As S/As e as empresas familiares

Por Alexandre Fabian

Com respeito da frase:

“Alega-se que o capitalismo do “valor ao acionista” exige que o índice dos ativos/capital seja maximizado. O excedente de capital reduz o retorno sobre o patrimônio dos acionistas e atua como um dreno sobre os lucros por ação.”

Fico pensando que ainda no li nenhum artigo que reflita sobre as mudanças que estamos tendo no Brasil nesta passagem de empresas fechadas familiares para empresas de capital aberto em bolsa.

Os dois tipos de empresa, por exemplo, reagem de forma bem distinta em momentos de crise.

No meu entendimento, p.e., as empresas e capital aberto sao levadas muito mais rapidamente a demitir e mostrar ações de redução de custos que as de capital fechado – inclusive anunciando isto aos quatro ventos, como se fosse algo ‘positivo’ – e do ponto de vista do ‘acionista’ pulverizado efetivamente é.

As de capital fechado – notadamente as de controle familiar – não sofrem esta pressão do mercado, e podem agir pensando no médio e no longo prazo também. E normalmente não ‘anunciam’ demissões……..

Dentre outros temas a respeito, as enormes diferenças de ‘compromisso’ de empresas de capital aberto ou fechado com as cidades e regiões onde foram fundadas ou teem a sua sede.

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18 comentários

  1. A melhor coisa que fizeram
    A melhor coisa que fizeram nos ultimos anos foi a modernizacao das empresas. De empresas familiares pra sociedades anonimas.
    Mudou pra muito melhor o capitalismo brasileiro.

    Antes, os membros da familia tocavam o negocio. Uns com tino pra coisa e outros tanto so pelo status. Resultado, os produtos eram ruins. As empresas cresciam muito pouco e so sobreviviam porque o mercado era fechado a concorrencia estrangeira e por causa dos sempre generosos auxilios do governo. O modelo ainda persiste na agricultura. E so ir numa cidade do interior pra constatar o bem que ele faz.
    Isto sem falar na “saudavel” pratica do apadrianhamento.

    Falem o que quiser. Trocar familiares por executivos de carreira fez muito bem ao nosso capitalismo. Foi de la pra ca que comecaram a adotar modernos metodos de gestao, abertura a globalizacao e processos de internacionalizacao. Resultado, hj temos quase 20 multinacionais.

    Ao inves de combater o processo, nos deveriamos e incentiva-lo cobrando menos impostos das S/A do que das empresas familiares.

    Em relacao aos compromissos, as S/A tem varios programas de apoio a sociedade civil, embora a funcao da empresa MESMO seja gerar lucro.
    Empresas familiares quase sempre estao envolvidas em politicagem, muitas vezes apoiando candidatos que nada fazem de bom pra regiao. Isto quando o candidato nao e o dono da empresa.

    So uma curiosidade. Certa vez, eu estava analisando o resultado dos ultimos 5 anos das empresas brasilieras listadas na bolsa que tem ADRs (negociadas em NY). Pra minha surpresa, as empresas de melhor desempenho eram aquelas que tinham a melhor governanca.
    A melhor de todas era a Usiminas. La nem o CEO, nem qq membro da diretoria nao faz parte do Conselho de Administracao (o que e pra la de certo). Ha apenas 10-12 membros na diretoria. E tanto no conselho quanto na diretoria nao ha pessoas de mesmo sobrenome.

    A pior, podem acreditar, era a Petrobras cujo conselho de administracao nao so contem o presidente da empresa (Sergio Gabrielli) como ta cheio de politicos que nao entendem nada do riscado.

    Confere aí o Conselho que não entende nada do riscado:
    » Administração e Conselho Fiscal

    Conselho de Administração

    Dilma Vana Rousseff – Presidente
    Guido Mantega – Conselheiro
    Silas Rondeau Cavalcante Silva – Conselheiro
    José Sergio Gabrielli de Azevedo – Conselheiro
    Francisco Roberto de Albuquerque – Conselheiro
    Fabio Colletti Barbosa – Conselheiro
    Jorge Gerdau Johannpeter – Conselheiro
    Luciano Galvão Coutinho – Conselheiro

  2. Em 2008 a Perdigão comprou a
    Em 2008 a Perdigão comprou a cotochés(http://www.cotoches.com.br/) empresa situada em Rio Casca, cidade de 14 mil) a cotochés oferecia cerca de 500 empregos diretos. Quando foi efetuada a venda,foi um choque para a população, que foi tranquilizada com a informação de que os empregos seriam preservados e que haveria uma expansão da indústria que poderia inclusive gerar mais empregos.
    Neste ano a trágica noticia a fábrica será fechada, passando a ser somente um posto de captação de leite. O que deverá provocar a dispensa de 90% dos funcionários.

