Ciência e intuição

Enviado por: Wilson

Eita! E não é que meu colega de blog Paulo de Tarso Soares aboliu mesmo a matemática, a certeza e a ciência. Eu sabia que isso ia acontecer.

Paulo, meu velho, a administração vista como uma ciência mecanicista é coisa do fim do século XIX e início do século XX, tempos do taylorismo e do fordismo. De lá para cá a coisa mudou um pouco. A idéia da administração como ciência exata vai pegar mesmo é na crença de que ela é infalível, de que seus modelos resolvem tudo. Sabemos que não é assim, mas nem por isso vamos abandonar as coisas boas que a ciência da administração criou (…)

Penso que o Prof. Mintzberg está querendo dizer que ficar resolvendo estudos de caso tem lá sua validade, mas pode limitar muito o sujeito se ele achar que aquilo é tudo o que ele precisa saber. Se Jan Carlzon fosse um aplicado e fiel aluno de um típico MBA a solução seria outra, a velha e batida receita de cortar despesas, etc.

Veja o que diz o Prof. Mintzberg: o processo tem os dois lados, mas a parte emergente tem sido ignorada. É muito claro que ele não quer jogar no lixo o conhecimento formal, mas este não consegue dar ao administrador um certo instinto, aptidão ou intuição (como a do Com. Rolim citado pelo Antonio Carlos). Quando tudo se resume aos modelos, mesmos os alunos com aptidão se enquadram.

Paulo de Tarso, se subjacente à ciência, reduzida a um “discurso complicado”, “está uma obviedade”, você poderia nos explicar o que nos permite discutir de nossas casas e debater assuntos de nosso interesse sem nem nos vermos. Será que isso é resultado de ciência ou seria, como disse Descartes, um deus ardiloso que nos engana sobre tudo e nada, na verdade, existe? Bem, se for um Deus ardiloso que está me enganando, eu gostaria de pedir a Ele uma banda larga de 10 Gigas.

Já que falamos dele, Deus do céu! desde quando explicar a natureza é estar dentro dela? Quem seria louco de reinvindicar que a ciência seja parte do objeto explicado? Ou é ela uma linguagem, um código que a genialidade humana concebeu para entender a natureza? Alías o homem está onde, fora da natureza?

Se a matemática não explica coisa nenhuma, me diga porque você toma aspirina? Por que você acredita que a pessoa que fala do outro lado do celular de fato existe. Sim, pois se a ciência é esse vazio completo que você defende, espero que você seja coerente para não acreditar na maior parte do que o cerca, é tudo produzido por esta coisa chamada ciência que se resume a um discurso complicado sobre obviedades, nas suas palavras.

Eu já havia cantado a bola de que a física quântica e a teoria do caos entrariam na parada, embora o Marcelo tenha feito as devidas advertências. O anticientificismo e o relativismo científico defendido por parte da academia, especialmente da área de humanas, se deleitam com isso, não entendem, mas adoram citar estas duas teorias para tentar diminuir a importância das ciências exatas. (…)

Por fim, eu discordo mais uma vez do Paulo, acho que tratar as pessoas como seres humanos sempre dá bons resultados, um bom gestor sempre trata as pessoas como seres humamos, inclusive quando tiver que demiti-las. Adoro um filme chamado Nosso Barco, Nossa Alma dirigido por David Lean e Noel Coward, é de 1942 e foi feito sob encomenda do governo britânico para levantar o ânimo dos ingleses, há 3 anos em guerra contra a Alemanha. O capitão do barco do título (interpretado pelo genial Coward) é um exemplo de liderança e ao receber a nova tripulação define seu estilo de comando: devemos ser um tripulação feliz e eficiente. Não é uma boa estratégia de gestão de pessoas?

Feliz 2007 para todos.

Enviado por: Gesil S. Amarante II

Alguém já disse uma vez que a estatística é como um poste: vc pode usá-la para iluminar seu caminho ou para escorar um bêbado.

Quanto à Física e, ademais, qualquer ciência natural, usa-se o modelamento matemático como ferramenta, simplesmente porque estamos tratando de quantidades que são mensuráveis e estamos trabalhando em cima de sistemas reprodutíveis, ou seja, partindo-se das mesmas condições iniciais, chegar-se ia às mesmas situações finais e isso deve ser verificável quantitativamente.

Mesmo com grande sensibilidade a condições iniciais, é possível prever certas “voltas a um certo grau de determinismo” em sistemas caóticos (dentro de certas condições) e a área de controle em engenharia faz muito uso desta ferramenta.

A grande questão é a validade do modelo empregado. Um dado modelo pode muito bem funcionar numa dada situação e ser absolutamente inútil em outra. Não vejo nada de errado na utilização da matemática e na busca de uma determinação “confortável” do comportamento de uma empresa, o que, de certa forma, é o que buscamos quando estudamos as coisas: entender o que acontece para não ser surpreendido pelo futuro e poder tirar o maior proveito possível deste entendimento para nossas intenções…

Toda teoria e todo modelo está, contudo, restrito a sua “janela de validade” e é aí que algumas pessoas são incompetentes, desonestas ou simplesmente falham.

O velho bom senso e principalmente a valorização do capital humano não são prescindíveis mesmo que o seu modelo matemático seja o melhor possível, porque se ele é o melhor possível para hoje, não o será para amanhã. Amanhã você vai precisar daquela ferramenta adaptativa insubstituível até agora, o cérebro.

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