AEPET: Uma estratégia para o Brasil, um plano para a Petrobrás

Enviado por Almeida

Palestra apresentada em 08/09/2015, no Seminário Uma estratégia para o Brasil, um plano para a Petrobrás, realizado no Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro, por Felipe Coutinho, presidente da AEPET – Associação dos Engenheiros da Petrobrás.

São apresentadas informações realistas da situação, em que se encontra a produção mundial de petróleo, sem as fantasias otimistas das propagandas de organismos governamentais e das megacorporações privadas petroleiras. Vivemos a era do petróleo difícil e caro. O petróleo convencional, obtido por tenologias mais simples e barata, está em fase de declínio. Para manter a atual nível de produção quase estagnado, estamos explorando as últimas fronteiras dos recursos petrolíferos da Terra: as areias betuminosas do Canadá, os óleos extrapesados da Venezuela, os óleos leves de rocha compacta no EUA, o petróleo de águas ultraprofundas no Atlântico e agora foi liberado, pelo presidente americano, a exploração de petróleo polar do Ártico. Todas essas formas não-convencionais de petróleo, além de caras e de elevados riscos ambientais, são de menor eficiência energética líquida em relação ao petróleo convencional.

Não se está falando em fim imediato do petróleo, mas do iminente declínio do volume extraído da natureza. Não há no horizonte substitutos comerciais para o petróleo, tanto como fonte de matéria prima, quanto pelas suas qualidades energéticas, como fonte de alta densidade de energia e versatilidade insubstituível. A economia com o petróleo em declínio será uma economia em decrescimento, temos que mudar os paradigmas que orientam a economia e a sociedade, após o auge extrativo do petróleo. As questões apresentadas pelo presidente da AEPET remetem à necessidade de repensar, toda estratégia em torno do uso da energia e do petróleo como sua principal fonte; é preciso usar a produção remanescente, para preparar a transição da sociedade pós-petróleo, não abrir de nossa empresa pública no setor, fazê-la um instrumento efetivo da transição energética, torná-la mais transparente e sujeita ao controle popular e obrigações republicanas. O mundo sem petróleo não será o fim do mundo, será o fim do mundo tal como o conhecemos.

Assista a palestra no vídeo abaixo e Clique aqui para obter os slides.

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9 comentários

  1. Tá fraquinha a exposição.

    Esperava mais de um presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras!

    A palestra foi extensa e sem um rumo pré-definido. Faltou uma ênfase, por exemplo, nas características do petróleo como uma commoditie especial da qual todas as demais dependem dele. Faltou uma explanação melhor do EROI como uma forma de comparação de energias. Faltou uma ênfase na falta de novas descobertas e uma visão mais completa do “Thight oil”, inclusive uma análise levando em conta o EROI deste.

    Insisto no EROI, pois a maioria das pessoas olham os custos de extração do petróleo, tanto este como as demais fontes de energia, esquecendo que para a energia não adianta o aproveitamento de qualquer fonte desta se a energia extraída é próxima a energia consumida não interessa o preço da extração, pois este influencia na própria sustentabilidade do recurso.

    Parece uma palestra que não definiu qual é a posição do palestrante, pois não adota uma linha básica de raciocínio.

    O mais incrível que para alguém como eu, que estou completamente a margem do processo produtivo, não retirei NENHUM DADO NOVO de toda a palestra.

    • Maestri, o pessoal está

      Maestri, o pessoal está completamente perdido em torno da Petrobras, parece que ninguem sabe o que fazer.

      A dívida aumentou mais de 70 bilhões nos ultimos meses, só com o aumento do dólar.

      E ela ainda está importando derivados e provavelmente tendo prejuizo nestas operações.

      A falta de transparência, a falta de rumo é muito grande.

      • A dívida não é um problema, avaliações erradas estas são.

        O petróleo TEM QUE SUBIR simplesmente porque as gordurinhas das principais empresas de petróleo do mundo estão acabando e projetos ambiciosos, como a procura de petróleo no Ártico, só poderão ser feitos com petróleo acima de 60US$ o barril, logo se a Petrobás consegue vencer seus compromissos por mais um ano ela sai até fortalecida da crise.

        Na apresentação é mostrada com pouca ênfase a falta de descoberta de novas jazidas como a do pré-sal, e empresas como a Exxon-Mobil, Shell, PB e outras necessitam de capital para a exploração de novas regiões, logo o endividamento da Petrobras é um problema mas NÃO É O PROBLEMA!

        • Claro que a dívida é um

          Claro que a dívida é um problema pois paga-se juros sobre ela, quanto maior, mais juros.

          Isso consome caixa e deixa-se de investir.

          É justamente por isso que a Petro está tendo que vender ativos na bacia das almas neste momento.

          Impressionante como as pessoas não entendem que uma empresa tem que cuidar bem também de sua parte financeira e não apenas da operação principal.

          A grande maioria das empresas quebram no financeiro e não no operacional e na falta de vendas, que nunca ocorrerá na Petro. Mesmo no financeiro está longe de acontecer, evidentemente, mas é a parte mais crítica da empresa, sem dúvida.

    • ERoI

      Caro Maestri,

      Gentileza consultar os slides 38, 118 e 119 da apresentação disponível aqui: http://www.aepet.org.br/uploads/paginas/uploads/File/Seminario/petroleo-ao-valor-excedente-pela-petrobras.pdf

      Deviso ao tempo disponível de 2 horas, e também à complexidade do tema, não pude detalhar a questão da Energia Recuperada em relação a Energia Investida (termo ERoI em inglês). Ela é importante mas não suficiente para compreender a conjuntura da indústria do petróleo e sua relação com a economia mundial e brasileira.

      sds,

      Felipe Coutinho (presidente da AEPET)

  2. E onde estava essa Associação

    E onde estava essa Associação de Engenheiros quando a companhia foi desmontada por dentro? Quatro refinarias ao mesmo tempo, US$220 bilhões de investimentos em 3 anos, nem a Exxon, Shell, BP e Toral juntas tem capacidade para esse valor aberrante, alugueis estapafurdios, só um predio no Rio, a Torre Almirante paga 6 milhões de Reais por mês,

    a Transpetro com o Sergio Machado há 10 anos, a BR com o Collor, e cadê a APET?

  3. Prezado Felipe Coutinho.

    Foi muito rica sua síntese mostrada na palestra, sobre as questões sensíveis que envolvem o petróleo no mundo atual.

    Caminhamos para uma situação de iminente escassez mundial do petróleo, as novas descobertas relatadas não conseguem repor o volume consumido, grandes campos mais antigos operam em franco declínio extrativo. As novas fronteiras do petróleo são em áreas extremas, em águas profundas nos taludes continentais e a agora anunciada exploração em mares polares, que requerem tecnologias complexas e de alto risco, ou em projetos controversos de forte impacto ambiental, como o fracking e a exploração de areias betuminosas.

    Fico contente em ver a AEPET assumir publicamente o debate sobre o Pico do Petróleo, uma questão crucial para o destino da humanidade em nossos dias: o esgotamento da principal matéria prima que move o mundo da produção. Vejo a AEPET com massa crítica para liderar essa discussão no Brasil, quem sabe não venha constituir um núcleo da ASPO em nooso país? Fica a sugestão.

    Foram muito felizes seus comentários sobre a apologia das tecnologias, demonstrando todas limitações do otimismo tecnológico. O problema terá de ser encarado pelo primado da política, tecnologias nunca são neutras em uma sociedade de classes. Muito pertinentes em sua exposição, o exame que faz dos impactos sociais da crise do petróleo e a análise que apresentou das consequência econômicas, para a sociedade e em particular para a indústria do petróleo. A referência a Gail Tveberg também me é cara, deixo o endereço de sua página, para acompanhar suas análises: http://ourfiniteworld.com/

    O mundo presencia, neste começo do século, um nível de tensões geopolíticas e guerras que não se via, desde a retirada americana da Indochina, há quarenta anos, em plena Guerra Fria. A guerra no Afeganistão é o mais longo conflito, na longa história de guerras quase permanentes do EUA, ainda sem um horizonte para se retirar. No Iraque ainda não se retiraram de todo. Não há uma potência visivelmente desafiadora, por que guerreiam o EUA? As tensões giram onde o petróleo flui.

    Petróleo é geopolítica em barril. As guerras modernas são movidas a petróleo, como se moviam a cavalo no passado, e motivadas por petróleo, o sangue das sociedades contemporâneas. Os gringos são aditos em petróleo, confessou seu ex-presidente, daí ser importantíssima a menção aos apectos geopolíticos; um adito em crise de abstinência se comporta de forma irracional, predatória e agressiva.

    Obrigado por sua participação nos comentários desta postagem, meus parabéns por sua palestra e um abraço.

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