  3. Mas não vamos nos iludir.
    Mas não vamos nos iludir. Empresas familiares demitem sem vacilar, “com lágrimas nos olhos” por perder tão bons funcionários, antigos, quase parentes, pobrezinhos…

  4. José Ronaldo Rosado,

    Coisa
    José Ronaldo Rosado,

    Coisa parecida aconteceu no Sul de Minas com as empresas de laticíniosnos anos 60/70: a entrada da Nestlé e, logo depois, a Danone, “engoliram” quase todos os laticínios daquela região e os transformaram em postos de resfriamento de leite. A primeira foi a conterrânea do Nassif, a LPC. (Laticícnios Poços de Caldas). O pior é que essasgrandes S/A dominam o produtor porque eles fazem o preço de compra do leite “in natura” e ainda fornecem (vendem) os insumos para o gado.

  5. Nassif,
    Você viu ontem
    Nassif,
    Você viu ontem (28.01.2009) o programa “3 a 1” da TV Brasil com Mangabeira Unger? Ele falou também sobre empresas familiares!

  6. Eu não vou dizer que empresas
    Eu não vou dizer que empresas familiares sejam necessariamente melhores (afinal também são controladas por pessoas e geralmente pessoas gananciosas), mas uma empresa “moderna” hoje em dia significa maximização de lucro para o acionista custe o que custar. Nem preciso dizer portanto em que posição fica “empregos” na lista de prioridade dos acionistas.

  7. As empresas de capital aberto
    As empresas de capital aberto “anunciam” porque são de capital aberto, ou seja, tem que prestar contas aos seus acionistas. Já as empresas familiares não precisam prestar contas, logo não “anunciam”.

  8. Nassif:
    Muitas empresa quando
    Nassif:
    Muitas empresa quando eram estatais, não davam o lucro, exorbitante de hoje, porque eram usadas para beneficiar praticamente os grandes empresarios, eles alegavam, que as empresas eram para propriciar que as empresa privadas pudessem produzir e gerar empregos, o lucro das empresas estatais eram utilizados para pagar as eternas dividas, e eram tambem utilizadas como barbanha para o governo obter emprestimos no exterior, a empresa poderia não receber, um unico centavo de dolar, mas na contabilidade, estava lá a divida, nem todo o emprestimo, recebiamos 100%, parte recebiamos em equipamentos que não necessitavamos, mas mesmo assim as empresas sobreviviam, quando o fhc privatizou as empresas estatais disse que seria gerado 100 mil novos empregos no setor de telecomunicações, mas o que vimos foi o contrario, foram fechados milhares de postos de trabalhos, no setor de telefonia, os postos de atendimento foram fechados, e somente voltaram a funcionar depois que a justiça, obrigou as empresas reabrir, mesmo assim pouquissimo, clientes chegam a se deslocar de 30 a 50 km, para ter um atendimento pessoal, quanto as tarifas… foram elevadas de forma exorbitante, e se o fhc, conseguisse emplacar o serra ou alkimin, as geradoras de energia, e a petrobras, seriam privatizadas, e aí as coisas estariam pretas para os brasileiros, estariamos no mundo das trevas, face as tarifas que seriam altissima, as empresas privatizadas cobram tarifas, cujos valores estão acima, do que é cobrado do europeu, ou norte americano, esta semana, tres atletas brasileiros de lutas marciais, foram presos quando o avião em que eles viajavam para Portugal fez uma escala na espanha, alem de presos, sofreram maus tratos, e foram deportados para o Brasil, elegaram que eles estavam com quantidade de euros insuficiente para a estadia, aqui no Brasil, quando se promove uma competição, as depesas corre por conta do promotor do evento (hospedagem,alimentação e translado), e até agora nenhum participante fora preso, por estar com dinheiro insuficiente, como se vê, o dolar e o euro não valem merda nenhuma, com um dolar ou um euro, não se compra uma coca-cola pequena, nem nos Eua ou europa, enquanto no Brasil, esses estrangeiros fazem uma verdadeira farra com um misero dolar.

  9. Acho que o grande problema é
    Acho que o grande problema é realizar o que significa “lucro”. Estamos falando de uma grandeza meramente contábil, que satisfaz acionistas e engrandece balaços, ou de um valor, na acepção ampla da palavra? Se considerarmos que uma empresa é uma criação humana, e que ao humano deveria servir, acho que temos que repensar esse conceito. Será que vale a pena ter um lucro expressivo, a custa de reengenharias malucas? O acionista está ciente disto? É isso o que ele quer? Os dividendos de uma empresa dita lucrativa, mas que sacrifica empregos, podem ser excelentes a curto prazo, mas acho que no longo prazo essa acepção mesquinha de lucro sai bem caro para toda a sociedade. Taí essa crise inventada pelos falsos balanços e papéis podres que não nos deixa mentir…

  10. Rapaz, essas crises são
    Rapaz, essas crises são realmente o momento mágico de ressureição dos dinossauros. Agora estão enaltecendo as maravilhas das empresas familiares frente às empresas de capital aberto!

    Vamos radicalizar então, galera! Vamos nacionalizar tudo!

    Impressionante.

    O modelo europeu é basicamente de empresas de capital aberto mas com controle familiar. É uma alternativa que cresceu muito, devido aos abusos dos CEOs. Ao contrário do que ocorria nos anos 70, quando as S/As com controle familiar cometiam abusos.

  11. Essa seria a real quebra de
    Essa seria a real quebra de paradigmas em um suposto “novo mundo” pós-crise. Real distribuição de renda, significa quem tem mais abrir espaço para quem tem menos. Não existe distribuição sem diminuir a concentração. Porem o primeiro recurso do acionista em casos de diminuição de lucro é demitir. Ou seja, o mercado financeiro e as grandes empresas geram a crise e quem paga é o trabalhador comum. Só teriamos realmente uma nova etapa, mais evoluida, no capitalismo, se esse ciclo fosse quebrado.

  12. Legal: discordo completamente
    Legal: discordo completamente de voce. O ‘lugar comum’ hoje no Brasil é achar que empresas de capital aberto sejam uma ‘evolução’. Porém, em outros aspectos podem ser uma ‘regressão’ – é sempre uma questão de ponto de vista.
    Lucinei – concordo 100 %. o lucro pelo lucro, e o ‘mais lucro ainda’ sempre são muito perigosos…..

  13. Sinceramente, sem teorizar
    Sinceramente, sem teorizar nada, vou falar do que vi e vejo na prática, porque muitos de nós já estiveram ou estão em empresas que abriram o capital.

    A diferença de gestão é gritante mesmo. E sinceramente, para quem está dentro, é uma grande porcaria, porque na esmagadora maioria dos casos, a gestão passa a focar apenas os acionistas, e toda a qualidade que se tem no ambiente de trabalho vai pelo ralo…

    Vivi isso há poucos anos numa gigante de desenvolvimento de software. Abriu o capital e saiu da lista das 150 melhores da Exame para nunca mais voltar. O clima ficou péssimo, a pressão por profissionalismo era unilateral e a debandada foi geral. Perdeu ótimos profissionais e vê a qualidade do produto cair a cada dia. Tem que investir cada dia mais na área de relação com acionistas e em mídia para manter o nome forte.

    Também sei de dias cinzentos numa gigante de cosméticos que, por acaso, também já esteve na lista das 150 e saiu. Desde que abriu o capital, vive um ciclo de reestruturação atrás de reestruturação, um clima de desespero por crescer ‘apenas’ 20% ao ano e ver suas ações despencarem na bolsa. O crescimento orgânico é ótimo, mas para atrair acionistas o estabelecimento de metas é irreal, e assim o ciclo se perpetua. O resultado: demissões, terceirização, pressão para todos os lados internos.

    Na prática, as duas empresas que citei estão muito bem em suas operações e com ótimos resultados financeiros, mas a pressão e o discurso clichê de profissionalizar continuam reinando, em busca de valorização na bolsa dos especuladores. Tudo isso porque, se desvalorizar demais na bolsa, vem um concorrente internacional, faz uma proposta agressiva e consegue adquirir o controle da empresa.

    Para quem pensa em e aposentar com renda, esse modelo serve? Ok… e para a grande maioria da população, para a geração de empregos, para a qualidade de vida e a justiça social, esse modelo serve?

    Abraços!

  14. Chato: Como disse acima, é
    Chato: Como disse acima, é uma questão de ponto de vista:
    > Mandaguari-PR: pesquise com a população se preferem a Romagnole com controle familiar e local ou que seja incorporada por uma empresa de capital aberto de fora ?
    > Cuiabá-MT: idem com os supermercados Modelo
    > Londrina-PR: idem com a BigFrango
    > Rondonópolis-MT: idem com a AMaggi
    > Criciúma-SC: idem com Angeloni
    … e por aí afora…..são dezenas ou centenas de exemplos pelo Brasil.
    A.

  15. O paralelo que se pode traçar
    O paralelo que se pode traçar das S/A é com a carreira de modelo.

    A concorrência é grande e não adianta a modelo se achar bonita. Se o ‘patrão’ disser que precisa emagrecer mais 20 Kg, ela vai atrás disso porque quem manda é o mercado.

    Não importa se a garota se torna anoréxica, bulímica, drogada e se tem problemas psicológicos. Enquanto ela conseguir convencer de que é esbelta e saudável (aos olhos do patrão), ela tem emprego.

    Depois ninguém entende porque algumas garotas tão jovens e lindas se revelam desequilibradas, doentes, envolvidas em escândalos…

    Nas empresas S/A, as demissões e reestruturações em série são a bulimia; a pressão por resultados é a anorexia; a manipulação de balanços e fabricação de notícias é a maquiagem… e a crise mundial é a diarréia atacando em plena passarela pra mostrar um pouco da verdade.

    Por mim, valor de ação na bolsa deveria ser ditado pelo resultado contábil da empresa, não pela especulação.

    O mundo seria mais justo assim.

    Ah! E estilista deveria só poder exigir das modelos o mesmo IMC que ele(a), estilista, apresentar no próprio corpo.

  16. Rafael Rodrigues: 100 % !!
    Rafael Rodrigues: 100 % !! Voce entendeu exatamente o que eu quis dizer – e se expressou bem melhor do que eu.

    Ed: ‘anunciar ‘ ou ‘nao anunciar’ faz bastante diferença em uma época como a que estamos.

    Ainda: esta semana participei de uma reuniao de conselho de uma empresa de capital fechado, de controle familiar. Discutiu se a crise toda uma longa tarde. No jantar que se seguiu `a reunião, o consenso: Ainda que os lucros caiam a 20 % do que foram em 2008, vale a pena manter a equipe intacta.

    Longe de pensar que todas as empresas de capital fechado de controle familiar sejam assim, mas alguém consegue imaginar uma decisão destas em uma empresa de capital aberto????

  17. Pelo que tenho lido e
    Pelo que tenho lido e vivênciado nesses tempos de crise, me convenço ainda mais de que todo o emprego é temporário. Não estou falando dos temporário de 3 meses, mas sim de temporários de 1 ano, 2 anos, 6 meses, 1 mês. A questão é o seguinte: ninguém tem emprego garantido nos dias de hoje. Uma empresa é essencialmente capitalista, ou seja, ela quer lucro, e se os “colaboradores” como eles dizem hojem, não estão gerando esse lucro, então vão demitir mesmo, até porque o importante é a empresa sobreviver. O ironico de tudo isso é que esse mesmo colaborador era essencial para o bom andamento da empresa, o cidadão tinha que fazer longas jornadas de trabalho, realizar um serviço excelente, e ainda por cima é pedido, ou melhor, exigido que se ame a empresa, para depois acontecer o que?!? Ser demitido pela empresa que ele “teve que amar”!!! Não tem jeito, as empresas não irão se preocupar com os funcionários, apesar de existirem “ações sociais” elas estão pensando mesmo é no próprio umbigo, se tiverem que demitir, vão demitir mesmo sem dó e nem piedade, e ás vezes vão contratar alguém com um salário menor que o seu. Talvez essa minha visão seja de uma pessoa que está na base da pirâmide, mas eu também já tive uma pequena empresa que não foi pra frente e sei que é dificil manter uma empresa no nosso país. Mas só queria deixar registrado que o grande segredo acredito que seja encarar todo o emprego como um projeto, uma coisa que você vai realizar por um tempo e depois vai sair. A vida continua mesmo desempregado, e posso dizer: Existe vida após a demissão.
    Abraço a todos.

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