Caso UBS gera comparação entre brokers e psicopatas

Por Pablo Holmes

Nassif, 

O caso do broker inglês que deu prejuízo de 2 bilhões de euros ao UBS parece ter causado grande comoção na suiça. O NZZ, o maior jornal de Zurich publicou interessante pesquisa feita na universidade de St. Gallen sobre o comportamento de brokers. Claro que não se devem exagerar as conclusões a partir dos resultados. O que eles demonstram, apenas, é que a idéia neoclássica de um equilíbrio ótimo, trazendo ganhos para todos e que faria parte de uma racionalidade “quase-metafísica” do mercado tem problemas sérios de ser verificada na realidade. Traduzi o artigo e colo abaixo. Talvez fosse interessante publicá-lo.

Do NZZ

A dimâmica destrutiva da especulação

De acordo com pesquisa, brokers agem de modo mais inconsequente que psicopatas.

Pesquisa na Universidade de St. Gallen investigou o comportamento de agentes da bolsa, comparando-o ao de psicopatas diagnosticados. Os resultados são inquietantes.

Markus Städeli

O “timing” do estudo é perfeito:Thomas Noll e Pascal Schrrer invetigaram em um trabalho de MBA, na universidade de St. Gallen, o comportamento de 27 corretores da bolsa que trabalham tanto em grandes bancos suiços, como em bolsas de futuro e fundos de hedge.

Eles realizaram a pesquisa de forma que ela fosse comparável, de modo metodologicamente exato, com os resultados obtidos em uma pesquisa realizada entre 24 psicopatas internados em clínicas de alta-segurança alemãs e um grupo de controle de 24 pessoas “normais”. A hipótese da pesquisa de Noll e Schrrer era a de que o comportamento dos corretores em uma simulação computacional do dilema do prisioneiro seria semelhante ao comportamento egoísta e não-cooperativo de psicopatas demonstrado em experimento semelhante. Embora se pudesse esperar que os brokers  pudessem demonstrar uma melhor performance, com maiores ganhos indidivuais finais em suas decisões.

A hipótese foi entretanto desementida pelos experimentos. Embora de maneira ainda mais desfavoravel para os corretores da bolsa. De acordo com os resultados, os agentes da bolsa se comportaram de modo claramente menos cooperativo que os psicopatas ou o seu grupo de controle. De 40 jogos realizados pelos corretores, 12 foram, em média, não-cooperativos. Os psicopatas – que costumam ser julgados como totalmente desprovidos de qualquer tipo de empatia e reponsabilidade social – tiveram apenas 4,4 resultados não-cooperativos, em média. No grupo de controle a média não passou de 0,2.

A performance dos 27 corretores também surpreendeu. Agentes cujo trabalho se baseia em negociar instrumentos como ações, derivativos e contratos de câmbio, também tiveram resultados piores que os psicopatas no que diz respeito aos ganhos finais de suas decisões. De fato, eles são capazes de maximizar os próprios ganhos às custas de seus oponentes. Porém, no que diz respeito às medidas de performance geral – os ganhos absolutos – eles ficaram um pouco atrás dos psicopatas. “Se você maximiza os próprios ganhos relativos apenas por meio de uma redução dos ganhos absolutos do seu oponente, você demonstra um comportamento altamente destrutivo”, ponderou o autor do estudo, Thomas Noll, que é psiquiatra e diretor da clínica judiciária de Pöschwies. “É como se você destruísse o automóvel do seu vizinho com um taco de beisebol, para que seu carro seja o mais bonito da rua”.

“Caso esses corretores se comportem de moto tão incooperativo no trabalho, como na situação do ‘dilema’, seria interessante saber se os departamentos dos bancos atraem esse tipo de gente ou se eles se tornam assim, depois de trabalhar nesse ambiente”, diz Noll. Para isso, segundo o pesquisador, seria necessário realizar um estudo com aqueles profissionais que vão entrar nesse negócio, e assim compará-los com aqueles que já estão lá há mais de 10 anos. O quão seguro é um estudo com apenas 27 pessoas? Como ele demonstra uma diferença média tão grande entre os valores, ele se torna, do ponto de vista estatístico, significante, mesmo com o pequeno número de pessoas testatas.

É certamente difícil de dizer em que medida um jogo de computador pode servir para julgarmos os comportamentos verificados na prática cotidiana. Entretanto, o chefe de alguns dos corretores que foram pesquisados, ao saber dos resultados, disse que iria avaliar se o banco não deveria intoduzir o jogo com o dilema do prisioneiro como parte de seu sistema de recrutamento.

Certamente, parece fazer sentido a idéia de que os bancos devessem prestar mais atenção na personalidade de seus empregados. Como se sabe, a premissa de muitos executivos, de que os perigos da especulação inconsequente podem ser evitados apenas com a regulação interna dos procedimentos não parece ser verdade.

