A produção industrial em janeiro

Do Estadão

Produção industrial cresce após duas quedas 

Alta é de 0,2% em janeiro em comparação a dezsembro e de 2,5% em relação a janeiro de 2010 

03 de março de 2011 | 0h 00 

Alessandra Saraiva – O Estado de S.Paulo 

Após dois meses em queda, a produção industrial brasileira voltou a subir em janeiro, com alta de 0,2% em relação a dezembro. Na comparação com janeiro de 2010, cresceu 2,5%. O resultado surpreendeu a maioria dos especialistas.

Analistas ouvidos pelo serviço AE Projeções, da Agência Estado, previam um recuo, em média, de 0,5% em relação a dezembro. Eles também projetavam um crescimento, em média, de 1,4% ante janeiro de 2010.

Parte do desempenho positivo se deve ao fim do período de férias coletivas, especialmente de fabricantes de bens duráveis, como celulares. Mesmo sem levar em conta o retorno das férias coletivas, o resultado aponta ritmo de crescimento moderado na atividade, na avaliação de técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

ImporImportados. Um dos fatores que vêm impedindo um comportamento mais vigoroso da indústria é a forte concorrência dos importados. A relação cambial dos últimos meses, que tornou mais acessíveis bens de consumo com preços dolarizados, provocou grandes recuos nas produções das indústrias têxtil (-14,7%) e de eletrodomésticos (-5,9%) ante janeiro de 2010.

Além disso, as medidas de restrição ao crédito de longo prazo, anunciadas pelo governo no fim de 2010, ajudaram a frear a produção de veículos em janeiro (-3,2% ante dezembro). Resultado que não deve indicar tendência, a julgar pelas estatísticas da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), que mostram aumento de vendas de 12% em fevereiro em relação a janeiro, e de 19,5% ante fevereiro de 2010.

O economista da coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo, classificou como positivo o resultado da indústria de janeiro, mas com reservas. “Tivemos variação positiva, e isso é um resultado importante. Mas isso não muda a avaliação que temos de menor dinamismo da indústria, e não elimina por completo a queda dos dois meses imediatamente anteriores.”

Macedo lembrou a trajetória recente da atividade industrial, com queda de 0,1% em novembro e novo recuo em dezembro, de 0,8%, em relação aos meses imediatamente anteriores. Sem fazer previsões, admitiu que há fatores este ano que podem reduzir o nível da indústria, entre eles a enxurrada de importados no mercado doméstico e o desestímulo ao avanço do crédito.

Bens duráveis. Mas, pelo menos em janeiro, a indústria de bens duráveis, que inclui eletrodomésticos, ajudou a manter positivo o desempenho industrial. O salto desse segmento em relação a dezembro foi de 6%, semelhante ao avanço ante janeiro de 2010, de 6,1%.

A expansão de 25,8% na produção de celulares em janeiro ante dezembro beneficiou o resultado, diz o consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) Rogério Souza. “Mas o crescimento na margem da produção industrial ainda é muito tímido”, advertiu.

Um avanço mais tímido na atividade industrial este ano é aguardado pelo analista da consultoria Tendências Rafael Bacciotti, que estima alta de 2,7% na produção em 2011. Se confirmado, será um resultado muito menor do que o avanço recorde de 10,4% em 2010 ante 2009.

De acordo com Bacciotti, 2011 deve mostrar crescimento menos intenso da produção nacional, bem como uma continuidade do ciclo de alta dos juros. 

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