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O desmonte do mercado automobilístico, por Luis Nassif

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O desmonte do mercado automobilístico, por Luis Nassif

Dia desses, assisti a uma entrevista do economista José Roberto Mendonça de Barros. Indagado sobre o fato de multinacionais históricas – como a Ford – terem abandonado o Brasil, voltou ao bordão das “reformas”. Só voltarão quando as reformas devolverem a competitividade à economia brasileira.

Mendonça de Barros é economista bastante experiente para se submeter a bordões de operador de mercado. Sua afirmação faz parte de uma guerrilha ideológica que depõe contra os economistas.

A Ford saiu do Brasil porque o mercado de consumo murchou. Simples assim. 

Poderia alegar que, com as mudanças que ocorrem no mercado mundial, ela não encontrou no Brasil o ambiente para o desenvolvimento necessário dos produtos. Balela! Em outros tempos, a Ford montou parcerias com o IPT e desenvolveu modelos híbridos de boa tecnologia. O IPT continua lá, a Politécnica, as Fundações de Amparo à Pesquisa, a COPPE. Por que não repete a parceria? Porque desde o governo Temer tem ocorrido um desmonte das políticas científico-tecnológicas. Ou seja, não é a falta de reformas: é a destruição de políticas públicas já consolidadas, desmontadas com o aval ou o silêncio de economistas ideológicos.

Mesmo assim, ela poderia permanecer no país garantindo sua fatia (declinante, aliás) de mercado, já que a suposta falta de ambiente afeta todas montadoras igualmente. 

O ponto central da história é a queda do mercado interno, devido às políticas fiscais suicidas implementadas a partir da gestão Joaquim Levy, mantidas pelo governo Temer, somadas ao desmonte das políticas trabalhistas que jogaram enormes contingentes de brasileiros na informalidade. A carteira de trabalho sempre foi peça essencial para a tomada de crédito pelas famílias.

Confira os últimos dados divulgados pela ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Autoveículos).

O acumulado de 12 meses, encerrado em abril de 2014, é 90% superior ao acumulado em abril passado. O licenciamento total – que mede o mercado interno – foi 93.03% maior; a produção interna foi 83% superior; as exportações foram 64% maiores.

Nas análises de tendências, as Curvas de Desempenho, percebem-se dois movimentos.

  1. Nas linhas cheias, a queda acentuada dos principais indicadores de 2017 para cá.
  2. Nas linhas – que medem a variação do acumulao de 12 meses, 3, 6 e 12 meses atrás, percebe-se na produção uma estabilização no curtíssimo prazo (com a linha de 3 meses aproximando-se de zero), uma pequena recuperação das exportações, após uma queda acentuada, e uma taxa de licenciamento ainda com crescimento negativo.

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