Ainda sobre o Relatório de Inflação – Junho/2010

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(…)As perspectivas para a inflação nos próximos meses devem refletir o desempenho robusto da demanda interna, em um cenário de expansão da economia doméstica ao longo do ano, bem como possíveis impactos da elevação dos preços de matérias primas e de mão-de-obra(…)

Banco  Central do Brasil-Relatório de Inflação – Junho/2010

http://www.bcb.gov.br/htms/relinf/direita.asp?idioma=P&ano=2010&acaoAno=ABRIR&mes=06&acaoMes=ABRIR&id=relinf201006

Sumário executivo   

………….o ponto de vista do balanço dos riscos relacionados às perspectivas de inflação, do lado doméstico,
o principal risco advém da possibilidade de que os valores efetivos e prospectivos da inflação permaneçam, de forma persistente, em níveis acima da meta, em virtude da crescente utilização dos fatores de produção e/ou da expansão da demanda doméstica.

Um risco adicional se origina na dinâmica das expectativas de inflação, que, de resto, mostraram alguma acomodação nas últimas semanas.

Do lado externo, os principais riscos estão vinculados aos possíveis desdobramentos da crise européia,
que ganhou uma dinâmica menos favorável desde a divulgação do último Relatório. Isso introduziu certa dose de cautela nas análises sobre o cenário prospectivo, haja vista que as incertezas que cercam esse processo também se avolumaram nesse período……………….

….1,Nível de atividade     .

…..1.6     Conclusão pg. 33/34

……A variação dos preços ao consumidor persiste em patamar elevado, apesar do esgotamento da contribuição associada ao reajuste anual das mensalidades escolares e do arrefecimento dos preços dos alimentos in natura edos monitorados.

A inflação associada aos preços livres, evidenciando, em especial, a pressão exercida pelos serviços, registrou aceleração na margem, em parte devido à elevação dos custos de mão-de-obra.

Pressões no âmbito dos preços ao consumidor deverão ser observadas, nos próximos meses, em virtude
do repasse de aumentos dos preços registrados no atacado.

Nesse cenário, em que as taxas de inflação acumuladas em doze meses seguem apresentando tendência crescente, há riscos de distanciamento da meta estabelecida pelo Conselho
Monetário Nacional (CMN)………

…..2.Preços    
…2.6    Conclusão     pg. 39

…..As perspectivas para a inflação nos próximos meses devem refletir o desempenho robusto da demanda interna, em um cenário de expansão da economia doméstica ao longo do ano, bem como possíveis impactos da elevação dos preços de matérias primas e de mão-de-obra.

….3.Políticas creditícia, monetária e fiscal

3.1     Crédito pg.40

….Os empréstimos com recursos livres também persistem em crescimento, com ênfase para o maior
dinamismo das contratações no segmento das famílias, em especial nas modalidades financiamentos para aquisição de veículos e crédito pessoal, esta com participação crescente das operações consignadas em folha de pagamento.

As operações com recursos livres relacionadas ao segmento das empresas continuaram evoluindo em ritmo moderado, observando-se expressivas liquidações de contratações lastreadas em recursos externos. Ressalte-se que o menor dinamismo do crédito às empresas, em contraste com o ritmo intenso da atividade econômica, está associado à ampliação das captações pelas próprias empresas de recursos no exterior
e no mercado de capitais….

  • Operações de crédito com recursos livres pg. 43
  • ……..O saldo das operações com recursos livres atingiu R$981,2 bilhões em abril, elevando-se 2,6% no trimestre e 11,7% em doze meses, e passando a representar 66,8% da carteira do sistema financeiro, ante 70,4% em igual período de 2009.
  • O desempenho trimestral refletiu o maior dinamismo do consumo das famílias, em ambiente
    de redução das taxas de juros, alongamento de prazos e diminuição da inadimplência, e, a partir de fevereiro, a maior demanda do segmento empresarial por empréstimos lastreados em recursos domésticos.
     
