Depreciação cambial é único fato positivo da economia, diz Nakano

Jornal GGN – Para Yoshiaki Nakano, professor da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas, a depreciação da taxa de câmbio, em mais de 40% desde o ano passado, é o único fator positivo da conjuntura econômica atual. Em sua coluna no Valor, Nakano reconhece os prejuízos da desvalorização do real a curto prazo, mas acredita que, no médio e longo prazos, uma taxa estável e competitiva pode trazer benefícios sobre o crescimento econômico.

Nakano também ressalta que, sem a depreciação, a situação econômica seria ainda pior. O economista também diz que se a desvalorização do real atuar em conjunto com outras políticas macroeconômicas, como a contração fiscal e a redução da taxa de juros, poderia recompor a confiação do setor industrial. 

Do Valor

 
por Yoshiaki Nakano
 
A forte depreciação da taxa de câmbio, em mais de 40% desde o ano passado, é o único fato positivo na atual conjuntura econômica brasileira. É verdade que no curto prazo traz mais prejuízos do que ganhos, mas no médio e longo prazos, se a taxa real de câmbio for mantida estável, previsível e competitiva, os efeitos sobre o crescimento econômico serão extremamente benéficos para o futuro bem-­estar da população brasileira. Aliás se não fosse a depreciação e a melhoria prevista no saldo das transações correntes para os próximos anos, a nossa situação seria dramática.
 
Mais importante, se combinadas com outras políticas macroeconômicas consistentes, particularmente uma forte contração fiscal e redução na taxa de juros, lançaria uma luz no fim do túnel, fundamental para recompor a confiança, particularmente do empresariado do setor industrial. Na verdade, repito aqui uma tese que venho defendendo há mais de 10 anos nesta coluna.

Antes de mais nada é preciso frisar que a taxa real de câmbio deve ser, como foi já destacado, estável, previsível e competitiva. Pois a taxa de câmbio, sendo um preço relativo entre setor de tradables e não tradables, é preço chave na macroeconomia ao determinar a taxa de retorno dos investimentos no setor de bens e serviços tradables. Este é o setor moderno e de alta produtividade nas economias emergentes, compreendendo não apenas o setor de manufaturados, mas também setor de serviços dele dependente (e.g. softwares).
 
É bom lembrar que vivemos numa economia capitalista e a empresa só investirá se houver o mínimo de previsibilidade, num horizonte longo, de que terá retorno razoável. Daí a estabilidade da taxa real de câmbio ser tão ou mais importante do que o próprio nível no processo de crescimento. Fique também claro que este efeito só ocorre no longo prazo, pois a firma precisa antes certificar­se de que a taxa será estável persistentemente, terá que adequar o seu projeto ao nível de taxa de câmbio e existe um intervalo relativamente longo entre a decisão de investir e o início da produção efetiva.
 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

3 comentários

  1. A economia, em termos de

    A economia, em termos de identificar as questões de importância para a sociedade e as nações, se encontra tão soterrada na lama quanto as vitimas da tragédia da barragem da Samarco no povoado de Bento Rodrigues – MG.

    Digamos que os efeitos das atividades dos economistas (o curso da lama) ficaram nas listas dos dramas que estamos enfrentando; seu alvo não é resgatar a agonia social pelos rejeitos dos juros, ou pelo menos nos ajudar a escapar do ajuste fiscal; mas acelerar o embargo do crescimento, provocar uma catástrofe na Petrobras, e atingir a presidente por negligência.

    Em meio de tempo, a autonomia do Banco Central que provocou o tsunami da crise revela que o processo em que a captação do dinheiro estrangeiro nos faz cair como desaparecidos nada mais é do que o desconhecimento do valor científico que está morto nos próprios recursos, o qual se tem para si quando o objetivo é de o encontrar pela associação ao valor do trabalho.

     

  2. Ninguém viu

    Tanto o texto da colunista como outros a respeito de Cunha e de políticos fartamente acusados de enriquecimento ilicito (Maluf, por exemplo) ignoram um eventual culpado: o setor da Fazenda, do Imposto de Renda que, durante muitos anos, jamais parece ter percebido essas condutas ilicitas de enriquecimento nada idôneo. Ninguém viu, nunca ninguém soube.Nem as autoridades, a classe política e muito menos os medalhões da mídia. Fala-se de Cunha (a bola da vez) e esquecem o mensalão mineiro, os escândalos Maluf, os carros de Color. A credibilidade do Brasil como um todo está zero

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome