Crédito para agricultura familiar garante 80% das compras de pequenos tratores

São Paulo – Dados do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) apontam que linhas de crédito para a agricultura familiar foram responsáveis pela aquisição de 80,7% dos equipamentos rurais de pequeno porte em 2009. Com isso, o Mais Alimentos, vinculado ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) vem sendo decisivo para garantir crescimento de 25% ao ano no segmento da indústria de pequenos tratores e outros equipamentos.

As informações do MDA abrangem apenas os motocultivadores e tratores de 11 a 78 cavalos por meio do Mais Alimentos. Por isso, a participação da agricultura familiar como público dos pequenos equipamentos rurais tende a ser ainda mais significativa.

O aumento da demanda representa um papel de destaque no crescimento do segmento, segundo a Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

De acordo com José Carlos Pedreira de Freitas, diretor-adjunto da CSMIA, 75% dos produtores rurais no país são agricultores familiares. “Existem no Brasil algo como 5,3 milhões produtores rurais e entre 3,5 e 4 milhões são agricultores familiares”, calcula.

Relatório do MDA aponta que ao longo de quase dois anos do programa Mais Alimentos foram firmados 100 mil contratos, totalizando R$ 4 bilhões. A linha de crédito específica para a modernização da infraestrutura produtiva na agricultura familiar garantiu a venda de 30,8 mil unidades de tratores e motocultivadores. No caso de caminhões, o volume é menor, de 539 unidades.

Segundo Freitas, da Abimaq, o programa também foi responsável pela venda de R$ 900 milhões em implementos agrícolas. Versões anteriores de programas de financiamento não incluíam arados e outros acessórios necessários para que os equipamentos sejam aproveitados mais amplamente.

Outro indicador desse crescimento é que a Agrishow deste ano, principal feira voltada à tecnologia agrícola realizada no país, reservou um espaço de 1.800m² para o Feirão Mais Alimentos. A proposta era garantir um setor para atender o agricultor familiar. A iniciativa gerou, segundo a Abimaq, faturamento superior a R$ 4 milhões.

A participação na produção industrial de motocultivadores e tratores de até 78 cavalos cresceu nos últimos anos. Em 2008, o segmento representava 33% do setor de máquinas agrícolas e no ano passado atingiu 48%, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Novos mercados

A liberação de crédito para a agricultura familiar levou as indústrias de máquinas e implementos agrícolas a desenvolverem produtos específicos para esse público, revela Freitas. “Antes, os pequenos não tinham acesso ao crédito rural, eram esquecidos, meio alijados do processo”, recorda. “Depois com o desenho de programas específicos para esse perfil de agricultor, acabou criando um mercado de máquinas e implementos agrícolas voltados para o agricultor familiar”, atesta.

O diretor da CSMIA cita que a agricultura familiar passou a chamar a atenção tanto de empresas especializadas no segmento como de grandes indústrias que passaram a desenvolver linhas especiais de produtos.

Entretanto, o representante do setor analisa que o segmento ainda tem necessidades que precisam ser atendidas. “Nossa proposta é estimular políticas que reconheçam as diferenças entre segmentos e agreguem valor aos produtos da agricultura familiar”, discorre. Ele sustenta que os agricultores familiares precisam de auxílio para transformar, processar e comercializar seus produtos.

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/economia/agricultura-familiar-e-responsavel-por-mais-de-80-do-comercio-de-pequenos-tratores

 

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