  • Os empréstimos destinados a pessoas físicas somaram R$492,6 bilhões em abril.
  • As expansões no trimestre, de 3,8%, e em doze meses, de 18,2%, refletiram em especial, o desempenho das modalidades crédito pessoal e financiamentos para aquisição de veículos, nos dois casos, beneficiados por redução de taxas de juros e aumento da confiança dos consumidores. ……

5.Setor externo

5.2     Comércio de bens pg.64/65

……….As importações médias diárias de matérias-primas e produtos intermediários, representando 47,1% das
compras externas no período analisado, elevaram-se 46,4%, impulsionadas pelas elevações nas compras de produtos minerais, 78,5%; produtos agropecuários não-alimentícios, 59,6%; e partes e peças de produtos intermediários, 47,1%.

As aquisições médias diárias de bens de capital corresponderam a 21,6% do total importado nos cinco primeiros meses do ano, ressaltando-se que o aumento de 21,5% em relação a igual intervalo de 2009 refletiu, em parte, elevações nas importações de máquinas e aparelhos de escritório e serviço científico, 51,5%; acessórios de maquinaria industrial, 37,8%; e partes e peças para bens de capital para a indústria, 28,7%. As importações de maquinaria industrial, item mais representativo da categoria, cresceram 1,8%. no período e passaram a representar 30,5% das compras de bens de capital……..

……..As participações das aquisições médias diárias de bens de consumo duráveis e de bens de consumo não duráveis no total das importações brasileiras atingiram, na ordem, 9,6% e 7,3%, nos cinco primeiros meses do ano.

As importações de duráveis, que se elevaram 69,1% em relação ao período correspondente de 2009, foram sustentadas pelos crescimentos das aquisições de máquinas e aparelhos de uso doméstico, 135,9%; móveis e outros equipamentos para casa, 84,4%; e automóveis, 75,1%, enquanto o aumento médio diário de 26,3% registrado na categoria de consumo de não-duráveis traduziu, em especial, os crescimentos  nas compras de produtos alimentícios, 42,1%; produtos de toucador, 39,3%; e produtos farmacêuticos, 21,6%…..

6.Perspectivas para a inflação

6.2 Cenário principal: riscos associados e implementação da política monetária pg. 86/95

O Copom trabalha com um conjunto de hipóteses sobre o comportamento das principais variáveis
macroeconômicas.

Esse conjunto de pressupostos, bem como os riscos a eles associados, compõem o cenário principal com base no qual o Comitê toma decisões.

Em linhas gerais, esse cenário prospectivo, consubstanciado nas projeções que serão apresentadas na próxima seção, contempla do lado externo, recuperação da atividade econômica global, embora assimétrica entre os países e cercada de incerteza, e do lado doméstico, expansão econômica robusta, com elevação nas projeções de inflação em relação às do último Relatório….

……..O principal fator de risco doméstico, como destacado no início desta seção, está relacionado ao virtual esgotamento da capacidade ociosa da economia em combinação com o descompasso entre o crescimento da absorção doméstica e a capacidade de expansão da oferta.

Como ressaltado em Relatórios anteriores, a crescente utilização dos fatores de produção – seja do estoque de capital, seja da força de trabalho – vinha ocorrendo em contexto de inflação corrente para o acumulado em doze meses ao redor da meta.

Dessa forma, mesmo pressões de preços pontuais e sazonais poderiam se traduzir em valores mais elevados para a inflação e em um cenário menos benigno……….

…….O Comitê também entende que, a despeito da reversão de parcela substancial dos estímulos introduzidos
durante a crise internacional de 2008 – como o aumento do recolhimento dos compulsórios bancários e a reversão das isenções tributárias –, remanescem riscos à concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual a inflação seguiria consistente com a trajetória das metas.

Por outro lado, o Copom ressalta que desenvolvimentos externos introduziram certa dose de cautela nas análises sobre o cenário prospectivo. De qualquer maneira, prevalece o entendimento entre os membros do Comitê de que compete à política monetária agir de forma incisiva para evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para horizontes mais longos………

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