Bolsa cai 0,39%, em dia de pregão volátil

Jornal GGN – A bolsa de valores brasileira apresentou um pregão volátil nesta quinta-feira, e o índice acabou por acompanhar o tom mais negativo dos mercados internacionais, em meio à reta final dos balanços trimestrais e ao menor rumor envolvendo a troca de ministro na pasta da Fazenda. O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) terminou o dia em queda de 0,39%, aos 46.883 pontos e com um volume negociado de R$ 5,915 bilhões.

Em um dia de dado econômico desfavorável na zona do euro, as bolsas apresentaram perdas nos principais mercados. Os investidores aguardam por mais estímulos, principalmente na zona do euro, enquanto monitoram os discursos dos membros do Federal Reserve sobre o primeiro aumento de taxa de juros na economia americana.

“Na Europa, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmou em entrevista hoje que os indicadores recentes mostram que a recuperação da economia “progride moderadamente” e confirmou que o BCE vai reavaliar a política monetária acomodatícia para trazer a inflação para a meta”, dizem os analistas do BB Investimentos, em relatório. “Nos Estados Unidos, membros do Federal Reserve (o Banco Central norte-americano) já começam a usar um discurso mais ameno, o que pode ser interpretado como uma indicação que a probabilidade de alta em dezembro pode começar a decair caso os indicadores econômicos não deem o suporte necessário. E se acontecer em dezembro, existe a tendência de fortalecimento do dólar e redução de inflação, o que dificultaria elevações adicionais”.

Nesse cenário de incertezas, o Ibovespa operou sem tendência definida, alternado entre perdas e ganhos, com a maioria dos papéis apresentando baixa volatilidade intradiária. As companhias que se destacaram positivamente no pregão foram as exportadoras de celulose, que subiram com mais força na primeira parte da sessão,

acompanhando a alta dólar, e mantiveram os ganhos apesar da reversão da divisa no período da tarde. A principal queda foi da Petrobras, que enfrenta questões internas e a nova queda do preço do barril de petróleo no mercado internacional: as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) fecharam em baixa de 2,59%, a R$ 9,02, e as preferenciais (PETR4) caíram 1,81%, a R$ 7,58.

As ações da Vale também seguem em queda: os papéis ordinários (VALE3) perderam 1,76%, a R$15,05, e as preferenciais (VALE5) recuaram 1,02%, a R$ 12,57. A Vale é parceira da anglo-australiana BHP Billiton no controle da mineradora Samarco, envolvida no desastre de Mariana (MG), ocorrido dia 5.

Entre os indicadores divulgados, as vendas no varejo tiveram a oitava queda consecutiva, de 0,5% em setembro em comparação com o mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na zona do euro, a produção industrial caiu 0,3% em setembro em relação ao mês anterior. Na Alemanha, o índice de preços ao consumidor ficou estável em outubro ante setembro e avançou 0,3% na comparação anual, em linha com as expectativas.

Depois de operar em alta na maior parte do dia, a cotação do dólar comercial inverteu o movimento no final da tarde e fechou quase estável, com queda de 0,06%, a R$ 3,767 na venda.

A mudança no direcionamento da moeda foi afetada pelas declarações de membros do Federal Reserve. A presidente do Fed, Janet Yellen, discursou durante a abertura de um evento sobre política monetária, mas não comentou quando haveria alta de juros. Outros membros da entidade também demonstraram cautela em seus discursos. Tais posicionamentos geraram dúvidas se a autoridade monetária vai começar a aumentar os juros a partir da reunião de dezembro, o que era considerado praticamente certo pelo mercado.

No Brasil, a CMO (Comissão Mista de Orçamento) retirou do projeto de LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2016 a possibilidade de o governo abater da meta fiscal até R$ 20 bilhões de investimentos previstos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o que foi visto como favorável pelos analistas devido a maior rigidez das contas públicas.

O Banco Central também anunciou um leilão para venda de até US$ 500 milhões com compromisso de recompra pela entidade, além da continuidade à rolagem diária dos swaps cambiais (equivalentes à venda futura de dólares) com vencimento programado em dezembro. Até agora, a autoridade monetária rolou o equivalente a US$ 4,732 bilhões, ou cerca de 43% do lote total, que corresponde a US$ 10,905 bilhões.

A agenda da sexta-feira será voltada para o setor externo, com a publicação dos dados de produção industrial no Japão, PIB (Produto Interno Bruto) preliminar na Alemanha; balança comercial e PIB na zona do euro; vendas no varejo e indicadores de estoques nos Estados Unidos.

 

 

(Com Reuters)

 

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