De volta para o controle de câmbio, por André Araújo

Por André Araújo

DE VOLTA PARA O CONTROLE DE CÂMBIO – O mecanismo de conversão de moedas conhecido como Plano Real, implantado em 1994, executou uma equação de troca gráfica da moeda circulante sem no entanto reformar as causas anteriores que geraram o processo inflacionário. Em 1995 foi iniciado um longo ciclo de internacionalização financeira da economia brasileira, com a desmontagem de um sistema de controle de câmbio que de diferentes formas existia a partir de 1931 e fortaleceu-se especialmente entre 1950 e 1970. Hoje, com o regime de câmbio flutuante, a economia brasileira está inteiramente internacionalizada com completa liberdade da conta capitais e nesse modelo está vulnerável a uma crise de grandes dimensões no setor externo da economia que por reflexo trava o setor doméstico.

Há no Brasil um volme em torno de US$700 bilhões de investimento estrangeiro direto registrado e o País tem uma dívida externa pública e privada em torno de US$500 bilhões, portanto há um passivo externo de US$1,2 trilhões no Brasil.

As reservas de US$370 bilhões não são suficientes para enfrentar uma fuga de capitais se boa parte do investimento externo solicitar repatriamento e cumulativamente atender ao serviço da dívida externa, além de garantir as importações necessárias ao abastecimento do País. Há também uma enorme conta de serviços não financeiros a pagar todo ano, como royalties, fretes, turismo, ensino, missões de paz da ONU, embaixadas, serviços de saúde.

As regras do Fundo Monetário Internacional (aqui) preveem o controle de cambio quando necessário. Os demais países do BRICS, Rússia, China, Índia e África do Sul não internacionalizaram sua economia financeira como o Brasil.

A China internacionalizou sua economia produtiva, mas não a financeira em grande escala. O Brasil é portanto o mais vulnerável dos BRICS porque mantém aberta a porta de entrada e saída de capitais mas com a degradação do rating do País a tendência é haver mais saídas do que entradas, abrindo-se uma zona de alto risco no lado cambial.

A internacionalização financeira não foi boa para a economia brasileira. O País perdeu metade de seu parque industrial, a participação da indústria no PIB de 1995 a 2014 caiu de 21% para 10% do PIB, grande parte dos investimentos diretos de capital estrangeiro não agregou capacidade produtiva nova, foi utilizado para compra de empresas existentes, especialmente no setor de serviços. Faculdades, hoje o maior grupo de ensino superior, com mais de um milhão de alunos é de controle estrangeiro, redes de restaurantes, só uma empresa tem 300 no Brasil, escolas, hospitais, planos de saude, um dos maiores negócios do mundo em 2013 foi a compra da AMIL pela United Health por US$5 bilhões, empresas de turismo (CVC), redes de farmácia (Onofre), empresas de construção de apartamentos (Brooksfield), de prédios comerciais (Tishman Speyer), de administração de prédios (Cushman & Wakefield), de seguros, lojas de especialidades (Tok & Stok), concessionárias de automoveis, negócios que eram nacionais foram internacionalizados, com os antigos donos recebendo altos valores que em grande parte foram para fora do País, criando-se então aqui nova base para remessas de dividendos e lucros sem nenhuma capacidade nova.

Setores tradicionalmente brasileiros como açúcar e álcool já estão sendo comprados por estrangeiros, já com 30% de participação e crescendo a todo ano. Por outro lado, tradings estrangeiras dominam o agronegócio brasileiro, financiando, fornecendo insumos e comercializando a produção de forma avassaladora. Mudanças de legislação estão no Congresso para aumentar participação estrangeira em aviação comercial e compra de terras.

Todo esse processo de internacionalização financeira fez parte do Plano Real e com esse processo criou-se toda uma grande comunidade de executivos, economistas e advogados brasileiros umbelicalmente ligados ao capital e aos interesses estrangeiros, do qual são dependentes e a quem defendem ideologicamente.

É por causa dessa internacionalização, maior no Brasil do que em qualquer outro dos BRICS, que a taxa de juros básica não pode baixar e ficando no patamar dos mais altos do mundo, estrangula a economia brasileira porque o empresário nacional não consegue se financiar a taxas duas ou três vezes maiores que a SELIC, enquanto as empresas estrangeiras se financiam com suas matrizes ou com bancos de seus países a taxas de 3% ao ano.

A internacionalização financeira não foi seguida por nenhum dos tigres asiáticos, nem Índia ou China, enquanto o Brasil tornou-se refém dessa internacionalização, o que estrangula a economia e a impede de crescer.

A saída para diminuir o risco de uma fuga de capitais que pode ocorrer em situações de economia frágil é restabelecer um sistema de controle de câmbio na conta capitais. No comércio exterior a liberdade cambial tem que ser mantida por conta dos acordos da OMC, MAS é possível haver um controle legítimo que foi abolido pela prevalência a partir do Governo Collor relativamente a quantidades, preços, qualidade e adequação de importações e exportações.

O comércio exterior brasileiro é hoje um gigantesco campo de fraudes de super e subfaturamento, servindo em boa parte para lavagem de dinheiro e exportação ilícita de capitais com sonegação fiscal. O Brasil já teve um dos mais sofisticados sistemas de controle de comércio exterior (a CACEX), substituido hoje pelo DECEX, que não tem uma fração da experiência e capilaridade da antiga CACEX.

Com o controle de câmbio será possivel baixar os juros básicos e forçar a baixa de juros de todo o sistema bancário, que em termos reais nunca foi tão alto na História do Brasil, nos tempos de inflação o juro real era infinitamente menor e com isso o Brasil cresceu em todo o periodo inflacionário, especialmente na indústria, a taxas das maiores do mundo.

