Como atrair cientistas para o Brasil

Do Último Segundo

Coluna Econômica 23/03/2010

Toda país, quando começa a ter posição  relevante, precisa montar políticas para atração de cérebros.

Nos próximos anos, o Brasil terá dois desafios. O primeiro, de trazer de volta os milhares de cientistas brasileiros que, à falta de ambiente interno favorável, espalharam-se pelos laboratórios do mundo.

O segundo, o de atrair outros cérebros, que queiram apostar em um país que começa a se fazer.

Abri uma discussão sobre esse tema no Brasilianas.org no portal www.luisnassif.com (http://blogln.ning.com/group/aatraodecrebros)

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O primeiro mito a ser derrubado, que é a história de que o cientista brasileiro, bem colocado no exterior, não pensa em voltar. Conversa! Pesquisador no exterior, Mozart Fazito Rezende Filho tenta há anos voltar ao Brasil desde 2006, quando terminou o mestrado na Europa. O máximo que conseguiu foi um cargo de professor substituto em uma Universidade Federal.

Diz ele que há um banzo em todos pesquisadores brasileiros que conhece, invejando o grande Nicolélis, o neurocientista que montou um centro de neurociências em Natal.

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Os problemas são de várias ordens. Há problemas com a burocracia, para revalidação do diploma obtido no exterior. Nas Universidades, o velho esquema de panelinhas impedindo o arejamento do corpo docente.

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Outro leitor, Maicon Saul Faria, já detetou um movimento de atração de cientistas latino-americanos para o Brasil. Quanto aos pesquisadores europeus, as dificuldades são maiores. Instituições como a USP poderia atrair grandes nomes, mas a má qualidade de vida da grande metrópole não entusiasma os candidatos.

Fico mais com a opinião dos leitores Eduardo Altmann e Julio , que considera as condições de trabalho no Brasil competitivas com as universidades de segundo nível da Europa e Estados Unidos. Uma política pública eficiente poderia atrair muitos cientistas para o Brasil.

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Mas se as condições são competitivas – indaga Júlio – qual a razão para tão poucos cientistas estrangeiros no Brasil? Sua resposta é a mesma de Mozart: as panelinhas acadêmicas que fazem dos concursos jogo de cartas marcadas.

Dia ele: “Os editais de concursos são feitos para brasileiros, em geral pedem documentos que só residentes aqui têm. Há verdadeiras aberrações, como não aceitar inscrições pelo correio, só indo pessoalmente na secretaria… Mas mesmo superados os obstáculos dos editais, dificilmente estrangeiros se inscrevem, pois a realização do concurso no mais das vezes é presencial, o que inibe a maioria. E ademais, temos uma aberração total nos concursos de entrada: exames escritos, algo que não existe praticamente em mais nenhum lugar do mundo, com exceção da Itália”.

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Resolvido isso, o que atrairia o cientista, segundo Caio Márcio Rodrigues seria “um projeto conseqüente (ou, talvez uns poucos), inteligível, honesto, persistente e de médio-longo prazos, de pesquisa progressista e harmonizado com o correspondente ambiente internacional de pesquisa.”

Voltaremos ao tema mais vezes.

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