Boeing pressiona governo brasileiro para fusão com Embraer


Foto: Divulgação
 
Jornal GGN – Como forma de pressionar para que o governo brasileiro libere a fusão da Embraer com a Boeing, para que a fabricante de aeronaves norte-americana passe a ter a maior parte do controle sobre a brasileira, as empresas decidiram aprovar os termos da parceria joint venture. Ainda, dentro dos termos, a Embraer aceita criar um segundo acordo que entrega 49% do controle do avião multimissão militar da brasileira à Boeing.
 
A conclusão do acordo precisa ainda da autorização do governo brasileiro, uma vez que a União detém hoje de ações denominadas “golden share” sobre a Embraer, que mesmo que de pequenas porcentagens, concede a ela o poder de decisão e de veto sobre temas importantes, como é o caso atual da tentativa de fusão.
 
Faltando apenas a resposta do governo brasileiro, a empresa norte-americana tenta pressionar para o fechamento do acordo o quanto antes. Neste contexto, decidiu aprovar junto à fabricante de aeronaves brasileira os termos da “parceria estratégica”, como denominaram, que teria como objetivo “acelerar o crescimento em mercados aeroespaciais globais”.
 
“Os termos aprovados definem que a joint venture contemplando a aviação comercial da Embraer e serviços associados terá participação de 80% da Boeing e 20% da Embraer. A parceria está sujeita à aprovação do governo brasileiro, após o que as empresas deverão assinar o acordo”, divulgaram as empresas.
 
Somente após a liberação do governo brasileiro é que os termos seriam submetidos aos demais acionistas de ambas fabricantes de aviões. 
 
Estes 80% garantidos à Boeing, dos Estados Unidos, representam um total de US$ 4,2 bilhões para a norte-americana. Ainda de acordo com os cálculos, espera-se que a transferência de 80% do controle da Embraer à empresa não afetará no lucro direto da Boeing em 2020. 
 
E, a partir de 2021, as expectativas são de que a empresa americana comece a ter lucro: “A joint venture deve gerar sinergias anuais de cerca de US$ 150 milhões – antes de impostos – até o terceiro ano de operação”, informaram.
 
Apesar de até então ambas as empresas serem consideradas rivais no mercado de aeronaves, ainda que com diferenças de investimentos, seja em jatos empresariais ou aeronaves comerciais, o CEO da Boeing manifestou como se as empresas fossem parceiras.
 
“A Boeing e a Embraer possuem um relacionamento estreito graças a mais de duas décadas de colaboração. O respeito mútuo e o valor que enxergamos nesta parceria só aumentou desde que iniciamos discussões conjuntas no começo deste ano”, disse Dennis Muilenburg, presidente, chairman e CEO da Boeing.
 
Com o acordo descrito, a nova empresa, que terá o domínio do controle da norte-americana, não terá mais a liderança dos executivos da Embraer, mas de uma equipe, incluindo um presidente e CEO, que serão decididos posteriormente. Ainda, a Boeing será responsável pelo controle operacional, ou seja, todas as decisões de operações da Embraer e estratégicas, além de gerir a nova empresa, que responderá a Dennis Muilenburg.
 
Já para o presidente da Embraer, que terá poder de decisão somente “para alguns temas estratégicos”, como a transferência das operações do Brasil para outro local, como por exemplo, Estados Unidos, a medida “será de grande valor para o Brasil”, porque acredita que “esta aliança fortalecerá ambas as empresas no mercado global e está alinhada à nossa estratégia de crescimento sustentável de longo prazo”.
 
Ainda, além do próprio termo de joint venture atual, a Embraer acabou cedendo à Boeing a possibilidade de controlar outros 49% sobre a criação de uma estratégica aeronave brasileira, o avião militar multimissão KC-390. É hoje o maior avião produzido na América Latina e criado para substituir todas as aeronaves de carga das Forças Aéreas. 
 
“As empresas também chegaram a um acordo sobre os termos de uma segunda joint venture para promover e desenvolver novos mercados para o avião multimissão KC-390. De acordo com a parceria proposta, a Embraer deterá 51% de participação na joint venture e a Boeing, os 49% restantes”, anunciaram.
 
 

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