A população e a economia produtiva brasileira, que é a que dá empregos, nada ganharam com a internacionalização financeira, ao contrário. Ganharam todavia um importante núcleo de profissionais ligados a esse processo e que hoje são os grandes críticos e pessimistas da economia não ligada a essa internacionalização, esses profissionais maximizam os defeitos reais da economia produtiva e da operação governamental e não se preocupam com os problemas que a internacionalização da economia produziu para o conjunto da população brasileira, a maior das quais é a necessidade de manter altas taxas de juros, o que acaba por prejudicar todo o conjunto da economia e também os cidadãos que se endividam em cartões de crédito, empréstimos parcelados e compras a crédito.

Uma reavaliação da política econômica brasileira deve passar pela revisão do papel da internacionalização da economia financeira, onde uma agência de rating passa a ter uma importância que jamais teve antes numa economia mais robusta do que hoje no Brasil dos anos 50, 60 e 70, onde, apesar de alguma inflação havia pleno emprego e grande crescimento industrial, social e de infra estrutura, esses foram anos em que foi erguida a maior parte da infra estrutura que existe hoje no Brasil.

O manejo do controle de câmbio é uma arte onde o Brasil tem grande expertise, pode ser executado de modo soft e civilizado através de estruturas que ainda existem no Banco Central, como a FIRCE (Fiscalização e Registro de Capitais Estrangeiros).

A centralização e controle de câmbio conviveu no Brasil com grande volume de investimentos estrangeiros PRODUTIVOS chegando e aqui se implantando sem maiores problemas com esse controle, com o qual conviviam perfeitamente. Havendo grande mercado, as empresas estrangeiras se adaptam a qualquer regime cambial organizado, como foi sempre o do Brasil, desde a SUMOC até a FIRCE, organismos com pessoal altamente qualificado, eficientes e respeitados, numa época em que o Brasil encorpou sua economia com maiores defesas do que hoje.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

57 comentários

  1. Dez estrelas

    Posso discordar do André em vários assuntos, mas tiro o chapéu para ele no que diz respeito a sua defesa do Brasil. Ele é um nacionalista de quatro costados.

  2. Concordo, discordo de muitas

    Concordo, discordo de muitas coisas, mas ele é um nacionalista e seus artigos (principalmente as “efemérides”) são muito interessantes e sempre nso levam a pensar

    Como agora, depois de ler este sartigo, dá paar perceber como foi danoso, lesivo e trevoso o período de FhC 

  3. herança maldita de tucanos corruptos:

    “Todo esse processo de internacionalização financeira fez parte do Plano Real e com esse processo criou-se toda uma grande comunidade de executivos, economistas e advogados brasileiros umbelicalmente ligados ao capital e aos interesses estrangeiros, do qual são dependentes e a quem defendem ideologicamente.”

  4. Prezado André, Você joga luz

    Prezado André, Você joga luz em um assunto espinhoso, que é o controle do câmbio. A internacionalização financeira no Brasil é criminosa.

  5. Num sistema democrático isto não acontece.

    O Brasil não possui povo com coragem para fazer isto.

    É um país colônia eternamente.

    E não adianta falar que vai fazer pois é uma medida suicida.

  6. 8 anos de FHC e 13 de PT

    8 anos de FHC e 13 de PT. Misericórdia!

     

    Várias vezes apontei neste blog que os juros altos têm por fim atrair capital estrangeiro  para compensar os enormes deficits nas transações correntes com o exterior, deficits que têm origem no câmbio supervalorizado. Neste post, o AA expõe a questão de forma ampla e com conhecimento técnico do assunto e da história econômica do Brasil. O inacreditável é que essa política tem suicida tem sido mantida desde 1994, oito anos do governo incompetente de FHC e treze anos do governo beócio do pt. 

    • Apreciar o dólar no governo

      Apreciar o dólar no governo FHC era fácil, como demosntrado após o golpe da reeleição.

      Agora no governo Lula, com o preço das commodities na lua, e os dólares entrando a rodo, como fazer?

      A criação da enorme reserva em dólares (quase 400 bilões) foi uma saída. Mas fora essa o que mais poderia ser feito pra segurar a apreciação do real?

      Decretar uma faixa para o dólar, por decreto pode ser feito, mas se sustenta?

       

  7. A discussão foi iniciada!

    E tinha que ser pelo AA no GGN.

    Espero que Luis Nassif vai usar esse ensaio para continuar uma discussão que é de fato sobre um projeto de pais, que até as “cabeças pensantes” do PT foram e ainda estão incapazes de fazer.

    Esperar algo do PSDB é inútil, todos lá dependem dos $$$$ das tais empresas “off shore”.

    • Meu caro Lionel, o controle

      Meu caro Lionel, o controle de cambio permite inverter a politica monetaria porque reduz a necessidade de juros altissimos para segurar o capital estrangeiro e com isso dá para soltar o credito e o financiamento da economia, o país então potencializa seus recursos internos que existem em abundancia mas estão travados pela internacionalização financeira.

      • Assunto importante

        Como o Lionel disse, gostaria de ver muita discussão sobre este assunto.

        Tenho dúvidas sobre o efeito do controle do câmbio sobe a taxa de juros, principalmente os juros na ponta (empresas e consumidor).

  8. Controle do Cambio

    O André tocou na ferida que o PSDB tenta, sem exito para os entendidos, esconder da população:- a nefasta polirica entreguista e a privataria do Governo FHC. Alem deste senhor esconder sua verdadeira personalidade eivada de uma vaidade sem tamanho tenta ainda esganar a todos seu perfil subserviente aos interesses do grande capital e grupos empresariais apátridas. Também tentou pousar de criador do Plano Real , cujo real timoneiro foi do grande brasileiro Itamar Franco, o melhor presidente dos últimos 50 anos da história do Brasil.Dito ¨sociologo¨nada mais será, na historia a ser escrita do Brasil deste periodo, que um lamentável erro de escolha do Presidente Itamar.Sua reeleição comprada de sua base parlamentar da època, suficientemente comprovada pelos próprios adquiridos, dá bem uma ideia de sua outra face hipócrita, quando levanta hoje suas criticas aos procedimentos do partido adversário.

  9. Taxa juros interna

    Temos que concordar que a intecionalização da nossa economia se fez pela intercionalização do sistema financeiro, ou seja, os grupos econômicos adquiriram as empresas nacionais existentes sem que se criasse novas empresas. Agora, esta explicação sobre a alta taxa de juros em face da internacionalização da economia não faz sentido. Exitem diversas explicações para as nossas altas taxas de juros, mas por causa da internacionalização não sentido do ponto de vista econômico.

    “É por causa dessa internacionalização, maior no Brasil do que em qualquer outro dos BRICS, que a taxa de juros básica não pode baixar e ficando no patamar dos mais altos do mundo, estrangula a economia brasileira porque o empresário nacional não consegue se financiar a taxas duas ou três vezes maiores que a SELIC, enquanto as empresas estrangeiras se financiam com suas matrizes ou com bancos de seus países a taxas de 3% ao ano.”

     

    • Os juros são altos nas

      Os juros são altos nas aplicações de renda fixa balizadas pela SELIC, não são apenas titulos do governo mas tambem Certificados de Depositos referenciados no CDI que é balizada pelo juro pago pelo melhor risco do Pais, o Tesouro, PORQUE não há poupança interna suficiente para financiar o giro da divida publica e então o Tesouro passa a depender de investidores estrangeiros, geralmente FUNDOS HEDGE, que tomam dinheiro a 3% ao ano e aplicam aqui a 14.25% correndo o risco cambial, este ano perderam dinheiro. Como o cambio é flutuante e a conta de capitais é de livre movimentação, há uma imensa demanda para SWAPS CAMBIAIS e esses precisam de juros altos para se viabilizar. O custo dos SWAPS para o Banco Central este ano vai dar uns 120 bilhões de Reais, 2% do PIB. TUDO ISSO PRECISA DE JURO ALTO e TUDO ISSO EXISTE POR CAUSA DA INTERNACIONALIZAÇÃO FINANCEIRA DA ECONOMIA BRASILEIRA.

      • Prezado André, o Banco

        Prezado André, o Banco Central possui quase US$ 400 bilhões em reservas, uma das maiores do mundo. Por quê ele não as utiliza para reduzir o déficit fiscal e, ao mesmo tempo, coibir a especulação? A sensação que se tem é de um banco central extremamente passivo com armas poderosíssimas em mãos.

        • Porque as reservas

          Porque as reservas internacionais não são ativo do Tesouro, são do BANCO CENTRAL, que é uma instituição separada do Tesouro.  As reservas internacionais são caixa do Banco Central e tem como contrapartida os Reais devidos aos bancos por conta do recolhimento do compulsorio, então jamais poderiam ser transferidas ao Tesouro como se receita deste fosse para reduzir o deficit fiscal, alem do que esse caixa só existe uma vez, não é fluxo. Fora isso, as reservas são uma blindagem de proteção do Pais e não podem ser queimadas,são mais importantes do que o deficit fiscal.

          Essas reservas não são tão grandes, a Russia com um PIB menor que o nosso tem US$650 bilhões e a Russia tem um passivo externo muito menor que o nosso.

      • mamma mia, juro alto existe

        mamma mia, juro alto existe por causa do deficit fiscal, não é por causa da internacionalização da economia (banana NAO come macaco, poste NAO faz xixi no poste), que precisa de alguma forma de financiamento, se não for por emprestimo (juro alto) é por inflação… 

  10. Existem mais “coisas” além de “Teimosia”, “Mandona”, etc…

    Parabéns André.

    Ao apresentar uma Visão da Política de Controle Cambial do Brasil em relação aos Brics, um instrumento pouco conhecido, e fazer uma “continha” simples sobre a eficácia do Colchão de Reservas Cambiais em uma Crise “de Verdade”, escapa-se da mera discussão de “picuinhas” em relação a “Personalidade” da Presidenta, “Necessidade de Gestão Participativa” (onde só tem Analista, Político e Empresário, todos “Traíras”), “Reconhecer os Erros”, “Ausência de uma Visão de Longo Prazo”, etc.

    O próprio Post do Nassif sobre o Nelson Barbosa questiona o Timing das Medidas de Ajuste.

    https://jornalggn.com.br/noticia/ministro-nelson-barbosa-explica-ao-ggn-a-logica-do-ajuste

    Isso repete Keynes: “No longo prazo estaremos todos mortos (ou algo assim)”.

    E, as Movimentações Cambiais, em Velocidade de Doc/Ted Bancário, podem contribuir para “ferrar” este Timing.

  11. Complexo de vira latas

    A argumentação do André faz sentido quando consideramos os brasileiros como cidadãos de segunda classe, incapazes de competir em igualdade com os estrangeiros.

    O ponto onde ele fala que as multi pegam dinheiro barato no exterior para deslocar os brasileiros é o mais sintomático disto.

    Cabe a nós baratear-mos o dinheiro por aqui e bloquer os impostos sem contrapartidas, como os lucros que o dinheiro eletrônico desviam para estes exploradores, feito isto, podemos competir em igualdade.

    Agora, na minha opinião, o exemplo têm de partir do Governo, dando Rumo, Norte e Estrela, com isto corações e mentes por aqui se alinham e baixa o faxo deste pessoal entreguista.

  12. O Paulo Nogueira Batista Jr.

    O Paulo Nogueira Batista Jr. já vem falando de controle cambial há anos…

    Mas não adianta, é tabu!

    E não são somente interesses concretos, não. Há obstáculos ideológicos que recrudescem a cada vez que se toca no assunto.

    Nessa, aliás, talvez tenha faltado “apetite de campeão” ao PT. Deveria ter forçado a mudança de regime no dia seguinte ao “Fora FMI!”.

  13. Uma coisa ótima passou essa

    Uma coisa ótima passou essa semana e nem sequer foi tocado pela mídia.

    http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/ECONOMIA/496793-MP-ELEVA-IMPOSTO-SOBRE-GANHO-DE-CAPITAL-PARA-PESSOA-FISICA-E-OPTANTE-DO-SIMPLES.html

     

    Os epeculadores agora vão pagar 30% quando estiverem com lucro acima de 20 milhões. Eu colocaria ainda uma emenda: que a alíquota seja de 50% quando passar de 50 milhões.

    Proporia também quarentena pra capital especulativo que fature mais de 500 milhões. (E se pudesse cadeia pra quem fatura 1 bi em operãção de especulação 🙂

    • È APENAS para optantes do

      È APENAS para optantes do SIMPLES e refere-se a lucros de capital, não tem nada a ver com juros sobre aplicações financeiras em papeis publicos e de investidores do exterioR.

  14. Vemos que a desintegração do

    Vemos que a desintegração do desenvolvimento, em outras palavras, possui uma forma não tão limitada quanto os da comunidade que o tenta constituir.

  15. que samba do advogado doido,

    que samba do advogado doido, se a economia financeira brasileira está internacionalizada, qual o interesse desses grupos todos em promover uma fuga massiva de capitais.. iriam todos pro buraco..cada uma..

    • Ninguem tem interesse algum

      Ninguem tem interesse algum em provocar fuga de capitais, muito ao contrario.  As crises não são provocadas porque alguem tem interesse, elas acontecem por desequilibrios nas variaveis , os agentes economicos buscam proteção por medo de perdas maiores, as crises da decada de 90, Mexico, Coreia do Sul, Tailandia, Russia, estão ai com seus roteiros de reações a pergios, sustos, falta de segurança, desconfiança nos governos e nas moedas.

      As crises e as fugas são espamos reativos a perigos assim percebidos pelos agentes economicos.

      • André, tem uma variável que estás esquecendo, a exportação.

        Com a depreciação do Real (espero que chegue a R$5,00 o Dólar) esta invazão de produtos estrangeiros vai a breca logo, logo.

        Não estou falando nas massas pois a nossa produção de trigo é insuficiente, mas ervilhas e outras frescuras vão para o espaço mais cedo do que todos pensam. O que seria interessante era verificar nos supermercados, onde a reação é mais rápida, quanto já deve ter diminuído a quantidade de produtos importados, por outro lado a capacidade de aumentar a exportação é muito rápida, na carne de gado, por exemplo, a choradeira dos pecuaristas já acabou. Mas não é só nos produtos primários, a indústria téxtil também vai reagir rapidamente, principalmente nas confecções. Há muito produto exportável no Brasil, e com mais algum tempo com o Dólar no valor real, isto vai ocorrer.

      • aa, cara, estamos longe

        aa, cara, estamos longe disso, dificilmente um agente minimamente informado pensaria em repatriar divisas, nada a ver com crises da coreia, mexico, russia, etc. não há desequilíbrio com relação à quantidade de divisas, bem o mal temos fluxo continuo garantido pelo agronegocio.

  16. mais uma do samba do advogado

    mais uma do samba do advogado doido, as taxas de juros refletem a situação fiscal, o que tem controle de cambio a ver com taxa de juros de longo prazo (a que importa na economia).. por posts como esse que vemos o porquê dessa situação de crise persistente no brasil.. tem sempre um çabio pra palpitar em economia

    • http://searchworks.stanford.e

      http://searchworks.stanford.edu/catalog/citation?id=6302137

      A correlação entre CAMBIO E TAXAS DE JUROS é um dos poucos dogmas onde economistas ortodoxos e heterodoxos concordam. A interrelação é ABSOLUTA, cambio influencia juros e vice versa, a literatura academica é abundante sobre esse tema, basta chamar no GOOGLE.

      Quando ao “advogado doido”, os livros dele se vendem nas melhores livrarias do Brasil, Cultura, Vila, Travessa, Saraiva,

      nas livrarias virtuais AMAZON, Folha, Submarino e nos EUA nas livrarias de 27 das principais universidades, procure no site SEARCHWORKS para ver a relação das universidades, a distribuição ´é feita pela STANFORD UNIVERSITY LIBRARY,

      que tem lojas fisicas na propria universidade perto de San Francisco, de tamanho maior que a Cultura de SP e na suas filiais de Los Angeles e Chicago. Para confirmar basta acessar o Google com o nome do livro e do autor.

      O advogado não parece ser tão doido assim.

      • caro, a taxa de juros de

        caro, a taxa de juros de longo prazo é definida fundamentalmente pela política fiscal, o que parece bastante sensato, pois em última análise a taxa de juros base da economia é usada no financiamento fiscal do governo.. existe claro uma correlação entre câmbio e juros, mas predominantemente no curto prazo..

        quanto ao seu livro, pode ter certeza que a teoria defendida por vc já está morta há muito tempo na academia norte americana, só sobrevivendo em poucos países e lugares, argentina, venezuela, no brasil unicamp e ufrj..aa únicas explicações que encontro para o seu livro estar à disponível em stanford: (i) a compra foi feita por meio de software que identificou o assunto (duvido que alguém lá o tenha lido); (ii) como exemplo para a academia do nível ainda atrasado em que se encontra a teoria macroeconomica em países da américa latina.. vai por mim, essa idéia de que “moeda e progresso” estão relacionados já foi refutada mas há muito tempo nas universidades americanas, desde os anos 70.

  17. Engano

    A queda da indústria se deu não pela internacionalização do Plano Real, mas por ideologia que acha que intervenção estatal é mais benéfica do que ambiente de negócios.

    Tanto que no período FHC exportávamos celulares e agora nem agulhas.

    • A industria diminuiu porque o

      A industria diminuiu porque o Brasil passoua a importar aquilo que fabricava aqui, devido à exagerada apreciação do REAL. Importamos da França milho, ervilha, hortaliças, basta ir ao Carrefour e Pão de Açucar, nos supermercados tem mais chocolate importado do que nacional, café da Italia, as capsulas Netspresso são importadas, tinhamos 600 tecelagens, onde não tem 50, confecções hoje são 60% importadas, remedios importados em enorme escala, pasta de dente vem muito do Mexico, suco de laranja da Africa do Sul, a preço quase igual ao nacional (Casa Santa Luzia),

      macarrão italiano domina o mercado, sorvete da Italia e EUA, a industria nacional foi esmagada pelas importações nos ultimos dez anos, não tem nada a ver com ideologia e sim com CAMBIO.

    • Não entrei na discussão, nem vou entrar porque não …

      Não entrei na discussão, nem vou entrar porque não tenho conhecimento para tanto, mas dizer que o Brasil exportava celulares e que não os exporta mais por intervenção estatal é uma piada.

      Primeiro pelo que eu saiba nunca exportamos celulares e isto não ocorre pois não há investimento privado em áreas de alta tecnologia e com a sofisticação cada vez maior nem a Finlândia que se dedicava expressamente com isto está tendo problemas. O problema tecnológico não está sendo levado em conta em toda esta arquitetura, pois enquanto havia reserva de mercado só produzíamos equipamentos obsoletos, no momento que houve a abertura de todos os mercados não tínhamos como concorrer.

      Tem muita coisa atrás de tudo isto, inclusive nas opções políticas dos países, por exemplo, há a Inglaterra que tinha uma indústria sofisticada e abriu mão desta enquanto a França procurou manter. Quem está certo? Não sei. Mas desindustrialização e falta de tecnologia nacional não é algo fácil de falar. Acho que comentários como o feito não quer dizer nada.

    • Calvin, para não ficar apenas no pessoal mais à esquerda,

      até o André Araujo trucidou o teu comentário. A ideologia cega não faz bem, nem aos comentários.

  18. Setor Externo

    Banco Central do Brasil—NOTA PARA A IMPRENSA – 22.9.201—–ZIP – 187 Kb(.xls)
    ——III – Dívida externa
    A posição da dívida externa bruta estimada para agosto totalizou US$346 bilhões, redução de US$3,2 bilhões em relação ao montante apurado para junho de 2015.
    A dívida externa estimada de longo prazo atingiu US$287,1 bilhões, redução de US$2,2 bilhões,
    enquanto o endividamento de curto prazo somou US$58,9 bilhões, diminuição de US$1 bilhão no mesmo período.

    Dentre os determinantes da variação da dívida externa de longo prazo no período, destacam-se os empréstimos líquidos tomados pelo setor financeiro, US$2,4 bilhões, a amortização de títulos do governo, US$1,3 bilhão, e as reduções decorrentes de variações por paridades e preços, US$1,4 bilhão e US$1,5 bilhão, respectivamente.
    A variação da dívida externa de curto prazo no período é explicada, principalmente, por amortizações de empréstimos tomados pelo setor não financeiro, US$839 milhões.

    URL:
    http://www.bcb.gov.br/?ECOIMPEXT
    http://www.bcb.gov.br/?ECOIMPHIST

    • A divida externa de LONGO

      A divida externa de LONGO PRAZO não é a unica obrigação externa do Pais. Há os CONTRATOS DE LEASING que

      tambem são divida sobre outra moldura, as SONDAS da Petrobras, mesmo as fabricadas no Brasil, estão sob contratos de leasing financeiro externo com obrigações em dolares, idem os AVIÕES da TAM, GOL, AVIANCA e AVIANCA, 900 jatinhos,

      hpa leasings externos de EDIFICOS comerciais. Essa divida contratual deve estar hoje em US$65 bilhões.

      Alem da divida externa de longo prazo há a de CURTO PRAZO, basicamente o FINANCIAMENTO DO COMERCIO EXTERIOR,

      cahamada “divida comercial”, é um numero superior a US$100 bilhões e que não está no registro de divida externa de longo prazo.

      O numero que apontei de US$ 500 bilhões é bem conservador, é mais do que isso.

      • Leilões de dólares com compromisso de recompra

        Os contratos de leasing estão registrados na conta serviços, no item aluguel de equipamentos(anexo, abaixo) cerca de US$ 22 bilhões em 2015, de jan-ago US$ 14 bilhões.

        Os contratos do comércio exterior estão coberto pelas exportações(US$ 225 bilhões em 2014),  o BC já realiza leilões de venda de dólares com compromisso de recompra para atender linhas de financiamento das exportações em momentos de crise de liquidez no mercado de câmbio.

        anexo:

        Banco Central do Brasil

        http://www.bcb.gov.br/?id=MAISTEXTOS&ano=2009

        27/10/2009 – Fortalecimento da Economia Brasileira e Enfrentamento da Crise Internacional  (PDF – 491 Kb)
        Henrique Meirelles—Câmara dos Deputados—Publicado na Internet em 27/10/2009

         

        URL:

        http://www.bcb.gov.br/?ECOIMPEXT
        http://www.bcb.gov.br/?ECOIMPHIST

         

        • O que voce registra no item

          O que voce registra no item CONTRATOS DE LEASING são os pagamentos de alugueis em 2015, não é o valor total dos contratos e sim o serviço anual deles. Por esse valor de aluguel anula (US$22 bilhões) o VALOR DOS CONTRATOS, que tambem é divida, supera US$100 bilhões.

          • DÍVIDA EXTERNA—Sumário Metodológico

            —-Definições: A dívida externa bruta compreende as operações de dívida contraídas sob a forma de empréstimos em moeda de curto e longo prazos, de importação financiada, arrendamento mercantil (Leasing) e financiamento de serviços, com prazo de pagamento superior a 360 dias, registradas no sistema Registro Declaratório Eletrônico – Registro de Operações Financeiras (RDE-ROF) do Banco Central do Brasil, além de outros passivos oriundos das seguintes fontes:—-

            Banco Central do Brasil—PEDD-Padrão Especial de Disseminação de Dados—Data da última atualização: 10/6/2011

            DÍVIDA EXTERNA
            Os dados da dívida externa são publicados em milhões de dólares norte-americanos, em valores correntes, sem ajustamento sazonal. Eles compreendem o país como um todo, incluindo-se todas as regiões geográficas e todos os setores da economia, sejam públicos ou privados.
            Em linhas gerais, a compilação da dívida externa está de acordo com os critérios estabelecidos na 5ª edição do Manual de Balanço de Pagamentos do Fundo Monetário Internacional – BPM5 e na publicação “Estatísticas de Dívida Externa: Guia para compiladores e usuários”, de iniciativa conjunta de: BIS, Commonwealth, Eurostat, FMI, OCDE, Clube de Paris, UNCTAD e Banco Mundial.
            Os dados são abertos em Governo Geral, Autoridade Monetária, Bancos, Empresas Não Financeiras e Outros Setores, além de Empréstimos Intercompanhia, além de apresentarem abertura por prazo de vencimento original (curto prazo e longo prazo) e por instrumento (crédito comercial, empréstimos, instrumentos do mercado monetário, bônus e notas, moeda e depósitos, e outros passivos).—

            —-Sumário Metodológico
            Arcabouço analítico, conceitos, definições e classificações (incluindo referência a orientações aplicáveis)
            Conceito: A dívida externa compreende o total apurado em determinada data dos débitos contratuais efetivamente desembolsados e ainda não quitados, devidos por residentes de uma economia aos não residentes, onde haja a obrigatoriedade de pagamento de principal e/ou juros em algum(s) ponto(s) no futuro.

            Definições: A dívida externa bruta compreende as operações de dívida contraídas sob a forma de empréstimos em moeda de curto e longo prazos, de importação financiada, arrendamento mercantil (Leasing) e financiamento de serviços, com prazo de pagamento superior a 360 dias, registradas no sistema Registro Declaratório Eletrônico – Registro de Operações Financeiras (RDE-ROF) do Banco Central do Brasil, além de outros passivos oriundos das seguintes fontes:
                Plano Contábil das Instituições Financeiras (Cosif) – registra as obrigações em moedas estrangeiras das instituições financeiras pela utilização de linhas de crédito junto a instituições financeiras do exterior, bem como as decorrentes de utilização de cartas de crédito de importação e de descobertos em contas de movimento;
                Linhas de créditos no exterior de empresas estatais e;
                Saldo devedor do Convênio de Créditos Recíprocos (CCR) – o CCR é um convênio em moeda estrangeira firmado entre o Banco Central do Brasil e os bancos centrais dos países participantes (Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela) com os objetivos de facilitar a canalização dos pagamentos, intensificar as relações econômicas entre os respectivos países, reduzir os fluxos internacionais de divisas entre os participantes e estimular as relações entre as instituições financeiras.

            No sistema RDE-ROF os dados são incluídos de forma declaratória pelo devedor ou seu representante legal. No caso de o tomador ser do Governo Geral (Governos Federal, Estadual ou Municipal) ou o garantidor ser o Governo Federal, a aprovação do registro requer análise prévia deste Banco Central na observação do cumprimento de exigências legais.
            Classificações: Os dados de dívida externa são abertos em Governo Geral, Autoridade Monetária, Bancos, Outros Setores e Empréstimos Intercompanhia, além de apresentarem abertura por prazo de vencimento original (curto prazo e longo prazo) e por instrumento (crédito comercial, empréstimos, títulos de dívida, moeda e depósitos, e outros passivos). Os instrumentos da dívida podem ser assim descritos:
                Títulos de dívida: operações baseadas em emissão de títulos tais como bônus, Notes, e Commercial Papers, excluindo-se as operações dessa categoria classificadas como Empréstimos Intercompanhias;
                Empréstimos: operações diretas de empréstimos em moeda, inclusive empréstimos concedidos pelo FMI, BID, Banco Mundial e outros Organismos multilaterais e Agências bilaterais. Exclui empréstimos classificados como Intercompanhias;
                Créditos Comerciais: operações de financiamentos de importação e de serviços concedidos por fornecedores (Supplier’s Credit) e por bancos estrangeiros e brasileiros no exterior (Buyer’s Credit);
                Outros passivos de dívida: financiamentos obtidos junto a Organismos multilaterais e Agências bilaterais e outras operações de dívida externa;
                Empréstimos Intercompanhias: operações de empréstimos em moeda contraídas por empresas do setor privado não financeiro, inclusive a Petrobras, junto a entidades privadas estrangeiras não financeiras.—-

            —-Considera-se dívida de curto prazo aquela cujo vencimento original é igual ou inferior a 360 dias e de longo prazo aquela cujo vencimento original ultrapassa esse limite. Não são computados os valores relativos aos juros incorridos, ainda não pagos e não vencidos.

            Conversão de moedas: Como as estatísticas são apresentadas em dólares norte-americanos, os valores apurados são convertidos a esta moeda às paridades de venda vigentes no último dia útil do período de referência, obtidas no Sistema de Informação do Banco Central (SISBACEN) – transação PTAX800 – opção 5 – cotações para contabilidade.
            URL:

            https://www.bcb.gov.br/pec/sdds/port/divexterna_p.htm

             

  19. Ativo e passivo externo

    Indicadores econômicos consolidados—-de 23 de setembro de 2015

    Os títulos listados a seguir referem-se a arquivos contendo os Indicadores Econômicos. Para utilizá-los em seu computador selecione o título desejado e aguarde a conclusão do processo de transferência (download) do arquivo. A execução do arquivo transferido irá restaurar os arquivos originais no formato Excel 97-2003.

    Convenções Estatísticas——————Glossário

    Posição de investimento internacional——–XLS – 100 Kb 

    URL:

    http://www.bcb.gov.br/?INDECO

     

  20. A maior parte do passivo externo está em reais.

    As Reservas Cambiais de US$ 370 bilhões são mais do que suficiente para controlar uma fuga de capitais, pois a mais parte do passivo externo está reais, e em um processo de fuga de capitais haverá uma queda significativa, mais de 50% em reais,  do preços destes ativos(ações, deságio dos títulos negociado no mercado secundário, participação em empresas e imóveis).

    Os empréstimos de curto prazo( que vencem até dezembro de 2016), incluindo operações de intercompanhia representam menos que US$ 80 bilhões, com cerca de US$ 50 bilhões vencendo até dezembro de 2015.

    E para se concretizar em fuga de capitais seria necessário a venda do controle destas empresas para investidores nacionais(o que seria ótimo), já que uma eventual venda para outro controlador estrangeiro não se caracterizaria fuga de capitais, e sim mera troca de controlador.

    Ou seja em processo de fuga de capitais, o valor do passivo externo se torna muito menor, além disso precisamos desconsiderar a possibilidade da saída de empresas como General Motors, Fiat, Volkswagen, Nestle, Gessy Lever e muitas outras que mesmo em situação moratória nos anos 80 não deixaram o pais, o que já reduz significativamente o passivo externo a ser considerado em processo de fuga de capitais.

    O que Banco Central precisa fazer, é anunciar um programa de venda de dólares a vista, para complementar o atual programa de venda de swaps cambiais.

     

    • Roberto, eu também

      Roberto, eu também compartilho de sua visão quanto ao mercado de câmbio do País e as possibilidades de “fugas” de capital. Não vejo nada que nos amedronte, como aludiu o articulista a que respondemos.

      Entretanto, duvido e faço pouco de qualquer possibilidade de o câmbio continuar subindo desenfreado, oscilando de maneira esdrúxula, ou se mantendo como coisa assustadora, se o Banco Cantral parar de todo com as inconcebíveis “rações”  diárias, atiradas de bandeja aos bancos e “investidores”, se o Banco Central pura e simplesmente vender dólares no Mercado de Câmbio. Principalmente avisando que NÃO haverá qualquer compromisso de recompra da moeda vendida.

      Duvido de que o mercado de moedas não se aquiete e não se normalize, Porque “investidor”, banqueiro e Cia Ltda adora um lanche grátis, mas colocar o seu dinheiro onde não tem certeza de haver ganho é uma outra história muito diferente. O que eu acho é que essa atitude não dá mais pra ser engolida calado.  

    • O PASSIVO EXTERNO está

      O PASSIVO EXTERNO está registrado no Banco Central em MOEDA ESTRANGEIRA e é sobre esta que se calcula repatriação e dividendos, é da essencia do conceito de “passivo externo”. Para repatriar não precisa haver venda de controle, pode ser REDUÇÃO DE CAPITAL. Para venda de controle tanto faz ser investidor estrangeiro ou nacional, o que rege a remessa é a liquidação da transação no Brasil, tanto faz a nacionalidade do comprador. Se a FIAT compra a General

      Motors do Brasil e paga aqui em Reais, a General Motors Corporation pode remeter os dolares equivalentes, mesmo a FIAT sendo estrangeira.

      • Registro contábil

        A maior parte do passivo externo está em participação de capital, apurado pelo valor das ações negociadas no mercado em caso de empresa de capital aberto, ou pelo valor patrimonial em caso de empresa de capital fechado(US$ 450 bilhões em agosto 2015), que é o valor em reais desta participação convertido em dólar pela cotação média, se todo mundo correr para vender estas empresas dificilmente conseguirão metade deste valor em reais e quando conseguirem realizar a operação em reais,  o câmbio já estará bem mais alto em reais, além disso não se vende uma empresa da noite para dia.

        Mesmo que fosse comprada por outra empresa estrangeira, dificilmente o novo controlador teria o capital necessário no Brasil e teria que recorrer a Matriz, tanto para autorizar o negócio como para financiar a eventual compra, basta ver a conta de empréstimos intercompanhias(que é utilizado parra realizar operações das filiais no Brasil), US$ 209 bilhões em agosto de 2015.

        Outra parte significativa do passivo externo está em ações negociadas em bolsa, valor em reais das ações, convertido em dólar pela cotação média,(US$ 191 bilhões em agosto de 2015), que do mesmo modo, se todo correr para vender,  o preço em reais despenca.

        Há também cerca de US$ 126 bilhões em títulos de dívida público e privado emitidos em reais, que terá um deságio considerável, acima de 30% se todo tentar vender no mercado secundário de títulos, isto se achar comprador.

        O que está em dólar mesmo, são os empréstimos, US$ 550 bilhões, dos quais  US$ 209 bilhões de operações intercompanhias, e com mais de  70% são de longo prazo, com vencimento para depois de 2017.

        Destes US$ 550 bilhões,  estão previstos US$ 77 bilhões em juros e amortizações até dezembro de 2016, mas precisamos considerar que boa parte das operações de intercompanhias(US$ 20 bilhões) serão renovadas.

         

         

         

        • Meu caro, nem nas piores

          Meu caro, nem nas piores crises cambiais do Pais saiu todo mundo correndo para vender empresas estrangeiras aqui. Não se trata disso.

          A contabilidade do PASSIVO EXTERNO , que é a soma dos investimentos estrangeiros MAIS a divida externa é uma base de pressão sobre a conta capitais pela sua simples existencia. Essa base virtual de remessa de lucros e dividendos no caso do IED e de juros, no caso dos financiamentos é um dado que precisa ser levado em conta n avaliação do nivel de reservas, não significa que vai tr uma fuga de capitais, da mesma forma que a simples existencia da DIVIDA INTERNA FEDERAL é um dado fundamental mesmo que ela não precise ser paga agora, tem muito tempo para pagar, mas o MONTANTE DA DIVIDA é um dado importantissimo pela sua simples existencia.

  21. Se o Banco Central

    Se o Banco Central simplesmente deixar de utilizar seus swaps cambiais e, pricipalmente o que começou a fazer pra disfarçar o fiasco desses swaps, “vender” dólares com condição de recompra (ou seja, pode comprar que eu garanto seu lucro), não existe a menor possibilidade de o mercado parar com sua oscilação fajuta e sentar-se num patamar mais do que lógico por si mesmo. 

  22. Reservas Cambiais equivale a 30% meios de pagamento.

    Hoje as Reservas Cambiais estão em US$$ 370 bilhões, representando R$ 1,5 trilhões, quase 30% dos meios de pagamentos, considerando uma taxa de câmbio de R$4,05 por dólar.

    anexo

    Política Monetária e Operações de Crédito do SFN
    Banco Central do Brasil -NOTA PARA A IMPRENSA – 23.9.2015—-ZIP – 214 Kb

    II – Evolução dos agregados monetários
    A base monetária atingiu saldo médio diário de R$229,4 bilhões em agosto, com declínio de 2% no mês, decorrente dos recuos de 10,2% nas reservas bancárias e 0,4% no papel-moeda emitido. A expansão em doze meses alcançou 1,4%.

    Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, destacaram-se os ajustes nas operações com derivativos, com expansão de R$17,2 bilhões. As operações com títulos públicos federais, que incluem a atuação do Banco Central no ajuste da liquidez no mercado monetário, foram contracionistas em R$6,2 bilhões, e os depósitos de instituições financeiras, que incluem os recolhimentos compulsórios, em 2,8 bilhões. O impacto referente aos títulos públicos refletiu colocações líquidas de R$47,7 bilhões no mercado primário e compras líquidas de R$41,5 bilhões, no mercado secundário.
    O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) atingiu R$299,6 bilhões em agosto, após redução de 2% no mês, resultante das retrações de 3,6% nos depósitos à vista e de 0,5% no papel-moeda em poder do público. Em doze meses, o M1 recuou 2,2%.

    O M2, que corresponde ao M1 mais depósitos de poupança e títulos privados, contraiu-se 0,1% em agosto, totalizando R$2,2 trilhões. O saldo dos depósitos de poupança manteve-se estável na comparação com o mês anterior, somando R$650,6 bilhões, após resgates líquidos de R$7,5 bilhões. O saldo dos títulos privados aumentou 0,1%, atingindo R$1,2 trilhão, a despeito de resgates líquidos de R$6,7 bilhões em depósitos a prazo.

    O saldo do M3, que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, elevou-se 0,2% no mês, atingindo R$4,5 trilhões. O saldo das quotas de fundos de renda fixa cresceu 0,5%, somando R$2,2 trilhões, enquanto as operações compromissadas, cujo saldo alcançou R$161,5 bilhões, aumentaram 1,3% em relação a julho.

    O M4, conceito que compreende o M3 e os títulos públicos de detentores não financeiros, apresentou expansões de 0,3% no mês e de 9,4% em doze meses, totalizando R$5,3 trilhões.

    URL:

    http://www.bcb.gov.br/?ECOIMPOM

    http://www.bcb.gov.br/?ECOIMPHIST

  23. Se a “Dona” não teve huevos

    Se a “Dona” não teve huevos para segurar um pequena queda nos juros, imagina se vai ter aquilo roxo para implantar controle de cãmbio.

     

    Não confundi dilminha com Cristina K.

  24. Excelente artigo, mas…

    André, seu artigo está magistral, excelente, mas uma pergunta. Com o Congresso conservador, a oposição entreguista para o interesse dos EUA, e a presidente Dilma guinando fortemente para a direita, dificilmente esta idéia excelente sua seria posta em prática. 

    No “Brazil” pos FHC nos tornamos quase que uma colônia dos EUA, um apêndice norte americano, e nem Lula teve força para desfazer isto. Menos ainda teria Dilma, com o congresso conservador e hostil aos interesses nacionais. 

  25. Segurar o câmbio

    Sim, a idéia seria excelente, como fazem na China, segurariamos o câmbio fixo novamente, ou teria um sistema de ajustes gradativos, o que permitiria ao investidor se programar à longo prazo.

    André quais seriam as consequencias de a presidente intervisse no câmbio? Ou intervisse na Selic? Poderíamos ter uma represália do mercado?

    Com certeza para fazer uma manobra tão ousada,  um presidente precisaria ter muita credibilidade junto ao mercado, popularidade, e confiança no que está fazendo, coisas que Dilma não tem nem de longe hoje.

    • Meu caro Guimarães, agradeço

      Meu caro Guimarães, agradeço seus sempre excelentes comentarios. Meu objetivo foi abrir um debate até agora vedado, que é saber qual é a politica monetaria e cambial do BC? Ninguem sabe, nem eles. Agem por via reflexa, não há uma visão politica de longo prazo e nem interessa ter, eles são CURTO-PRAZISTAS, é a bolsa e a cotação do dolar. Ponto.

      Quando falo em CONTROLE DE CAMBIO não é para evitar uma fuga de capitais que sequer se vê no horizonte. O controle de cambio visa RESTABELECER UMA POLITICA ECONOMICA DE OBJETIVOS NACIONAIS, hoje 100% do Plano Levy visa a acalmar o mercado financeiro internacional. Não tem NENHUM OUTRO OBJETIVO, não há qualquer preocupação com o emprego e o crescimento, ZERO. O unico foco do Levy é o MERCADO FINANCEIRO, especialmente o internacional.

      O controle de cambio está IMPLICITO EM UM PROJETO NACIONAL, que visa aos interesses a longo prazo do Pais, como fazem a China, a Russia e a India. O Brasil desde 1995 não tem POLITICA DE INTERESSE NACIONAL, todo o aparelho Fazenda-Banco Central, desde o Plano Real, é dominado pelo mesmo grupo de economistas, podem mudar os nomes mas o grupo é o mesmo, a visão é unica, o MERCADO FINANCEIRO INTERNACIONAL.

  26. Juros altos

    André, tenho grande curiosidade em entender porque temos os juros mais altso do mundo.

     

    pelo que entendo os monetaristas defendem que devido ao nosso deficit nominal, temos uma grande necessidade de rolarmos nossa divida, e isso torna nosso perfil arriscado e faz com que tenhamos que pagar altos juros para atrair o capital necessário para rolagem.

     

    No entanto não entra na minha cabeça que paguemos juros mais altos do a grécia, itália, irlanda, namibia, etc etc

     

    Acredito que tenha um viés político (rentismo), e queria entender outros aspectos como esse que menciona a respeito da internacionalização. Sabe onde posso encontrar material a respeito ?

     

    Como contraponto, nesse sentido que fala, a Inglaterra, Austrália, etc não teriam o mesmo problema que o Brasil ?

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome