China pode registrar déficit

Coluna Econômica – 12/04/2010

Internacionalmente aumentam as pressões para que a China valorize o yuan. Os sucessivos superávits comerciais da China ameaçam o equilíbrio do comércio mundial.

Países com déficits tenderão a desvalorizar suas moedas, para poder competir com os produtos chineses. Esse movimento levará a rodadas sucessivas de desvalorizações defensivas capazes de aumentar as atribulações da economia mundial.

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Na sexta, o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, se encontrou com o vice premier chinês, Wang Qishan, para conversar sobre o tema e as pressões internas, nos EUA, visando pressionar a China para conter seu ímpeto. No ano passado, os EUA acumularam um déficit comercial de US$ 227 bilhões com a China.

A alegação do governo do primeiro-ministro Wen Jianbao é que a estabilidade do yuan e os planos de estímulo do governo chinês ajudaram na recuperação mundial.

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De qualquer modo, em março ocorreu um fato novo. Pela primeira vez, em seis anos, as importações chinesas excederam (em US$ 390 milhões) as exportações, depois de ter registrado um superávit gigantesco de US$ 7,6 bilhões em fevereiro. As importações que mais cresceram foram de commodities e bens de consumo, enfraquecendo os argumentos americanos que a nação está mantendo a sua moeda sub valorizada para ganhar vantagens comerciais.

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A China mantém o yuan em US$ 6,83 desde julho de 2008. Mesmo assim, as exportações caíram durante 13 meses consecutivos, devido à recessão mundial, reduzindo o superávit da nação em 34%, para US$ 196 bilhões.

Essa redução no ritmo das exportações levou as autoridades a repensar a decisão de retirar as medidas de estímulo interno que permitiram acelerar o crescimento, ameaçando criar uma bolha imobiliária, devido à explosão do crédito interno.

Mesmo assim, a China pode anunciar nos próximos dias uma pequena valorização do yuan, que poderia ser comercializado em uma gama maior em relação ao dólar.

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