Desafios do segundo mandato

Coluna Econômica – 15/10/2006

O resultado mais provável neste segundo turno –pelo que as pesquisas de opinião estão dando até agora– é a vitória de Lula. Mas a vitória eleitoral. No dia seguinte começará a grande guerra política.

A campanha ajudou a acirrar ainda mais um quadro que vinha se radicalizando há pelo menos um ano e meio. Hoje em dia, há uma guerra aberta entre Lula e a mídia, que se acirra a cada novo escândalo que aparece. Há investigações e inquéritos em andamento que, no limite, podem deflagrar até pedidos de impeachment.

A questão que se coloca é o que precisará ser feito para permitir a governabilidade ao segundo governo Lula.

A maior resistência contra Lula prende-se às dúvidas em relação à influência de facções do PT no seu segundo mandato. Sucessivos escândalos esvaziaram bastante os chamados operadores do partido. Houve quase um divórcio de Lula e uma luta intestina, que foi momentaneamente suspensa em função das eleições presidenciais, mas, mesmo assim, gerou o “dossiê Vendoin”, que quase custou a eleição a Lula.

Os operadores foram derrotados, mas muitos deles continuam atuando na máquina, a esta altura obedecendo às suas próprias lideranças, já que se rompeu o centralismo montado por José Dirceu, que garantiu o pacto que levou Lula ao poder.

Mesmo não tendo mais a influência de outrora, os operadores terão pela frente um presidente possivelmente reeleito, mas em estado de guerra com a mídia. Esse fato potencializa qualquer escândalo que estoure, em uma equipe que já recorreu à quebra de sigilos de pessoas, à compra de dossiês e a “mensalões”.

Digamos que um escândalo aumente a probabilidade de um pedido de impeachment. A reação dessas facções será correr para aproveitar o fim de festa. Por isso mesmo, Lula não poderá tergiversar um minuto sobre o que tem a ver.

O primeiro passo será mapear de cabo a rabo a administração, e limpar a área dos focos potenciais de escândalo, tarefa difícil, visto que o PT não tem controle sequer sobre sua própria campanha. É só conferir os ataques a familiares de Geraldo Alckmin colocados no site oficial do PT e mandados retirar pelo presidente.

O segundo passo será levantar um conjunto de propostas que permitam um pacto de governabilidade em cima de reformas. Se houver habilidade, não se entrar no triunfalismo da vitória, se procurar os governadores corretos, sai o pacto. Não interessa a nenhum governador a conturbação política ou mesmo o impeachment.

O terceiro passo será começar a pensar seriamente em mudar a política econômica. A idéia do Conselho de Economistas poderá ser um bom caminho para se definir claramente onde se situam as divergências no país. PT e PSDB são adversários na luta pelo poder, não nas idéias. Em ambos os partidos convivem economistas ditos neoliberais e economistas ditos neodesenvolvimentistas. O Conselho seria uma maneira de juntar massa crítica de linhas de pensamento contrárias à estagnação da economia, sem a formalidade e as dificuldades inerentes aos acordos político-partidários.

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