Esse é, aliás, o resultado de uma tese de doutorado sobre o efeito da regulação do comportamento dos agentes de mercado, realizada por Roland Pfyl, também na Universidade de St. Gallen. Pfyl realizou sua pesquisa doutoral trabalhando dentro do setor de controle interno de um banco. “As diversas formas de regulamento introduzidas não parecem ter resolvido o problema”, ele diz. “Ao contrário, eles podem levar a que os chefes se sintam protegidos por uma ‘segurança aparente’, o que os leva a dar mais responsabilidade para os gerentes de risco, prestando ainda menos atenção a seu comportamento”.

Há um desacoplamento entre os mecanismos de controle e os comportamentos cotidianos dos escritórios dos bancos. Vários bancos vivem de uma dinâmica  baseada em relações diretas de confiança com seus clientes ou contratantes. “Com um controle crescente das práticas internas, torna-se impossível observar todos os regulamentos internos. Assim, todos passam a se mover de modo natural em uma zona cinzenta”. Pfyl observou igualmente uma atitude um tanto oportunista frente aos regulamentos internos. Segundo o mote: Tudo que não é proibido é permitido. Esse é um resultado que causa preocupações.

Experimento central da teoria dos jogos

A situação do “dilema do prisioneiro” é utilizada na ciência para testar a disposição para cooperação e comportamento egoístico entre indivíduos. É um elemento central da chamada “teoria dos jogos”, que se baseia na premissa de que o sucesso de um agente não se baseia apenas em sua ação individual, senão da ação de outros atores.

Os participantes de um jogo, segundo o esquema do dilema do prisioneiro, tem duas alternativas de açnao: cooperar com um parceiro ou traí-lo. A forma básica funciona mais ou menos assim: duas pessoas são suspeitas de terem, juntas, roubado um banco. A polícia pode provar contra eles, entretanto, apenas o crime de porte ilegal de armas. Então ela faz a seguinte proposta: Se um deles confessa o roubo, ele não é denunciado e é libertado. Seu cúmplice porém será condenado a 5 anos de prisão. Se os dois confessarem o roubo, ambos recebem uma condenação de 4 anos. Se nenhum dos dois confessa o crime de roubo, ambos serão condenados a 1 ano por porte ilegal de armas. Como os ladrões são interrogados em celas distintas, eles não podem coordenar suas ações. O jogo é realizado em várias rodadas. De modo que os participantes podem levar em consideração o comportamento dos outros em rodadas anteriores em suas decisões.

O original é esse aqui:

Destruktive Dynamik im Handelsraum

Gemäss einer Studie agieren Händler deutlich rücksichtsloser als Psychopathen

 Keystone/AP)

Kweku Adoboli (2.v.l.) nach einem Gerichtstermin in London.(Bild: Keystone/AP)

Im Rahmen einer Arbeit an der Uni St. Gallen ist das Verhalten von professionellen Händlern untersucht und mit dem von diagnostizierten Psychopathen verglichen worden. Die Resultate sind beunruhigend.

Markus Städeli

Das Timing der Studie ist perfekt: In einer MBA-Arbeit an der Universität St. Gallen haben Thomas Noll und Pascal Scherrer das Verhalten von 27 professionellen Tradern untersucht, die hauptsächlich bei Schweizer Banken, aber auch bei Rohstoffhändlern und Hedge-Funds arbeiten.

Sie taten das in einer Art und Weise, die den direkten Vergleich der Resultate mit einer existierenden Studie an 24 Psychopathen in deutschen Hochsicherheits-Kliniken und einer Kontrollgruppe von 24 «normalen» Personen ermöglichte. Die Ausgangs-Hypothese war, dass sich Trader in einem Gefangenendilemma-Computerspiel ähnlich rücksichtslos, egoistisch und unkooperativ wie Psychopathen verhalten würden – dabei aber eine deutlich bessere Performance erzielen.

Diese Annahme ist widerlegt worden, allerdings in einem für die Händler ungünstigen Sinne: Im Computerspiel verhielten sie sich nämlich deutlich unkooperativer als die Psychopathen und deren Kontrollgruppe. Von 40 Spielzügen der Händler waren durchschnittlich mehr als 12 unkooperativ. Die Psychopathen – deren Charakter man vereinfacht als empathie- und verantwortungslos umschreiben kann – hatten sich nur für 4,4 unkooperative Züge entschieden. Bei der Kontrollgruppe lag diese Grösse bei 0,2.

Bei der Performance schnitten die 27 Händler, die von Berufes wegen mit Instrumenten wie Aktien, Derivaten oder Devisen handeln, sogar schlechter ab als die Psychopathen. Zwar maximierten sie ihren relativen Gewinn auf Kosten ihres Computer-Gegenspielers. Doch bei der wichtigen Performance-Grösse – dem absoluten Gewinn – erzielten sie ein leicht tieferes Ergebnis als die Psychopathen. «Wenn man den relativen Gewinn nur dadurch maximiert, dass man den absoluten Gewinn des Spielpartners reduziert, hat das etwas sehr Destruktives», sagt Co-Autor Thomas Noll. Er ist Psychiater und Leiter Vollzug bei der Justizvollzugsanstalt Pöschwies. «Es ist, als malträtiere man das teure Auto des Nachbarn mit einem Baseballschläger, um selber das schönste Auto im Quartier zu haben.»

