A queda continuada da indústria, por Luis Nassif

A Indústria Extrativa está praticamente no mesmo nível do início de 2016, época de grandes quedas no PIB e nas cotações internacionais de commodities.

Prossegue a caminhada da indústria rumo à década perdida.

De acordo com a Pesquisa Mensal da Indústria (PMI) do IBGE, a Indústria de Transformação está apenas 4% acima do pior momento da primeira queda acentuada da economia, em 2015; e a Indústria extrativa está apenas 2% acima do piso.

Maio de 2021 foi o último mês com crescimento mensal da Indústria Geral e da Indústria de Transformação.     A Indústria Extrativa teve dois meses de crescimento – maio e setembro – mas sofreu uma queda rotunda de 8,62% em outubro.

A Indústria Extrativa está praticamente no mesmo nível do início de 2016, época de grandes quedas no PIB e nas cotações internacionais de commodities.

Na análise por setores, em outubro apenas 7 setores registraram alta, contra 20 setores em queda. Dão 20 setores em queda nos últimos 12 meses, 17 nos últimos 24 meses e 11 nos últimos 50 meses.

A comparação entre as maiores altas e maiores queda, desde outubro de 2021, dá um panorama desolador da situação da indústria.

Apenas um setor apresentou um crescimento relativamente significativo – Produtos de Fumo, com alta de 6,9%. Os demais 5 setores positivos registraram alta inferior a 4%.

No acumulado desde outubro de 2020, as 4 maiores quedas foram superiores a 20%. As 6 seguintes foram superiores a 10%.

Apenas um setor registrou crescimento expressivo, Impressáo e Repropdução de Gravações (21,5%), com 21,5%.

Some-se a esse quadro, a elevação continuada dos preços ao produtos (medida de Pesquisa de Preços Industriais), o aumento da inflação corroendo a renda e a alta dos juros e se terá um quadro complicado em 2022.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

0 Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

antonio cesar perin

- 2021-12-05 11:51:23

Realmente o texto é muito bom e retrata a realidade, Ciro está emparedado pelas qualidades que possui para colocar em prática um Plano que setores dominantes não querem e não aceitam. Os percentuais que atinge em pesquisas nos últimos anos, praticamente não sofre alterações. Esse percentual é composto por uma parcela da população majoritariamente de esquerda intelectualizada e que está convicta que o Brasil realmente precisa mudar. Além do emparedamento pela Direita que não quer um novo Projeto, ou que não entende esse novo projeto, estamos emparedados pelo saudosismo. A parte significativa dos apoiadores do Lula não são de esquerda ou direita, eles migram direto do Bolsonaro para o Lula ou vice versa. Estamos falando do POVÃO, que lembra da época que conseguia comprar o gás de cozinha, do filho que fez faculdade, da casa que financiou, da carne que comia, da gasolina barata e assim por diante. Tal contingente é gigantesco e não consegue ter tempo de se aprofundar em política, ainda mais a Brasileira com toda as suas complicações, ele está lutando para sobreviver e decidirá seu voto por questões práticas. Eu PREFIRO 200 vezes CIRO GOMES, mas a situação não é nada boa.

ze sergio/sorocabanoburaco

- 2021-12-05 11:37:00

Indústrias? "Indústrias são para a Bélgica". '...Uma construção intelectual aberrante imperou no Brasil nos estudos e prática da ciência econômica. Através da herança ortodoxa de EUGENIO GUDIN transportada para o Século XXI através da Escola de Economia da PUC Rio, o Brasil absorveu e transformou em uma espécie de “ciência econômica brasileira” um conjunto de ideias ortodoxas sobre a prática da economia como ciência e operação que não tem paralelo em nenhum outro grande País. É uma espécie de “neoliberalismo caboclo”, atrasado, de lição mal feita por alunos bolsistas brasileiros em universidades americanas, onde a ciência econômica é desligada de contextos culturais e históricos, elos fundamentais para a construção de uma política econômica referenciada no País, na sua geografia, seus recursos naturais e humanos...'(André Motta Araújo/GGN). A tal Industrialização Tardia do Golpe Ditatorial Caudilhista Absolutista Assassino Esquerdopata Fascista de 1930, que se impôs à vontade Soberana, Nacionalista e Democrática do Pensamento Industrial Paulista de Roberto Simonsen. Que Indústrias que tivemos, fora do discurso farsante do Revisionismo Histórico? 91 anos de tragédias, dos quais estamos finalmente e tardiamente Nos livrando. Pobre país rico. Mas de muito fácil explicação.

alex

- 2021-12-05 09:37:31

O que o Nassif chama de "queda" eu chamo de implantação do neoliberalismo. Recomendaria estudar o modelo chileno de 1973 a 1980 período durante o qual TODA a indústria nacional daquele país foi falida premeditadamente para abrir as portas as grandes grupos internacionais que tomaram conta do Chile.... Com Brasil não será diferente o elo perdido é o Guedes.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador