Biocombustível: econômico ou social?

O Conselho Nacional de Política Energética anunciou no último dia 18 o início da produção do H-Biodiesel nas refinarias da Petrobrás – Refap (RS), Regap (MG), Repar (PR). Trata-se de um combustível que mistura o diesel convencional ao óleo vegetal, produzido a partir de sementes oleaginosas. Os testes de laboratório foram feitos com soja, mamona e dendê ou palma e em todos os casos os resultados foram satisfatórios.

Diferente do Biodiesel convencional, o novo combustível da Petrobrás provém de um processo químico realizado na mistura do diesel com óleos vegetais na proporção de 10% a 18%, que depois é refinado. O processo é mais barato e pode contribuir para redução de importação de petrodiesel.

As metas do governo brasileiro para inserção de biocombustíveis no mercado estão determinadas pela Lei 11097 de 2005, que além do aumento crescente na produção, prevê participação da agricultura familiar na oferta de matérias-primas e redução das desigualdades regionais.

Um estudo realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), calculou o custo de produção do biodiesel nas cinco grandes regiões do País e analisou as vantagens comparativas dos Estados e de seis matérias-primas vegetais. Segundo o trabalho, a soja é a fonte mais adequada para a produção de biodiesel no Brasil.

No entanto, pesquisadores da Universidade Federal de Brasília (UnB) alertam para o impacto social negativo caso haja um aumento na demanda de grãos para a produção de novos combustíveis. O problema seria ainda pior se a soja for escolhida como matéria prima para isso. De acordo com a pesquisa da UnB, existe o risco de incentivar a monocultura.

A cultura de soja é semelhante àquela que acompanha a produção do álcool e o cultivo de cana da açúcar, sendo que nos dois casos existe aumento das área de plantio que causa a concentração fundiária. O trabalho aponta o associativismo, pesquisa científica e a extensão rural como setores que podem elucidar o caso, trazendo alternativas econômicas e tecnológicas para os produtores e potencializando sistemas menos degradantes do meio ambiente e socialmente mais justos.

No site www.projetobr.com.br você encontra os estudos citados nessa matéria, além de outras informações relacionados ao tema.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora