O falso boom da produção de caminhões, por Luis Nassif

Há muita fantasia em torno de um suposto boom de venda de caminhões devido ao aumento das exportações.

Nos 12 meses encerrados em abril, houve um aumento no licenciamento em relação a outubro passado, mas ficou 4,39% abaixo de abril de 2020.O licenciamento é a melhor medida para o mercado interno.

Houve aumento, sim, mas nas exportações: mais 26,98% em relação ao acumulado até outubro de 2020 e 14,29% em relação a abril de 2020. Mesmo assim, bastante distante em relação a abril de 2019 – 20,51% a menos (Tabela 1).

Fica mais claro o conjunto de gráficos da Tabela 2.

Tomando por base abril 21 =100, percebe-se que, em relação a abril de 2020, houve uma queda de 106,06 para 100 no licenciamento nacional. A produção de caminhões caiu de 114,21 para 100. Houve aumento nas exportações de 87,50 para 100.

Comparando com outros setores – como automóveis – a queda foi menor (Tabela 3). Tomando abril 2021 = 100, em abril de 2020 o acumulado de 12 meses era 41% maior em licenciamento total, 48% a mais de produção e 28,72% a mais de exportação.

Nos gráficos de tendências (Tabelas 4) percebe-se tendência de recuperação da produção, mas ainda distante do período de 12 meses até abril de 2020 – pegando um período sem pandemia. 

Em relação às exportações, há uma recuperação consistente, mas longe ainda do picos de 2018. E, no licenciamento, uma recuperação tímida, abaixo de um ano atrás.

Por tudo isso, os problemas enfrentados na produção não residem na demanda, mas na dificuldade em conseguir alguns produtos. Aliás, um dos dramas ocultos da crise é a desarticulação das cadeias produtivas.

Tabela 1

Tabela 2

Tabela 3

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