Copom mantém a taxa Selic em 14,25% ao ano

Taxa Selic segue sem mudanças pela sexta reunião consecutiva

Jornal GGN – Em decisão já esperada pelo mercado, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu pela manutenção da taxa básica de juros da economia em 14,25% ao ano. A decisão foi tomada de maneira unânime e sem viés (ou seja, sem sinalização de ajustes no curto prazo).

“O Comitê reconhece os avanços na política de combate à inflação, em especial a contenção dos efeitos de segunda ordem dos ajustes de preços relativos. No entanto, considera que o nível elevado da inflação em doze meses e as expectativas de inflação distantes dos objetivos do regime de metas não oferecem espaço para flexibilização da política monetária”, diz a autoridade monetária, em comunicado publicado logo após a reunião. Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Luiz Edson Feltrim, Otávio Ribeiro Damaso, Sidnei Corrêa Marques e Tony Volpon.

Os juros básicos estão nesse nível desde o fim de julho do ano passado. Com a decisão do Copom, a taxa se mantém no mesmo percentual de outubro de 2006. A Selic é o principal instrumento do banco para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Oficialmente, o Conselho Monetário Nacional estabelece meta de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumulou 9,91% nos 12 meses encerrados em março, depois de atingir o recorde de 11,31% nos 12 meses terminados em janeiro.

Algumas entidades acreditam que a decisão foi conservadora, e incertezas ainda marcam quadro econômico. Segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o Banco Central “adotou uma postura considerada conservadora por muitos e já prevista pela Entidade ao manter a Selic inalterada diante de um cenário ainda muito instável”.

“As dúvidas em torno dos desdobramentos da crise política são tantas que, para a FecomercioSP, ainda não há espaço para o Banco Central baixar juros. Por isso, não se pode considerar conservadora demais a manutenção da Selic em um momento em que a atividade econômica segue em queda, a inflação ainda está elevada e dá apenas leves sinais de desaceleração”, diz a federação, em comunicado, ressaltando que apenas após o desfecho do impasse político é que o Banco Central poderá contar com ambiente melhor para combater a inflação sem ter de manter os juros nas alturas.

Tal visão é compartilhada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), embora a entidade diga que os juros no patamar atual podem dificultar a recuperação da economia e piorar as condições financeiras das empresas.

“Na avaliação da indústria, a decisão do Banco Central provavelmente reflete o ambiente de incerteza política que domina a economia. Isso porque o aprofundamento da recessão, a valorização do real frente ao dólar e a desaceleração da inflação justificariam o início do processo de queda dos juros”, diz a entidade.  “A CNI alerta que o controle sustentado dos preços e a consequente convergência da inflação para a meta depende da combinação da política monetária com uma política fiscal austera. A concretização do ajuste fiscal efetivo ajudará a controlar a demanda e restabelecer a confiança dos agentes econômicos, afastando o risco de uma trajetória insustentável da dívida pública”.

 

(com Agência Brasil)

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