responder adequadamente aos desafios mundiais em relação à região, com os projetos SIVAM/SIPAM, políticas de integração física com outros países e a revitalização do Tratado de Cooperação Amazônica, convertido em Organização do Tratado de Cooperação Amazônica.

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Mas não basta. Nos últimos anos ocorreram mudanças políticas relevantes na região, obrigando a se pensar estrategicamente sua integração.

Segundo análises de Francisco Carlos Teixeira da Silva, professor titular de História Contemporânea da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), as últimas eleições mudaram o mapa política da região.

Na Bolívia, as eleições para a Assembléia Nacional Constituinte provocaram maior equilíbrio nas relações internas, reduzindo a formidável força de Evo Morales, que havia conquistado 70% dos votos nacionais. Nenhum partido sozinho conseguiu 2/3 das cadeiras, obrigando todos a negociar.

Na Colômbia, a vitória de Álvaro Uribe abriu possibilidade de negociação direta com as FARC (Forças Armadas Colombianas), esvaziando os riscos de militarização na fronteira norte. Com a vitória de Alan Garcia, no Peru, foram estabelecidos limites à atuação política de Hugo Chaves, da Venezuela.

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O novo fato no continente é a reformatação econômica, com as três maiores economias – Argentina, Brasil e Venezuela—associando-se com economias extra-regionais – México, Angola e África do Sul.

Com o Mercosul ampliado pela Venezuela, um dos grandes desafios geopolíticos brasileiros será avançar na integração da região, inclusive como forma de enfrentar a concorrência chinesa.

Sobre isso falaremos na próxima coluna.

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