As críticas ao complexo Madeira

Enviado por: Maria da Conceição

O problema da construção das hidrelétricas do Madeira, passam pela obscuridade com que o projeto vem sendo apresentado aos principais interessados, isto é, a população local, que será quem conviverá com a maior parte dos problemas que virão.

A título de exemplo, a Geógrafa do consórcio Furnas/Odebrecht declarou na audiência pública que na área atingida só vivem 10(dez) espécies de peixes, nós que moramos aqui sabemos que essa informação não é verdadeira.

Até agora não foram explicadas as conseqüências da redução de sedimentos no rio Amazonas, vez que o maior depositário de sedimentos é o rio Madeira e as hidrelétricas farão esta redução.

Também não foi explicado quais são as medidas mitigadoras quanto à questão de saúde, porque o número de casos de malária e dengue serão aumentados significativamente de acordo com os estudos feitos pelo IPEPATRO.

Enfim, as questões que são de interesse não ecômico, o consórcio e os defensores da construção das usinas, até agora não deixaram claro para que as pessoas saibam os riscos e optem se realmente é o que elas querem.

E tem mais o governo federal só se lembra da Amazônia quando é para beneficiar o centro sul/sudeste, pois quando os interesses são só Amazônicos permanecem anos no papel, isto quando saem do papel, porque na maioria das vezes permanecem eternamente.

Enviado por: Sergio Leao

A respeito dos comentários sobre o projeto Madeira apresentados pela leitora cabem esclarecimentos para cada um dos pontos:

1 – sobre a obscuridade da apresentação do projeto à população local – as empresas que realizaram os estudos ambientais fizeram e ainda fazem um amplo programa de discussão e debate dos projetos com todas as comunidades desde a fronteira com a Bolívia, na região de Abunã, passando por Porto Velho até os limites do municipio, na região de Calama. Foram mais de 30 reuniões com discussões e participação da população com sugestões, críticas e comentários sobre possibilidades de projetos associados para mitigar ou compensar os impactos da implantação dos empreendimentos. Além disso foram realizados diversos seminários e debates em Porto Velho envolvendo os estudantes das várias universidades e faculdades, empresários, representantes de instituições públicas, ONGs, entre outras. Adicionalmente foram realizadas as 4 audiências determinadas pelo IBAMA em que mais de 3.000 pessoas participaram. Todas as perguntas apresentadas foram respondidas.

2 – Sobre as 10 espécies de peixes. Há um equívoco nesta informação. Estima-se que o Rio Madeira tenha cerca de 750 espécies de peixes. É de fato uma fauna aquática muito rica. Os estudos ambientais fizeram a identificação desta fauna e foram caracterizadas 450 espécies nas várias campanhas realizadas. Este é o maior estudo de espécies já realizado na bacia do Madeira.

Além disso, os estudos da ictiofauna deverão continuar durante todo o período de construção e pelo menos por mais 5 anos após a conclusão das obras, prevendo-se sua continuidade por pelo menos outros 13 anos. Serão sem dúvida, os mais extensos estudos de fauna aquática na Amazônia brasileira. O número de 10 espécies de peixes pode ter sido tirado do comentário feito sobre as espécies mais conhecidas que sobem as corredeiras do Madeira. Neste aspecto, são poucas as espécies migradoras, em relação ao total estudado. Mas para elas será construído um dispositivo de passagem que permitirá a continuidade da migração nos dois sentidos – rio acima dos peixes e descida dos peixes, ovos e larvas.

3 – Quanto às consequências dos sedimentos para o rio Amazonas há também um equívoco. As barragens do Madeira foram projetadas para permitir a passagem desses sedimentos, pois são do tipo chamado de fio d’água em que o tempo de permanência da água é pequeno e não há formação de reservatório de acumulação. Já no primeiro ano de funcionamento, os estudos indicaram que mais de 80% dos sedimentos passarão pelas barragens. Serão retidas as partes mais grossas transportadas nas cheias (areia grossa e cascalho). O sedimento fino que vai até o Amazonas passará praticamente todo já no início do projeto. Ao longo do tempo a parte retida diminuirá progressivamente até chegar praticamente a zero após o 15o. ano. Assim, os sedimentos que enriquecem as águas, margens e lagos ao longo do Madeira abaixo de Porto Velho e do próprio Amazonas continuarão a passar pelas barragens.

4 – Na parte da saúde e da malária foram feitos estudos detalhados para definir medidas de controle. O IPEPATRO e o INPA – Instituto de Pesquisas da Amazônia – duas das mais respeitadas instituições nacionais no estudo de endemias tropicais – indicaram um extenso programa para controle da malária e de outras endemias. Mas vale comentar que a malária é um problema grave na região hoje. Porto Velho tem um registro anual de cerca de 35.000 casos de malária.

O controle desta doença é um dos mais extensos programas previstos na implantação dos projetos e envolve toda a população da obra assim como aquela que vive na extensa região que vai de Abunã a Porto Velho. Os pesquisadores do IPEPATRO e INPA são categóricos ao afirmar que é possível controlar a malária na região. Há conhecimento e as condições para isto, indicadas pelos pesquisadores, estão previstas no projeto.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora