Coluna Econômica: a falsa euforia com os indicadores da indústria

Quando se analisam os mesmos indicadores ao longo do tempo, percebe-se que, mesmo crescendo em maio e junho, estão sistematicamente abaixo de todo o período anterior, com exceção de maio de 2018.

Não há muitos motivos para comemorar os resultados da indústria, divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os destaques foram para o crescimento do faturamento em 9,3% em junho; ou a informação de que se aproxima dos níveis pré-pandemia.

Vamos a uma análise de dois braços da pesquisa: as estatísticas econômicas e a pesquisa de índice de Confiança do Empresário da Indústria.

Os resultados do setor

Na primeira tabela, tem os resultados de cinco indicadores da indústria. Há uma melhoria de todos os indicadores em relação a abril e maio – o que não é novidade, já que refletem a paralisação quase total do setor no início da pandemia.

Na tabela abaixo calculamos o comportamento dos principais indicadores 3, 6 e 12 meses atrás em relação ao último dado, de junho.

As conclusões principais:

Faturamento – está 9,33% acima de maio, mas 7,5% abaixo de dezembro de 2019 e 4,87% abaixo de junho de 2019;

Horas trabalhadas – Meno 4,39% em relação a junho de 2019.

Massa salarial – Quase 10% de queda em relação a junho de 2019.

Emprego – houve um aumento de 8,15% em relação a maio, o que é um bom indicador. Mas 4,36% inferior a junho do ano passado.

Rendimento – a massa salarial cresceu 2,56% em relação a maio.

Quando se analisam os mesmos indicadores ao longo do tempo, percebe-se que, mesmo crescendo em maio e junho, estão sistematicamente abaixo de todo o período anterior, com exceção de maio de 2018.

Vale para Faturamento, Emprego, Horas Trabalhadas e Rendimentos.

Índices de Confiança

Esses índices refletem a maneira como os empresários encaram o futuro.

As tabelas abaixo indicam a diferença percentual entre a data mencionada e o mês de julho de 2020 – último dado da pesquisa.

Confira que, entre todas as regiões, em relação a abril de 2020 há crescimento no Norte (+16,3%), Sul (+5,6%) e Centro (+2,5%), e quedas no Nordeste (-2,7%) e Sudeste (-2,6%).

Mas em relação a dezembro de 2019, a queda é generalizada, entre 33,4% a 42,6%.

Em relação ao porte das empresas, há uma melhora na confiança das empresas de pequeno e médio porte, e pessimismo nas de grande porte em relação a abril. Mas continua muito abaixo dos índices de janeiro de 2020 e julho de 2019.

Na análise por setores, o quadro fica mais nítido sobre o perfil do consumo na pandemia.

Em relação a janeiro de 2020, as maiores quedas foram registradas em Vestuário, Artigos de Couro, Calçados, Celulose, Impressão.

Nos próximos meses, se verá um movimento previsível.

Em uma primeira etapa, novos indicadores de recuperação mensal, meramente porque a economia estava no fundo do poço. Depois, uma recuperação lenta, afetada pela desorganização do consumo interno e pelos baques no comércio internacional.

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