A Vale, o mercado e o curto prazo

As agências de risco Fitch e Moody’s decidiram colocar sob observação a classificação da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) após o anúncio de que pretende adquirir a canadense Inço (maior produtora de níquel do mundo) por US$ 18 bilhões.

É mais um sinal de como o curto prazo das agências de risco não enxerga o longo prazo. Com a aquisição, a Vale se tornará a segunda maior mineradora do mundo, líder de produção em uma vasta gama de produtos. No curto prazo, aumentará seu endividamento em moeda estrangeira de US$ 5,9 bi para US$ 25,6 bi.

Não tenho elementos para avaliar estrategicamente esse lance da companhia. Mas fiquemos no exemplo da Embraer. Após a privatização, houve investimento maciço em pesquisa e desenvolvimento. Se não tivesse havido, certamente as avaliações das agências de risco sobre a companhia teriam sido muito melhores nos primeiros anos. Mas o futuro estaria comprometido.

É por isso que a obsessão por agregar valor de mercado às companhias pode ser boa – no sentido de trabalhar de olho nos resultados –, mas pode ser fatal, se o curto prazo engole o futuro.

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