GGN

Os caminhos da crise internacional

Coluna Econômica – 21/11/2011

Em pleno apogeu do financismo, o empresário Paulo Cunha – do Grupo Ultra – estava em Nova York e testemunhou um conversa bizarra entre dois yuppies do mercado financeiro. Um dizia para o outro: “Amanhã vamos detonar o México”.

De fato, no dia seguinte houve uma corrida contra o peso que lançou o país em uma de suas crises frequentes.

Há muitas décadas, Paulo Cunha se consolidou como uma das grandes lideranças industriais do país. Várias vezes cotado para Ministro, sempre recusou. Nesse tempo, transformou o grupo em um dos mais sólidos do país. Há dez anos instituiu programas de qualidade que conferiram ao grupo premiações de vários movimentos pela qualidade – como os de Minas e do Rio Grande do Sul.

Hoje, enxerga a crise com uma definição utilizada por Hélio Beltrão – seu grande companheiro de batalhas – para momentos totalmente imprevisíveis:  temos fato novo.

Por tal, entenda-se os atuais movimentos da Grécia, de submeter o acordo com o Banco Central Europeu a um referendo; as movimentações populares na Espanha e Itália; o esgarçamento do modelo financista que coordenou a economia nacional; a ausência de novas formas de coordenação e a crise política atingindo as economias nacionais.

Para Paulo Cunha, a saída é óbvia: tem que cortar a dívida e os investidores deveriam realizar o prejuízo.

A lógica é objetiva. Durante anos havia dois mundos, o da economia real e o da economia financeira. O excesso de liquidez, os mercados de derivativos, o livre fluxo de capitais criou uma economia financeira muitas vezes maior que a real. O resultado foi a inflação de ativos.

Agora, a crise está aproximando os dois mundos. Está havendo uma deflação. E os especuladores terão que realizar o prejuízo, aceitar o corte no valor das dívidas nacionais – que se tornaram não-resgatáveis em diversas economias. E tudo de uma forma organizada, de maneira a impedir que a crise se alastre mais ainda.

Quando se fala em recapitalização dos bancos, ocorreu uma diluição no valor das ações: penaliza-se o acionista. Mas tem que se ir mais fundo, diz Paulo Cunha, caso contrário não se viabilizará a situação do pagamento das dívidas.

Adicionalmente, tem que se proibir definitivamente os paraísos fiscais e estabelecer limitações ao passeio dos capitais especulativos.

Em sua opinião, o Brasil está sabendo tomar conta de si mesmo. Já se tem uma sociedade civil se organizando cada vez mais, encontrando soluções. Há uma agenda pública em andamento, independentemente dos futuros governantes.

Mesmo assim, há o risco concreto do país perder o bonde, devido à atual política cambial.

Nos últimos dez anos o grupo Ultra ganhou um grau de excelência ímpar – assim como outros grandes grupos nacionais. Hoje em dia, o modelo de gestão das multinacionais estrangeiras no Brasil é motivo de chacota, tal seu anacronismo.

No entanto, o câmbio está matando lentamente o tecido industrial brasileiro. A única inovação praticada pelas empresas é a da compra de equipamentos importados.

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