As previsões do BC

Coluna Econômica – 29/03/2007

Grosso modo, os preços na economia podem ser divididos em tr^es grupos: os administrados (regulados por contratos, com indexadores definidos), comercializáveis (influenciados pelos preços internacionais e pelo dólar) e os não-comercializáveis.

A rigor as taxas de juros atuam apenas sobre o último grupo, obrigando a uma super-dosagem de juros para, através de um grupo (que responde `a renda do consumidor) poder compensar a alta registrada nos dois outros.

Nas projeções de inflação, a tarefa mais fácil é acertar as estimativas de preços administrados. São tarifas reajustadas por índices de preços passados.

Desde que o sistema de metas inflacionárias foi instituído, os preços administrados se constituíram no principal álibi para taxas de juros elevadas. Isso porque a maior parte dos contratos de serviços públicos era corrigido pelo IGP (índice Geral de Preços), índice fortemente influenciado pela taxa de câmbio. Com as maxidesvalorizações de 1999 e 2002 esses preços explodiram nos anos seguintes, levando o BC a aumentar substancialmente a taxa de juros.

Agora, com a apreciação cambial, os preços administrados tendem a correr atrás da inflação (que é a média dos aumentos de preços).

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Agora, segundo matéria no jornal “O Valor” de quarta-feira passada, o BC passou a trabalhar com estimativas de preços administrados muito mais elevadas que as do próprio mercado.

O Departamento de Economia do Bradesco, por exemplo, estava estimando uma queda de até 10% nas contas de luz. O mercado apostava em uma queda de 3,3% nos custos com energia elétrica. E o Departamento Econômico do BC passou a apostar em elevação de 3,3%. É muito diferença. Como se explica essa disparidade em um índice de tão fácil previsibilidade? NÃO se trata de um erro banal.

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Primeiro, afeta a credibilidade do BC, enfraquecendo seu papel como indutor de expectativas. É essa fragilidade analítica que tem levado a diretoria do banco a promover encontros reservados com analistas de mercado, pressionando aqueles que ousam enxergar um cenário mais róseo do que o que serve de álibi para as altas taxas de juros.

Depois, porque implica na manutenção de taxa Selic elevada, com profundos desdobramentos sobre o custo da dívida pública, crescimento e emprego.

Finalmente, porque coloca a nu a vulnerabilidade do país, entregue a um grupo de técnicos inexperientes,

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O ponto central é a quase impunidade para errar. O BC não presta contas ao Executivo – Lula tem medo pânico do tal do mercado –; não presta ao Legislativo. Suas decisões são aceitas com notável complacência pela mídia em geral. Não respondem a nenhuma Lei de Responsabilidade Fiscal, não respondem à Justiça nem ao Ministério Público. Sequer são confrontados com os dados do próprio mercado, cujas expectativas em relação à inflação deveriam servir de base para suas decisões.

Não existe poder igual na República. E o preço desses super-poderes estão à vista: uma dívida pública que não para de crescer há doze anos; uma economia semi-estagnada; jovens se marginalizando ou, os que chegam a se formar, sem espaço de trabalho.

Meu candidato a próximo presidente da República será o político que se comprometer, de forma responsável, a libertar o país desse jugo.

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