Uma discussão sobre terrorismo

Do Portal Luís Nassif

Do Blog de Marco Fernandes

Afinal, o que é Terrorismo?

Buscando a resposta para essa pergunta, lembrei-me de um documentário rodado em 2005 por Sigfrido Ranucci para a TV estatal italiana, RAI.

Todos se lembram que a justificativa para a invasão do Iraque foi o fato de que Saddam Hussein estava de posse de armas de destruição em massa, e que usava armas químicas contra populações civis. Quando as tais armas não foram encontradas, e os jornalistas começaram a pressioná-lo, Bush teria respondido:

– Eu tenho certeza que as armas existem. Eu mesmo as vendi para ele!


Por trás dessa piadinha boba, esconde-se uma triste realidade: o uso sistemático de armas químicas pelos Estados Unidos contra populações civis, em sua longa história de agressões por esse mundo afora. O documentário começa mostrando a famosa menina vietnamita que caminha nua pela estrada, com o corpo salpicado por napalm. Nos anos 70, essas imagens chocaram o mundo, e ajudaram a por fim à guerra, quando a opinião pública americana não teve mais estômago para continuar apoiando o genocídio no Vietnam (o napalm é uma geléia de gasolina que gruda no alvo, e queima até reduzi-lo a cinzas).

Depois dessa macabra introdução, o documentário salta dos anos 70 para a invasão do Iraque. O quê mudou de lá para cá? Segundo as investigações da jornalista italiana Giuliana Sgrena, os Estados Unidos modernizaram-se desde então, mas o espírito da coisa continua o mesmo: a arma química do momento é o fósforo branco. Se você tiver estômago para ver o documentário até o fim, terá uma pequena idéia dos efeitos dessa maravilha tecnológica, quando aplicada sobre um ser humano.

(Giuliana Sgrena obteve fama mundial em 2005, quando trabalhava como correspondente de guerra no Iraque. Sequestrada pelos rebeldes em 4 de fevereiro de 2005, ela foi libertada após um mês de cativeiro. Quando preparava-se para deixar o Iraque, seu carro foi metralhado no caminho do aeroporto, por militares americanos. O general italiano Nicola Calipari, especialmente destacado para escoltá-la, morreu no incidente, mas Giuliana escapou milagrosamente com vida. Os Estados Unidos pediram desculpas formais mas, ao chegar à Itália, Giuliana disse não acreditar que aquilo havia sido um acidente.)

No documentário, as denúncias de Giuliana são confirmadas pelo soldado americano Jeff Englehart, que serviu no Iraque, e ficou revoltado com o que viu por lá. Segundo ele, no ataque à cidade de Fallujah, foram usadas toneladas de fósforo branco, e as ordens eram para matar todo mundo que tivesse entre 18 e 65 anos de idade. A princípio, os Estados Unidos negaram o uso de fósforo branco na ofensiva, mas depois calaram-se diante das provas incontestáveis. O uso da substância foi também observado nos ataques de Israel ao Líbano (2006) e à faixa de Gaza (2008-2009). As autoridades israelenses não negaram o fato, e alegam que as leis a esse respeito não são muito claras.

Afinal, digam-me, o que é terrorismo?

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