«Falls sich die Trader im Beruf ebenso unkooperativ verhalten wie in der Gefangenendilemma-Situation, wäre es interessant zu wissen, ob die Handelsabteilungen der Banken derart veranlagte Leute anziehen oder ob die Händler dort zu solchen werden», sagt Noll. Dafür müsste man eine Studie durchführen, in der man Berufseinsteiger mit Händlern vergleicht, die den Job bereits zehn Jahre lang machen. Wie aussagekräftig ist eine Studie mit nur 27 Personen? Weil sie eine so grosse Effektstärke habe, sei sie statistisch gesehen signifikant – trotz der eher kleinen Anzahl von Probanden, so Noll.

Inwiefern von einem Computerspiel auf den Berufsalltag geschlossen werden kann, ist natürlich äusserst unsicher. Immerhin: «Der Vorgesetzte von mehreren Händlern, die als Probanden mitgemacht haben, überlegt sich, ob die Bank im Rekrutierungsprozess nicht auch ein Gefangenendilemma-Spiel einsetzen sollte», sagt Noll.

Es scheint auf jeden Fall sinnvoll zu sein, wenn die Banken der Persönlichkeit ihrer Mitarbeiter viel mehr Beachtung schenken. Denn die Vorstellung vieler Bankmanager, dass man Gefahren im Handel mit neuen Vorschriften beseitigen kann, ist ein Trugschluss.

Das zumindest ist das Fazit einer Dissertation über die Wirkung solcher Regelwerke von Roland Pfyl. Sie wurde ebenfalls an der Uni St. Gallen absolviert, steht aber in keinem Zusammenhang mit der MBA-Arbeit. Pfyl, der die praxisorientierte Doktorarbeit berufsbegleitend schrieb, arbeitet in der internen Revision einer Bank. «Die vielen neuen Vorschriften und Kontrollprozesse haben das Problem nicht gelöst», sagt er. «Im Gegenteil, sie können dazu führen, dass sich die Vorgesetzten in einer Scheinsicherheit wähnen, die Verantwortung an die Risikomanager delegieren und weniger genau hinsehen als früher.»

Es gebe eine Entkoppelung zwischen den Kontrollmechanismen und dem Alltagsverhalten der Bankangestellten. Viele Bankgeschäfte lebten vom Tempo und vom Vertrauensverhältnis zum Kunden oder der Gegenpartei. «Mit zunehmender Kontroll-Dichte ist es praktisch nicht möglich, alle internen Vorschriften einzuhalten. Es wird zunehmend normal, sich in einem Graubereich zu bewegen.» Pfyl hat auch einen vielfach «sportlichen Umgang» mit internen Kontrollen beobachtet. Nach dem Motto: Alles, was nicht verboten ist, ist erlaubt. Das ist kein beruhigender Befund.

 

Zentrales Experiment der Spieltheorie

Die Gefangenendilemma-Situation wird in der Wissenschaft verwendet, um Kooperationsbereitschaft und selbstsüchtiges Verhalten zwischen Individuen zu untersuchen. Sie ist ein zentrales Element der sogenannten Spieltheorie. Diese fusst auf der Erkenntnis, dass der Erfolg des Einzelnen nicht nur vom eigenen Handeln, sondern auch von den Aktionen anderer abhängt.

Die Teilnehmer eines Gefangenendilemma-Spiels haben zwei Handlungsmöglichkeiten: zu kooperieren oder ihr Gegenüber zu verraten. Die (namengebende) Grundform geht etwa so: Zwei Personen stehen im Verdacht, gemeinsam einen Bankraub begangen zu haben. Die Behörden können den beiden allerdings nur einen Verstoss gegen das Waffengesetz nachweisen und machen folgendes Angebot: Wenn einer der Bankräuber gesteht, kommt er nicht ins Gefängnis, sein Komplize jedoch für fünf Jahre. Gestehen A und B die Tat, kommen beide für vier Jahre ins Gefängnis. Wenn weder A noch B gestehen, müssen die beiden – weil ihnen nur der Verstoss gegen das Waffengesetz nachgewiesen werden kann – für ein Jahr ins Gefängnis. Wichtig ist: Die Räuber werden in getrennten Zellen verhört, so dass sie sich nicht austauschen können. Das Spiel dauert mehrere Runden, so dass die Teilnehmer das Verhalten des anderen in den vorherigen Runden in ihre Entscheidungen einbeziehen können. (stä.)

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