As falhas da Delloitte

Por Fabio (o outro)

O caso da DELOITTE não se restringe ao Panamericano. Ele atinge dimensões e preocupações maiores quando se lembra que essa empresa é responsável por grande parte da auditoria das maiores instituições financeiras do país.

Eles não são novatos. Tem proeminência na auditoria de instituições financeiras há mais de 20 anos. Um de seus maiores clientes é o Banco Safra. Já auditaram o Banco Santos, Banco Cidade , o antigo Excel, e já passaram praticamente por todos os grandes bancos e outras insituições de crédito do país, incluisve o UNIBANCO. Dentro da DELOITTE existem sócios com mais de 30 anos se dedicando à auditoria de insituições financeiras. É o caso do sócio que assina o parecer sobre as demonstrações do Panamericano , sr. JOSÉ BARBOSA DA SILVA JÚNIOR.  Apenas como sócio da firma este senhor já tem quase 20 anos , a maior parte deles dedicando-se a prestar serviços de auditoria no segmento financeiro.  

De forma lacônica vêm a público e dizem : FIZEMOS TUDO QUE ERA PRECISO.

Logo após estourar o escândalo , um dos sócios deu uma entrevista na EXAME declarando :

O papel de uma empresa de auditoria não seria o de checar as demonstrações financeiras entregues pela administração do banco?
Maurício Pires Resende – Como eu lhe disse, as inconsistências contábeis só foram descobertas depois de uma análise específica feita pelo BC no cruzamento de informações com outros bancos.

E vejam que o Panamericano é uma instituição média em comparação com as demais insituições do mercado. No balanço publicado em junho/2010, o Panamericano registrava  um PATRIMÔNIO LÍQUIDO de R$1,6bilhões !!! O rombo final apurado era de R$4,3bilhões ! 

Se os testes efetuados pela empresa não foram suficientes para detectar um rombo equivalente a quase 5 vezes o PATRIMÔNIO LÍQUIDO da empresa , o que fica em xeque é a utilidade de todo o trabalho de auditoria em geral, inclusive de todos os demais pareceres emitidos pela DELOITTE nas outras instituições financeiras para as quais presta serviços.

Quem conhece um pouco o trabalho de auditoria contábil , sabe que no planejamento do serviço o auditor tem que definir um valor de MATERIALIDADE , que significa um parâmetro sobre qual o auditor baseará seus testes de auditoria. De acordo com o feeling do profissional envolvido no serviço , esse valor de materialidade poderá ser um percetual da receita anual da empresa auditada, de seu patrimônio líquido , ou outro critério definido pelo julgamento do auditor.

Dessa forma , no caso do Panamericano, se a DELOITTE definiu como base da  MATERIALIDADE do serviço, tomando por base as demonstrações de junho/2010, um percentual do Patrimônio Líquido (R$1,5bilhão) ou da receita semestral (R$1,6 bilhão) , e as operações de crédito da instituição registravam R$2,7 bilhões no curto prazo mais R$2,6 bilhões no longo prazo , que DIABOS de testes são esses executados pela empresa que não conseguem enxergar o elefante dentro da sala.

Conforme divulgado ontem , somente o rombo na carteira de crédito foi de R$1,6 bilhões , mais da metade de todo o valor da carteira registrado no balanço de junho/2010.

Pela tamanho do rombo , que a DELOITTE diz não ter sido possível detectar, e pelo tempo a que já vem emitindo pareceres sem ressalvas (3 anos) para o PANAMERICANO , a DELOITTE deve vir a público e explicar detalhadamente porque seu trabalho foi ineficiente, inclusive demonstrando seus papéis de trabalho , se quiser , como diz, RESTABELECER A IMAGEM DA EMPRESA. E não  apenas se limitar declarações reticentes, como dizer que o rombo foi descoberto por ” PROCEDIMENTOS ESPECÍFICOS DO BANCO CENTRAL ” .

O BANCO CENTRAL detectou o rombo e ainda tem a desculpa de que , ao contrário da DELOITTE, não permanece em tempo integral na empresa, faz apenas fiscalizações periódicas e aleatórias. Já a DELOITTE para executar um serviço desse porte , mobiliza uma dúzia de profissionais que se dedicam durante boa parte do ano a analisar os números da empresa. E por conta disso , justifica o honorário de mais de R$1milhão que cobrou do PANAMERICANO.

Já está na hora de o BANCO CENTRAL e a CVM chamarem essas empresas de auditoria na XIXA , e acabar com essa farra de emissão de pareceres a toque de caixa tendo como contrapartida honorários milionários, e que de tempos em tempos surgem no noticiário acompanhados de rombos contábeis não detectado por essas firmas.

Nos EUA , comportamento semelhante da ARTHUR ANDERSEN (um gigante no setor de serviços de auditoria) no caso ENRON , levou ao fechamento da empresa e ao indiciamento criminal dos responsáveis.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome